Chamada Esportes e homoerotismo

Data início: 13/09/2021Data de encerramento: 15/06/2022Local: Revista FuLiAData limite inscrição: 15/06/2022

CHAMADA v. 7, n. 3 (2022): submissão até 15 de junho de 2022

Luiz Carlos Lacerda

Há mais de cem anos o esporte moderno vem ganhando destaque na vida das pessoas, de várias formas e muitas maneiras. Como fenômenos socioculturais, manifestações esportivas angariam amplos públicos, de praticantes a torcedores, de especialistas a pesquisadores, passando inclusive por telespectadores, que se vinculam ao mundo esportivo, amador ou profissional, de variadas formas. Torcer por ou simplesmente assistir a esportes desencadeia sentimentos, afetos, evoca experiências e desperta curiosidades. O torcer por um atleta ou por um time de futebol, presenciar uma conquista de medalha e mesmo ver uma corrida de Fórmula 1 geram descargas de sentimentos coletivos, quase libidinais, difíceis de serem ignorados.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020/2021 sublinharam a importância das manifestações esportivas no entrecruzamento com dimensões políticas das práticas corporais. Não apenas se viu uma série de declarações sobre sexualidades não heteronormativas e cisgênero, como o pódio foi usado para denunciar o racismo, a xenofobia, a intolerância, o comprometimento da saúde mental e defender um maior diálogo com novas corporalidades e expressões de ser (humano), circulantes até no esporte de alto nível.

Isso abre precedente para pensarmos tais questões na próxima Copa do Mundo de Futebol de homens, a ser organizada pela Federação Internacional de Futebol e Associados (FIFA), no Catar, em 2022. Pode-se indagar se, caso se repitam tais demandas por parte de torcedores/jogadores, como o país árabe se posicionará frente à homossexualidade nestas manifestações, visto que a considera uma prática ilegal e motivo de reclusão.

O esporte é permeado por relações de poder que visam normalizar corpos, afetos e desejos, e sem dúvida, afeta vidas, produzindo modos de olhar, pensar e sentir, nos educando para algumas formas de “ser” e “estar” no mundo em relação à nacionalidade, religião, “raça”, classe social, gênero e sexualidade. Para além de um cenário para demonstrações motoras e performance, o esporte também é um “campo” repleto de práticas socioculturais que desnudam e transformam as relações humanas.

A partir do panorama traçado, interessam-nos aqui formas de conexão entre corpos, maneiras de amar em conjunto, expressões de homoerotismo desencadeadas por meio de práticas esportivas, sentidas, assistidas, vividas ou experenciadas: em momentos de confraternização de um gol, de júbilo por uma vitória alcançada, de prazer no abraço suado após horas extenuantes de uma escalada, de celebração alegre do cumprimento de uma maratona ou de dor amarga pela perda de título ou vaga em um campeonato. Nesses instantes, corpos vibram juntos, sintonizam-se, amam-se, regozijam-se, reconhecem-se, erotizam o momento, vertem-no em sublime. É aí está instalado o amor homofílico, de amizade pura, de comprometimento e reciprocidade. Que pode carregar consigo o desejo (homo)sexual, mas não necessariamente. De qualquer forma, tais “dimensões” fundem-se homoeroticamente. O homoerotismo contempla uma diversidade de práticas, vontades e desejos que acionam corpos, de homens e de mulheres, hetero, homo, bisexuais ou mesmo transexuais. Portanto, o esporte moderno é um espaço social no qual o homoerotismo está presente, quer queiram ou não seus apreciadores.  A interação coletiva (ou interpessoal) que provoca, carrega desejos, corporalidades, afetividades, gozos de diversas formas e em graus diferenciados.

Tendo isso em consideração, a proposta deste número da FuLiA pretende convidar contribuições teóricas, artísticas, literárias ou poéticas sobre esportes e homoerotismos, entendido como práticas sociais, sexuais e afetivas de homens e/ou de mulheres em relação a outros/outras do mesmo sexo ou gênero, de modo a destacar vivências e experiências construídas coletivamente por meio dos fenômenos esportivos contemporâneos.

Coorganizadores: Dr. Joaquín Piedra de La Cuadra (Universidad de Sevilla/Espanha); Dr. Wagner Xavier de Camargo (Universidade Federal de São Carlos/Brasil).

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