Chamada Futebóis e modernismos

Data início: 23/07/2021Data de encerramento: 15/12/2021Local: Revista FuLiAData limite inscrição: 15/12/2021

CHAMADA v. 7, n. 2 (2022): submissão até 15 de dezembro de 2021

Futebóis e modernismos

As relações entre literatura e futebol têm sido tão férteis quanto instáveis na história brasileira. Desde a virada do século XIX e o início do século XX, juntamente com a introdução da prática futebolística no Brasil, o registro artístico-literário dos jogos tem-se dado em jornais e em outros meios, quer sejam manuscritos, impressos, fotográficos ou mesmo pictóricos. Embora a crônica tenha sido o gênero mais destacado quando se refere a essa modalidade esportiva, outras linguagens escritas e visuais também procuraram expressar por meio de imagens e representações as múltiplas vivências e emoções suscitadas pelo futebol, tanto as praticadas quanto as assistidas.

Nessa esteira, é certo que cronistas do porte de Nelson Rodrigues projetaram-se e cristalizaram-se no imaginário nacional pelo modo sublime de narrar os mais diferentes aspectos da experiência futebolística e clubística. Uma mostra da pluralidade de abordagens existentes ao longo do tempo foi reunida por Milton Pedrosa em uma primorosa antologia de final dos anos 1960: Gol de letra – o futebol na literatura brasileira. Desde então escritores contemporâneos tem-se valido da prosa e da poesia para ficcionalizar diferentes personagens, situações e experiências do universo do futebol.  

Em virtude da comemoração da efeméride dos cem anos da Semana de Arte Moderna de 1922, o recorte proposto para o presente dossiê circunscreve o intercruzamento entre o movimento modernista no Brasil e o fenômeno do futebol no país. Esse esporte, no início da década de 1920, já constituía uma modalidade popular, integrada ao discurso da identidade nacional ao menos desde 1919, quando da conquista do III Campeonato Sul-Americano de 1919, comemorada de forma coletiva e entusiástica pela população. Por sua vez, em paralelo, as vanguardas artísticas capitaneadas por Mário de Andrade e Oswald de Andrade, entre muitos outros autores, afirmaram-se no cenário cultural brasileiro, em contraponto às gerações academizantes e beletristas que informavam os padrões dominantes do cânone literário e em sintonia com o que artistas modernos e vanguardistas propunham nos centros de cultura da Europa.

A proposta do número é, pois, mostrar as inter-relações entre as duas áreas da vida coletiva brasileira, a cultural e a esportiva, de modo a mostrar como, ao contrário da suposição que as coloca na condição de esferas distantes e apartadas entre si, os escritores e os artistas da Semana de 1922, junto àqueles surgidos na esteira do modernismo naquele decênio e nos anos 1930 e 1940, lançaram um olhar para a prática futebolística e produziram obras artísticas – crônicas, poemas, contos, pinturas, romances, roteiros de filmes etc. – sensíveis aos significados sociais e estéticos de um jogo polifônico e prenhe de sentidos.

Para este dossiê da FuLiA/UFMG serão bem-vindas contribuições de diversas áreas – Estudos Literários, Estudos da Linguagem, Artes, Comunicação, História, Educação Física, Antropologia e Sociologia, entre outras – sobre as mais diversas relações entre o futebol e o modernismo, desde modalidades do torcer, relatos memorialísticos, formas diversas de produção de discursos midiáticos, até transformações do jogo e modos de apreensão temporal de corpos, gêneros . 

Coorganizadores: Bernardo Buarque (FGV-CPDOC); Gustavo Cerqueira Guimarães (MRE/UEM) Marcelino Rodrigues (UFMG).

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