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30 anos da Libertadores do Colo-Colo

Fabio Perina 5 de junho de 2021

O contexto desse título foi o de redemocratização da política chilena com o retorno das eleições diretas para presidente no ano anterior e no futebol chileno com o contrário do contexto atual: seleção em baixa e clubes em alta. A seleção vinha de uma punição pela FIFA ao caso do goleiro Rojas estando excluída das Eliminatórias para as Copas do Mundo de 90 e 94. Já os clubes tiveram sua melhor década com as constantes presenças em fases finais da Libertadores: Colo-Colo campeão em 91, Universidad Católica vice-campeã em 93 e por fim Universidad de Chile semifinalista em 95 e novamente o Colo-Colo em 97 (sendo que nesses últimos três casos somente perderam para futuros campeões). Acrescentar também que o Colo-Colo vinha de uma importante conquista institucional recente que era a inauguração de seu Estádio Monumental David Arellano (nome em homenagem ao jogador-fundador do clube). Menor que o tradicional Estádio Nacional mas com as “galerias” bem mais próximas do campo fazendo a pressão ser mais intensa.

Colo-Colo 1991
Colo-Colo de 1991. Foto: Reprodução
A Libertadores de 91 teve duas principais singularidades: a punição aos clubes colombianos perdendo o mando de campo e tendo de jogar na Venezuela e nos Estados Unidos e a grande “marmelada” entre Boca Juniors-ARG e Oriente Petrolero-BOL em uma partida sem ofensividade para assim pelos resultados combinados eliminarem o River Plate-ARG.

Na fase de grupos o Colo-Colo foi acompanhado do também chileno Deportes Concepción e dos equatorianos LDU de Quito e Barcelona de Guayaquil. Uma classificação sem sustos com vitórias folgadas em casa (3 a 0, 2 a 0 e 3 a 1) e empates fora de casa.

No mata-mata o Colo Colo avançou contra Universitário-PER (0 a 0 e 2 a 1) e depois Nacional-URU (4 a 0 e depois a primeira derrota por 2 a 0). Mas a maior dificuldade veio a seguir na semifinal contra o Boca; que foi o pesadelo dos brasileiros eliminando Corinthians e Flamengo. Enquanto a outra semifinal também seria muito equilibrada pois reunia um tira-teima entre os dois últimos campeões e com uma rivalidade momentânea naquela virada dos anos 80/90 entre Atlético Nacional-COL e Olimpia-PAR.

A partida de ida na Bombonera teve vitória do Boca por 1 a 0 com gol de Graciani de pênalti logo no início. Já na partida de volta no Monumental os gols só saíram no segundo tempo, com Martínez e Barticciotto abrindo 2 a 0 para o Colo-Colo. Logo depois Latorre diminuiu para o Boca e lhe dava a segurança de levar a definição para os pênaltis. Mas já no final da partida Martínez marcou mais um para decretar o 3 a 1. Ainda não em definitivo pois a comoção popular foi tanta que houve uma invasão ao campo para comemorar o gol agônico. No meio da confusão houve o fato insólito que eternizou essa partida: um cachorro do policiamento mordeu o goleiro Navarro Montoya do Boca. Após a retirada da multidão de campo o arbitro Renato Marsiglia até reiniciou a partida para cumprir o tempo regulamentar mas já mais nada de relevante ocorreu e o Colo-Colo pôde comemorar a sua segunda classificação a uma final de Libertadores (depois de em 73 ser conduzido por seu grande ídolo Carlos Caszely mas perder para o Independiente-ARG na época de sua maior hegemonia).

A seguir houve a principal final continental entre paraguaios e chilenos após a Copa América de 79 (com título guarani). Bastou ao Colo-Colo segurar o empate sem gols no tradicional Defensores del Chaco e depois se impor no Monumental com um inquestionável 3 a 0 (2 gols de Pérez logo no início e outro de Herrera bem no final para aumentar a festa).

Épico por ser em 30 anos de Libertadores apenas a 4ª vez em que o título foi para um clube que não fosse os tradicionais uruguaios, argentinos e brasileiros. E até hoje é a única Libertadores do futebol chileno. Para o Colo-Colo essa foi a glória máxima foi para coroar sua hegemonia como o maior vencedor do futebol chileno com títulos em todas as épocas, antes e depois dessa Libertadores. Embora os últimos anos deixaram a desejar com fracas campanhas na Libertadores e principalmente no início desse ano esteve sob séria ameaça de um inédito rebaixamento, no qual se livrou apenas em “promoción” e assim reforçou sua grandeza mais uma vez. Histórico também por uma informação pouco conhecida da conquista pessoal do treinador sérvio Mirko Josic como o primeiro de fora da América do Sul a vencer a Libertadores. E foi o único por quase outros 30 anos, porém foi recentemente igualado pelos portugueses Jorge Jesus e Abel Ferreira.

Colo-Colo
Camisa usada pelo Colo-Colo na final da Libertadores de 1991. Foto: Wikipédia
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Fabio Perina

Palmeirense. Graduado em Ciências Sociais e Educação Física. Ambas pela Unicamp. Nunca admiti ouvir que o futebol "é apenas um jogo sem importância". Sou contra pontos corridos, torcida única e árbitro de vídeo.

Como citar

PERINA, Fabio. 30 anos da Libertadores do Colo-Colo. Ludopédio, São Paulo, v. 144, n. 9, 2021.
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