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A expansão da extrema-direita húngara

Gabriel de Oliveira Costa 21 de outubro de 2021

Após o aumento de participantes nas Eurocopas de 2016 e 2020, a UEFA reviveu um monstro antes esquecido. A ascensão de torcedores extremistas de direita ameaça a globalização idealizada pela FIFA em seus torneios. Com o acúmulo de insultos racistas, homofóbicos e xenófobos, os “Ultras” da Hungria chegaram à quarta polêmica no ano.

Na noite de terça-feira (12), em Wembley, um grupo de mil húngaros integrantes da Carphatian Brigate, entraram em confronto com policiais ingleses, além de insultarem atletas. Portanto, após os episódios registrados dentro do estádio, que culminou em um húngaro preso, a UEFA se vê pressionada em fazer algo contra a seleção.

Durante a Eurocopa realizada em junho (tardiamente em 2021), os húngaros estiveram envolvidos em polêmicas contra franceses e portugueses. Sua postura foi de intolerância à imigrantes ou descendentes com dupla cidadania de ambos os times.

Pouco depois, em setembro, o encontro com a Albânia, já pelas Eliminatórias para Copa, reviveu insultos xenófobos. Assim como na Euro, neste caso, a Hungria foi multada e teve duas partidas de portões fechados.

Racismo

Após os insultos xenófobos e homofóbicos nestes jogos, os húngaros cometeram racismo contra os ingleses. Durante o ajoelhamento de pré-jogo, em memória à George Floyd, cantos racistas foram direcionados aos jogadores negros, especialmente Rashford e Bellingham.

Portanto, como sabemos, ao trocarem socos com policiais em Wembley e terem um “ultra” preso, chegou a hora de sabermos quem são essas pessoas intimidadoras.

Carphatia Brigate

Nome este que representa a “Ultra Hungary” reúne algumas das principais torcidas organizadas do país, em prol da defesa da seleção. Segundo estudos locais, o grupo é composto por membros da Green Monsters (Ferencváros), Viola Fidelity (Újpest), Ultras Diósgyör (Diósgyör), Ultras Kipest (Honvéd), Red Blue Devils (Fehérvár) e Szivtiprók Ultras (Debrecen).

Ferencváros
Ultras Green Monsters do Ferencváros. Foto: reprodução YouTube
Estes grupos possuem característica de extrema direita, são barulhentos nos estádios e andam padronizados de preto. Oriundos do leste europeu, atacam jogadores imigrantes, ao exemplo de Karim Benzema (argelino, com cidadania francesa).

Como sabemos, também são alvos, negros e LGBTQ+. De forma irônica, cantam contra gays e estendem faixas, tipo: White lives matter (em alusão ao movimento Black lives matter).

Perigo

Conforme diz Gergely Marosi, a professora de jornalismo da Universidade de Budapeste, o grupo foi criado para reunir torcedores de todas ideologias. O convívio era pacífico, pois o alvo sempre foi o governo. Desde 2013, a extrema direita ganhou mais popularidade no grupo e assim, afastaram as minorias.

Desde os anos 50 a Hungria vive uma sombra neonazista no futebol. A torcida mais popular, do Ferencváros, é uma das maiores incentivadoras ao movimento.

Por fim, se tratando de um grupo “Ultra” ele é inimigo de hooligans e de outros grupos com ideologista de esquerda. A crescente da extrema direita na Europa também  é vista como uma ameaça na Itália e Alemanha. 

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Gabriel de Oliveira Costa

Jornalista carioca, tenho 22 anos. Apaixonado por futebol, fator principal pelo qual sou motivado para trabalhar com  a comunicação social, desde março realizo trabalhos direcionados ao conteúdo esportivo. Há dois anos trabalho com pautas de economia e política.

Como citar

COSTA, Gabriel de Oliveira. A expansão da extrema-direita húngara. Ludopédio, São Paulo, v. 148, n. 33, 2021.
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