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A história centenária do Vasco em Jogos Olímpicos (1920 – 2021) – Parte 2

As Olimpíadas não foram realizadas nos anos de 1940 e 1944 devido à Segunda Guerra Mundial, só retornando em 1948 nos Jogos Olímpicos de Londres. O primeiro atleta olímpico vascaíno a ganhar medalha foi Alfredo da Motta. O atleta foi fundamental na conquista do bronze olímpico de 1948, tendo feito 115 pontos em 8 jogos.

Foi o cestinha brasileiro na competição e nas quartas de final contra a Tchecoslováquia chegou a ser chamado de Tufão da Colina pelo Jornal dos Sports (RJ) devido a sua atuação. Alguns sites ligados ao Flamengo colocam o atleta como um atleta olímpico flamenguista por ter jogado boa parte da carreira na Gávea, mas os documentos históricos, como o Jornal dos Sports (RJ) abaixo demonstram que em 1948 Alfredo da Motta era um atleta vascaíno. Uma informação importante é que esta foi a primeira medalha brasileira num esporte coletivo e também a primeira vez que atletas brasileiros subiam ao pódio olímpico em 28 anos, desde 1920.

Foto de Alfredo e Cartum após a vitória contra a Tchecoslováquia que levou o Brasil à semifinal das olímpiadas contra a França. (Edição 05818 / Jornal dos Sports, RJ)
Foto de Alfredo e Cartum após a vitória contra a Tchecoslováquia que levou o Brasil à semifinal das olímpiadas contra a França. Fonte: Edição 05818 / Jornal dos Sports, RJ

As outras participações vascaínas nos Jogos de Londres-1948 foram no salto triplo com Geraldo de Oliveira, que era considerado um dos melhores atletas do mundo, sendo o primeiro grande saltador triplo nacional antes mesmo até de Adhemar Ferreira da Silva. Geraldo era uma figura querida em São Januário e ficou em quinto lugar na edição dos Jogos Olímpicos de 1948. Outro atleta vascaíno que esteve em Londres em 1948 foi José do Nascimento Dias, pugilista na categoria peso pena e que foi afiliado ao clube por um bom tempo.

Matéria falando da satisfação do Vasco em ter Geraldo de Oliveira nos Jogos Olímpicos de 1948 (Foto: Jornal dos Sports)
Matéria falando da satisfação do Vasco em ter Geraldo de Oliveira nos Jogos Olímpicos de 1948. Fonte: Jornal dos Sports

Em 1952, o Vasco teve Hélcio Buck Silva na prova do salto triplo. Em Helsinque, o Vasco enviou pela primeira vez atletas para o futebol de campo, e foram logo 4 jogadores de uma vez. O goleiro Carlos Alberto, o meia Adésio e os atacantes Jansen e Vavá. Todos foram titulares da seleção de Newton Cardoso. Destaque para os atacantes Vavá (o mesmo da Copa do Mundo de 1958) e Jansen que marcaram na vitória de 5 a 1 contra a Holanda. O Brasil acabou sendo eliminado nas quartas-de-final para Alemanha por 4 a 2.

Jansen era a grande esperança de gols da seleção olímpica de 1952 (Foto: Correio da Manhã)
Jansen era a grande esperança de gols da seleção olímpica de 1952. Fonte: Correio da Manhã

Em 1956, o Vasco teve como representante o atleta de basquete Edson Bispo, que ganhou o mundial de 1959 com a seleção e mais tarde viria a ganhar duas medalhas de bronze em 1960 e 1964 (aqui Bispo já havia saído do Vasco). Além de Edson Bispo, o Vasco enviou para Melbourne os remadores Nelson Guarda e Ruy Kopper.

O grande nome das olímpiadas de 1956 foi Adhemar Ferreira da Silva, que foi considerado pelo Jornal dos Sports na época o maior atleta do continente. Adhemar é uma das maiores lendas do atletismo até os dias de hoje. Naquela edição, bateu o recorde olímpico no salto triplo com uma marca de 16,35 metros. Foi o primeiro brasileiro a ser bicampeão olímpico e seus recordes perduraram por mais de 40 anos.

Adhemar Ferreira da Silva saltando para o recorde olímpico (Foto: COB)
Adhemar Ferreira da Silva saltando para o recorde olímpico. Fonte: Reprodução redes sociais

Em 1960, o Brasil não ganhou medalha de ouro, apenas duas medalhas de bronze com o basquete e a natação. No entanto, o Vasco não deixou de enviar os seus representantes: Anubes Ferraz (Atletismo), Ernesto Neugebauer (Remo), Waltermar Scovino (Remo) e Wanderley (Futebol).

Nas Olímpiadas de 1964, o Vasco teve apenas Paulino Gonçalves Leite, que chegou no clube naquele mesmo ano para competir as provas de remo. O clube ficou durante um período sem alguns esportes amadores.  O grande nome olímpico daquela edição foi uma atleta que teve a sua formação no clube: Aída dos Santos, conseguiu a 4ª colocação e antes do Vasco fechar os esportes amadores a atleta treinava no clube. Aída foi para os jogos olímpicos sem treinador, sem apoio e sem uniforme. Era a única mulher brasileira e brilhou na competição.

Em 1968, não foi encontrado nenhum registro de atleta vascaíno. A seleção brasileira de basquete naquela edição buscava a terceira medalha olímpica seguida, mas acabou ficando na quarta colocação. O Brasil contou com Sérgio Macarrão, que foi atleta do Vasco entre 1966 a 1968. Poucos meses antes dos Jogos Olímpicos, Sérgio Macarrão acabou se transferindo para o São Caetano. Na época, o Vasco era uma potência no basquete e foi vice campeão brasileiro em 1965 e 1966. Uma curiosidade sobre Sérgio Macarrão é que este é tio de Marcelinho Machado, atual comentarista do SporTV.

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Gustavo Dias

Torcedor Santista e professor de Sociologia na Universidade Estadual de Montes Claros.

Como citar

DIAS, Gustavo. A história centenária do Vasco em Jogos Olímpicos (1920 – 2021) – Parte 2. Ludopédio, São Paulo, v. 147, n. 4, 2021.
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