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A posição mais ridícula do futebol

Marcos Alvito 8 de maio de 2021

Vivemos a era do VAR-football. O curioso é que a pretensa cientificidade do olho eletrônico, operado por humanos inconstantes e potencialmente pilantras, obviamente cria novos problemas.

Mas há outras coisas quase tão insuportáveis quanto ter que esperar o pronunciamento das autoridades para você comemorar ou descomemorar o gol do seu time.

CBF VAR
Foto: Reprodução / Fernando Torres / CBF

O VAR-Football não tem a menor noção de ridículo ao permitir que jogadores se deitem atrás da barreira para evitar os chutes rasteiros. Esportivamente, eu acho injusto e imoral. Numa cobrança de falta, há um duelo entre o cobrador (ou cobradora) e o goleiro (ou goleira). Chutar por cima ou meter um canhão por baixo queimando a grama são escolhas do cobrador, cada uma com vantagens ou desvantagens.

Mas o principal mesmo é o fato de termos um jogador ou jogadora deitado(a) na grama, na posição indigna de um saco de areia de trincheira. Já pensaram você pedir ao Ademir da Guia, ao Romário, ao Zico, para ficar ali deitadinho, “o corpo estendido no chão”?

A expressão “tomar bola nas costas” será ressignificada positivamente e finalmente a bunda vai ter a sua vez, podendo ajudar o time caso a cobrança de falta atinja os glúteos salvadores.

Imagino esse jogador ou jogadora sendo entrevistado:

– Meu filho-minha filha, você joga em que posição?

– Travesseiro.

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Marcos Alvito

Professor universitário alforriado. Escritor aprendiz. Observador de pássaros principiante. Apaixonado por literatura e futebol. Tenho livros sobre Grécia antiga, favela, cidadania, samba e até sobre futebol: A Rainha de chuteiras: um ano de futebol na Inglaterra. O meu café é sem açúcar, por favor.

Como citar

ALVITO, Marcos. A posição mais ridícula do futebol. Ludopédio, São Paulo, v. 143, n. 15, 2021.
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