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Clube de Regatas Brasil, é a paixão de todos nós!

Adriano Lopes de Souza 19 de outubro de 2015

Em 1910, é fundado em Maceió o Club Alagoano de Regatas, sendo este destinado a prática de esportes náuticos. Para se tornar sócio, além da jóia de mil réis, haveria um custo mensal de quinhentos mil réis. Porém, naquele momento, as receitas não eram suficientes para o progresso do clube. Diante disso, entre os fundadores houvera divergências quanto ao aumento das mensalidades, culminando na saída de um dos membros, sendo ele Lafaiete Pacheco. Contudo, ainda entusiasmado com a criação de um clube de regatas na cidade, Lafaiete procurou por Antonio Vianna e juntamente com outros sete desportistas fundaram no dia 20 de Setembro de 1912, o Club de Regatas Brazil.

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Lafaite Pacheco – Fundador do CRB. Foto: Autor desconhecido.

O tão almejado clube de regatas havia sido fundado, embora ainda desprovido de materiais adequados a sua prática. Apenas a estonteante enseada da “Pajussara” – bairro sede do novo clube – a disposição desses jovens entusiastas para as primeiras remadas. Diante dessa situação, por meio das mensalidades pagas pelos sócios juntamente com um empréstimo bancário, Lafaiete conseguiu viabilizar recursos suficientes para aquisição de uma yole – embarcação proveniente da cidade de Santos, adquirida por 200 mil réis. A compra do equipamento, oito com patrão, bem como os treinamentos ocorridos entre as praias da Ponta Verde e Pajuçara tornaram o “Brazil” uma atração para a população maceioense.

O Futebol – que já era uma prática corriqueira na cidade desde a fundação do Alagoano Foot-ball Club, em 1909 – foi inserido paulatinamente através dos “rachas” realizados pelos sócios do clube nas ruas do bairro da Pajuçara. Diante do crescimento do esporte dentro do CRB, se fez necessária a aquisição de um espaço adequado para a prática futebolística. Eis que em 1916, os sócios do clube arrendaram um terreno no qual foi transformado, inicialmente, em um campo de futebol. Em 1921, é inaugurado o primeiro lance de arquibancadas do novíssimo Estádio da Pajuçara. Uma curiosidade sobre o local é que aquela região era um habitat bastante freqüentado pelo Galo de campina, que passou a ser o mascote do CRB.

Nessa época, Haroldo Zagallo havia chegado da Inglaterra e entusiasmado com o envolvimento dos rapazes do CRB, começou a passar seus conhecimentos sobre o futebol. Nesse contexto, a semente estava plantada e os frutos seriam colhidos nos anos seguintes. Em 1927, a partir de uma iniciativa do próprio CRB, é criada a Coligação Esportiva de Alagoas, responsável pela organização do primeiro campeonato estadual de futebol, vencido com sobras e de forma invicta pelo Galo da Pajuçara.

Entre as décadas de 1930 e 1940, o CRB conquistou seu primeiro tetra campeonato de forma consecutiva, entre 1937 e 1940. Além disso, uma façanha ocorrida em 1939 até hoje não foi alcançada. Uma impiedosa goleada de 6 a 0 sobre o Centro Sportivo Alagoano (CSA) no Estádio da Pajuçara. Entre os carrascos da partida estava Arlindo, autor de dois gols. Esse jogador criava uma cabra na Pajuçara que atendia pela alcunha de Sofia. De acordo com Lauthenay Perdigão, importante historiador alagoano, após entrevistar o ex-jogador Cláudio Régis descobriu-se que o “Arlindo gostava de cantar uma modinha que falava nos vinte e cinco animais do “jogo do bicho”. E quando chegava no numero seis (cabra), ele dava uma paradinha e fazia alusão à goleada dos 6 x 0. Os jogadores gostaram, passaram para a torcida e a gozação foi geral”. Esse jogo ficou conhecido como o clássico da “Sofia”.

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Ataque do CRB em 1937. Foto: Autor desconhecido.

Contudo, a década de 1970 é sem sombra de dúvidas o período mais vitorioso da história do clube. Ao todo foram sete títulos estaduais – 1970/72/73/76/77/78/79 – e a conquista do Torneio José Américo de Almeida Filho, em 1975, sendo este o precursor da Copa do Nordeste. Nessa década, jogadores de excelência fizeram parte das equipes formadas pelo CRB como Mudinho e Silva, maior artilheiro dos clássicos, conhecido como “Silva cão”, além de Roberto Menezes que se destacou no campeonato brasileiro de 1972.

Naquela competição, o meio campista liderou a Bola de Prata até o clube ser eliminado da competição. O troféu de melhor da posição ficou para Wilson Piazza, que jogava pelo Cruzeiro de Belo Horizonte. Outros jogadores também fizeram história como, por exemplo, Jorge da Sorte, Roberval Davino e o goleiro César que chegou a defender a equipe do Corinthians de São Paulo. Contudo, o maior ídolo da historia do CRB é Joãozinho Paulista, conhecido como “João dos gols”. É o maior artilheiro da historia do clube com 190 gols marcados com o manto alvirrubro.

Hino-oficial-do-CRB
Hino oficial do CRB.

As décadas seguintes são marcadas por mais títulos e conquistas importantes. Em 1993, o Galo venceu a Seletiva de Acesso à Série “B” de 1994. Em uma competição disputada com as equipes do Estado da Paraíba, o CRB foi o vencedor, conquistando o direito de representar Alagoas na segunda divisão do futebol nacional. Além disso, em 1994, a equipe alvirrubra chegou a final da Copa do Nordeste, sendo derrotado nas penalidades.

A chegada dos anos 2000 parecia ser promissora para o Galo. As boas campanhas no campeonato brasileiro da série “B” e na Copa do Nordeste, além do título estadual de 2002, fez com que a imensa nação regatiana almejasse uma década prospera. Porém, a partir de 2003, o clube viveu no ostracismo, culminando no rebaixamento à série “C” em 2008 e no jejum de títulos estaduais, que perdurou até o ano de 2012, quando conquistou o título no ano do seu centenário.

490px-CRB_logoAo longo desses 103 anos de história, o CRB tornou-se a principal entidade esportiva do Estado. Desde 2011, o clube passa por um processo de reestruturação física e financeira, lhe custando a venda de todo o seu patrimônio. Porém, sem perder tempo, iniciou a construção de um moderníssimo Centro de Treinamento instalado na cidade de São Miguel dos Campos. Uma nova sede foi adquirida, localizada no bairro do Jaraguá, além do equilíbrio nas contas.

Toda essa reorganização influenciou diretamente dentro de campo. O CRB chegou a quatro finais nos últimos quatros estaduais disputados, conseguindo três conquistas. Nas arquibancadas, o exigente e apaixonado torcedor regatiano é uma marca registrada. Portanto, o Clube de Regatas Brasil chega a mais um aniversário trilhando bons caminhos e ainda mais revigorado, com boas perspectivas para os próximos anos, seguindo a lógica do seu hino, escrito pelo saudoso Jaime de Altavila: “E o futuro esperaremos, alegres, firmes e de pé”.

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Como citar

SOUZA, Adriano Lopes de. Clube de Regatas Brasil, é a paixão de todos nós!. Ludopédio, São Paulo, v. 76, n. 9, 2015.
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