No último texto são paulino, Lucas Carmo escreveu sobre a tempestade que estávamos vivendo e que a troca de liderança nos mostrava um caminho com mais tempestades. Três semanas depois e vemos que ele tinha razão, havia uma tempestade gigante no caminho. Porém, nesse momento tínhamos uma liderança mais experiente e calma, que pode nos conduzir aos trancos e barrancos por essa imensa tempestade que vivemos nesse primeiro mês de Dorival.

Dorival mostrou o que nós sentíamos do São Paulo de Ceni. O time era mal escalado. O São Paulo tem jogadores de alto nível e Cotia sempre nos ajudará com atletas talentosos para nos manter fortes. A teimosia de Ceni com alguns jogadores o deixou cego para a capacidade de cada um de nos entregar vitórias. Dorival, com a cabeça limpa, chegou no clube, deu oportunidades a muitos atletas e conseguimos ver alguns jogadores que não estavam jogando produzindo melhor que todas as outras opções que haviam passado no time de Ceni.

Beraldo vem sendo uma excelente surpresa, com altas habilidades de cobertura e desarme e uma saída de jogo fora de série, fazendo uma das melhores duplas de zaga do país com Arboleda. Isso nos faz questionar sua permanência no clube com a janela europeia a abrir em alguns meses. Para mim, Beraldo é atualmente indispensável no elenco e deixá-lo sair agora seria ter mais um grande talento do clube com uma passagem curta no time titular.

O time ainda tem problemas de criatividade no meio de campo, mas já sentimos uma melhora nisso com Dorival, principalmente pelo ressurgimento de Gabriel Neves no clube e Nestor mais agressivo e com liberdade para jogar. Porém, a principal sensação de melhora no time é a de leveza para jogar. Os jogadores estão mais criativos e com menos medo de errar.

Dorival Júnior
Fonte: twitter São Paulo

Ser treinador é gerir uma equipe de 40 a 50 pessoas. Manter um grupo desse tamanho caminhando em uma direção exige uma alta habilidade social. Todos tem que entender sua função e fazer sua força como der para frente. Quando você não consegue gerir essas pessoas, algumas começam a fazer força contrária e a desacelerar sua equipe.

Uma parte dessa equipe que falta aparecer para ajudar é a área médica do São Paulo. São muitos jogadores lesionados que demoram para retornar. Estamos escassos em algumas posições e isso se deve ao péssimo planejamento da diretoria de futebol, alinhado com a péssima recuperação de atletas que faz o departamento médico. O treinador e os jogadores podem realizar trabalhos fenomenais que não deixem o fracasso externo do São Paulo aparecer, mas o torcedor vê e sabe. Essas duas áreas precisam de uma reformulação completa urgente.

Dorival, dentro do seu alcance, conseguiu dar confiança a todos seus tripulantes e eles fizeram o São Paulo atravessar muito bem sobre essa tempestade que não conseguíamos sair há tempos. Entretanto, não chegamos no objetivo e a previsão é de muitas tempestades no caminho ainda. A pressão no São Paulo sempre vai ser de ser campeão todo ano e a vaga na Libertadores é crucial.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Ludopédio.
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Vitor Freire

Mestre em Educação Física na FEF-UNICAMP, amante de Esportes, são Paulino desde sempre.@vitordfreire@camisa012

Como citar

FREIRE, Vitor. Diário de Bordo do Morumbi. Ludopédio, São Paulo, v. 167, n. 27, 2023.
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