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Futebol de Controle (II): plastificação de competições e federações

Fabio Perina 16 de junho de 2022

Nessa nova série busco aprofundar algumas reflexões preliminares antes esboçadas no texto “Futebol de Controle” (inspirado no conceito “Sociedade de Controle” de Deleuze) que sintetizava a década de 2010 pela arenização dos estádios como uma ampla reforma dentro e fora de campo para tentar tornar o futebol um suposto “produto perfeito” isento de polêmicas e imprevistos. Como principais fontes, usarei uma mistura de artigos acadêmicos e não-acadêmicos junto de vários casos concretos para buscar evitar teorizações muito densas. Além disso, se o conceito geral foi formulado durante a ascensão do neoliberalismo, buscarei uma modesta contribuição de como situar o futebol atualmente diante de seu declínio.

“O que machuca é ver a taça que “conquistamos” com nosso time ser dada no teatro de terno onde nem estaremos. O que nos machuca é a entrada dos dois times com uma música que tenta ofuscar meu grito.(…) Tira esse hino! Você tem que ser muito desrespeitoso com a pátria para fazer milhares de pessoas com enorme expectativa em algo receberem seu time e segundos depois terem que parar uma festa para ouvir um hino de mãos no peito. Não é o momento. Não tem ambiente. É um pedido pra que ele seja desrespeitado.”

A plastificação (ou “futebol plástico”) pode ser definida como a reforma gerencial de clubes, federações, torneios e ligas para deixarem de ser apenas organizadores do esporte passando a ser sobretudo investidores do entretenimento. Os exemplos recentes abundam em todos os escalões da estrutura do futebol acima citada e nas escalas espaciais: de estaduais a nacionais, continentais e mundiais. Uma flexibilização que tem como sinônimo transformar o futebol de ritual e cultura com seu arrebatamento para passar a ser algo que literalmente um plástico é: descartável, artificial e “sem sabor”. Algumas dessas evidências: padronização de direitos de transmissão, regras de publicidade e evidentemente de arenas multiuso e seus dispositivos de segurança minuciosos.

Sem perder de vista a dimensão do dentro de campo com o fora de campo, o que também pode ser pensado como um detalhe muito incômodo (dentre tantos mais) dessa plastificação é um certo protocolo que pode ser notado no padrão FIFA de megaeventos e cada vez mais copiado pelos torneios de clubes. O que consiste na tentativa de simular um convívio artificial supostamente pacifico e ordeiro, ao obrigar que jogadores entrem em campo lado a lado e seja cada vez mais comum que torcedores se misturem pelas arenas sem terem setores específicos. Ambos em comum suprimem o elemento rivalidade de um Jogo. Além de se relacionar com o controle de mídia, pois sugere que a federação-empresa e seus patrocinadores possuem a capacidade de selecionar apenas s imagens mais desejadas para sua ampla difusão, deixando inúmeras situações reais de fora. (Obs: assim como a sutil crítica que há diante da tradicional, embora estúpida, ideia de tocar o hino nacional justamente na apoteose de gritos das torcidas para receber os times, o que acaba por abafá-las). O desabafo acima de abertura desse texto enumera vários desconfortos analisados ao longo dele (assim como se relacionam com a leifertização analisada no texto anterior, no qual também adiantei a escala espacial mundial pelos megaeventos da FIFA vide rumores da expansão de participantes da Copa do Mundo e do Mundial de Clubes). Vejamos a seguir alguns casos dessas escalas de como isso se manifesta:

“O domingo da final dos estaduais é aquela fissura de tempo em que todos esquecemos do calendário apertado e dos estádios precários.(…) Porque as capitais não são ilhas, em algum momento o asfalto vira chão batido e o futebol brasileiro, por mais assustador que possa parecer para quem torce pelo calendário, não se resume a doze clubes, como fica evidente a cada domingo em que o pampa vira sertão, todos os pontos cardeais se unem para sentir a terra em transe”.

É nessa esteira que entram discursos como do atraso dos estaduais e do calendário brasileiro que impedem os grandes clubes nacionais de terem uma projeção internacional e virem a ser ‘marcas globais’. Os estaduais são a nossa ‘jabuticaba’, ou seja, coisas que só existem no Brasil. Os clubes pequenos e médios padecem do ocaso da sua função esportiva de ‘celeiro de craques’ não ser mais tão relevante diante da situação vulnerável que se encontram com jovens talentos na mira de grandes empresários cada vez mais cedo diante de um mercado de transferências pouco regulamentado. Mesmo assim esses clubes ainda desempenham grande função social através dos estaduais por ser o sustento de inúmeras famílias de jogadores e funcionários. Além da primeira experiência real e não midiatizada com futebol por muitos jovens torcedores em cidades pequenas e médias.

Contra os estaduais, há o discurso que tanto fala dos obstáculos federativos ao apresentá-los como “feudos” de poder avessos à modernidade. Porém não é tão simples desconsiderar os obstáculos geográficos por ser o Brasil o único país continental do primeiro mundo do futebol. Forjar uma pauta única da adequação ao calendário europeu (de agosto a maio) para os clubes grandes negligencia que o real problema de muitos clubes médios e pequenos é o calendário intermitente. (Obs: Vide ainda ser surreal fora de campo que ao fim dos estaduais mais de 10 mil trabalhadores da bola subitamente ficam sem emprego. E isso sequer vira notícia, ao contrário se ocorresse em qualquer indústria ou setor de serviços da economia geral). Surreal também dentro de campo que depois de tanto “crucificarem” os estaduais eles não somente resistiram à pandemia como até mesmo encontraram uma brecha a ser parcialmente revalorizados. Pois diante de tantos clubes grandes rebaixados no Brasileirão acabam sendo o único encontro previsível do ano de algum grande clássico (exceto em SP e CE, vide RS, PR, RJ, MG, BA e até PE). Afinal, mais uma vez fica a lição que o que sustenta o futebol no seu dia-a-dia são as rivalidades regionais ao invés desse fetiche da mídia “leifertizada” de clubes brasileiros se profissionalizarem para evoluírem a “marcas globais”. O que somente seria possível com um afunilamento dos grandes clubes passando a ser gigantes privilegiados conforme o critério financeiro atropelando as tradições dos demais (“já nem tão grandes assim…”). Vide o recente fragmento a seguir, que contrasta em meia década com o anterior, em que vários arrependidos precisaram “dar o braço a torcer” e revalorizar (ainda que parcialmente) os estaduais:

“Esqueçam, os Estaduais são um barato! Mas antes de começarem muita gente tenta desmoralizá-los. Alguns dirigentes ameaçam entrar com os reservas e até com os meninos da base, os treinadores avisam que vão usá-los para experiências e os ‘’especialistas” dizem que esses campeonatos são um estorvo para o calendário. A imprensa vem fazendo campanhas agressivas para que eles sejam extintos, mas o que se viu foi um show dos torcedores, vibrantes, coloridos e, melhor, saudáveis.” 

Bahia
Partida entre Esporte Clube Bahia e Jacobina Esporte Clube, pelo Campeonato Baiano de Futebol de 2017. Fonte: Wikipédia

Próxima escala: a eterna e cotidiana discussão entre formato de disputa dos torneios (sobretudo nacionais) entre mata-mata x pontos corridos se insere nessas premissas. O discurso leifertizado contra o “patrimonialismo” das federações também emerge nos apelos para que os clubes rompam com elas e criem ligas autogeridas que permitam os gestores profissionais tomarem o protagonismo dos “cartolas”, embora aqui não tratarei dessa dimensão. Atualmente o jornalismo esportivo “leifertizado” tende a defender os pontos corridos para copiar tudo que vem das maiores ligas nacionais europeias, e junto os supostos argumentos de ‘gestão’. Com os pontos corridos dominando as pautas a cada semana, é como se ele fosse aos poucos dominando toda a temporalidade e também a visão que se tem do Jogo. Ora, arrisco a hipótese que os defensores dos pontos corridos parecem ter afinidade por olhar uma partida quase que somente pelas estatísticas dos fundamentos técnicos e representações táticas mirabolantes que recheiam os programas esportivos “leifertizados” o tempo todo. São os que nos passam a pretensão que o futebol possa ser facilmente mensurável (e que isso já bastasse).

Assim como há a evidência cotidiana da mentalidade dos pontos corridos de prioridade aos critérios financeiros mesmo dentro de uma competição com definição de campeão em mata-mata. É o caso da representação da Copa do Brasil ser tratada de forma quase fetichizada ao dar tanta ênfase em suas premiações. (Obs: sobre a escala anterior, é o caso do Campeonato Paulista atualmente legitimado como “o único estadual rentável”). Fazendo o torneio nacional perder seu tradicional mote de prioridade aos critérios esportivos: “o caminho mais curto (e mais “democrático”) para a Libertadores”. (Obs: um fenômeno generalizado diante da nova postura das federações vide também a Copa Argentina com seu recente marketing peculiar de logo após cada partida entregar um “cheque” de papelão à equipe vencedora para posar para a foto oficial!) Ou seja, uma intensa disputa de subjetividades do esporte para o entretenimento. “A ideia de que “quem é rico assim é porque merece” forma a base de nossas estruturas psíquicas. O capitalismo não é apenas um sistema econômico, ele é formador de sujeitos e personalidades. Acreditar nessa ficção de meritocracia ajuda a manter o sistema do jeito que está.”

Noto, desde 2003 com o início dos pontos corridos, que nas grandes vitorias e derrotas dos clubes em cada temporada no Campeonato Brasileiro tem ficado cada vez mais comum também uma mentalidade nas explicações que quem ganha e quem perde é só um: o ‘planejamento’ (ou sobretudo a falta dele). Isto é, há uma falta de heróis e vilões nas grandes narrativas dos grandes acontecimentos. Algo que a crônica esportiva sempre se apoiou, porém busca levantar ressalvas como se dissesse implicitamente que não se pode incitar o imediatismo através de avaliações precipitadas nem explosões passionais. Muito irônico que se o esporte moderno em geral sempre se atraiu pela imprevisibilidade, já no esporte pós-moderno as ligas mais rentáveis são as de conquistas mais previsíveis! Vide a Champions League e os campeonatos nacionais de Espanha e Itália e sobretudo de França e Alemanha diante do monopólio de 1 clube ou no máximo 2. Justamente pelo seu público consumidor se interessar mais pelo entretenimento e mais pela quebra de recordes (vide a individualização da “geração Messi x CR7”) do que pela superação épica coletiva. O que é um forte argumento nacional contra a importação do modelo de ligas europeias. Afinal a era dos Brasileirões até antes de 2003 tem a seu favor um grande mérito da maior rotatividade de campeões e até mesmo nunca ter repetido uma final.

“O campeonato de pontos corridos não produz nada além de uma ilusão que coloca os times em igualdade de condições. Todos jogam o mesmo número de partidas, dentro e fora de casa. (…) Também não produz ídolos e heróis para o futebol brasileiro.(…) Nos pontos corridos tudo está sempre em seus devidos lugares. Temos muitos jogos e poucas partidas memoráveis”.

Certamente há um ‘ponto cego’ nesse debate que quase ninguém nota. Vendo friamente, os pontos corridos não impedem que ocorram polêmicas e causos inusitados. Afinal há a constatação estatística óbvia que com mais partidas são mais oportunidades disso surgir. Mas para além desse óbvio é preciso notar que se no mata-mata esses elementos profundos de Jogo (arrebatamento/imprevisível) estão no centro, já nos pontos corridos acabam deslocados às margens. Vide também que os pontos corridos em sua reta final ao ficarem reféns da combinação de resultados simultâneos não se importam com a monotonia de entregar uma taça num salão de eventos e com jogadores de terno! Como de fato ocorreu em várias edições do Campeonato Brasileiro. Além do atrito ocorrido nas tabelas de 2009 e 2010 na qual alguns clubes escalaram reservas para prejudicar seus rivais na disputa pelo título, o que levou a um remendo paliativo nas tabelas de 2011 e 2012 de concentrar os clássicos nas últimas rodadas. Assim como o recente absurdo, como nos anos 2018 e 2019, das vendas de mando de campo, gerando que na prática uma inversão em favor do clube visitante por poder convocar mais torcedores que o mandante. E o que poucos se lembram que dessa forma se viola o suposto equilíbrio do campeonato, pois gera a possível vantagem de chegar nas rodadas finais jogando contra algum clube já de férias do que contra algum que dispute algo importante (o que algum tempo atrás foi ironizado por cronistas como a “zona da pasmaceira”). Em suma, ser a favor dos pontos corridos alegando equilíbrio e justiça implicaria adotar uma visão bastante superficial e incompleta desses valores.

“O futebol corre o risco de ficar à mercê de um processo análogo a NBAzação. Isto é, desassociar identidades do futebol afeta as suas raízes antológicas e os significados da própria celebração. Transformar o futebol em uma celeuma lucrativa, em uma fonte de investimentos bilionários, é promover o apagamento da cultura popular”.

Sobre a escala dos clubes em seu formato jurídico na qual esse conceito se desdobra, o grupo Red Bull e o grupo City emergem como modelos dessa atual tendência de formação de franquias em diversos continentes. A argumentação das próprias franquias é que pretendem padronizar um estilo de jogo para melhorar o ‘entretenimento’, embora também pretendem criar carteis privilegiados de transferências de jogadores que contornem multas rescisórias. O primeiro se notabiliza por “aposentar” cores e até nomes tradicionais dos antigos clubes nesse fetiche de padronização de uma “marca global”. Sobre o caso do Red Bull paulista, o autor a seguir é corajoso nesse e em diversos textos ao ir na contracorrente dos discursos dominantes afirmando que a empresa na verdade não é um tremendo caso de sucesso como se alega. Mas somente se apoiou no clube já existente, vide em 2019 a brecha federativa encontrada para se mudar de Campinas para Bragança que não foi acompanhada de tremendo desempenho esportivo diante do recente rebaixamento precoce da ‘filial’ da série A2 para A3 do Campeonato Paulista. Já o segundo grupo parece menos agressivo nesse aspecto simbólico, porém no aspecto prático retoma a velha lição que o capitalismo não conhece nem respeita fronteiras em sua expansão infinita ao buscar entrar em todos os continentes e sobretudo em mercados consumidores populosos, porém de baixa tradição futebolística como Estados Unidos, Japão, China e até Índia.

Red Bull Leipzig
Centro de Treinamento do Red Bull Leipzig. Fonte: Wikipédia

O “pulo do gato” dessas aquisições milionárias é que o mundo árabe em geral despertou para o papel estratégico de investir no futebol europeu, aproveitando o capital simbólico de sua tradição esportiva, para criar uma “cortina de fumaça” e limpar sua imagem associada a tantos crimes contra direitos humanos, terrorismo, trabalho análogo à escravidão, etc. É o assim chamado “sportswashing”. Menos mal que o “futebol de controle” não pode vencer sempre. Ao começar que dentro de campo nem o City e nem o PSG foram campeões continentais conforme tanto prometem. Dois dos casos mais emblemáticos, embora o continente esteja cada vez mais infiltrado por esse perfil de investimentos: desde meros patrocínios a até as contundentes compras de clubes, conforme mais elementos desse cenário no texto a seguir

Ora, ao se falar em torneios plastificados, não podem deixar de falar dos vários amistosos, pré-temporadas e torneios de clubes e seleções sendo deslocados a regiões aleatórias como sudeste asiático, Estados Unidos e Oriente Médio. Deixando um esboço do panorama continental latino-americano, o fato do México estar tão próximo e dependente da economia em geral dos Estados Unidos faz com que sua Liga MX seja uma das mais influenciadas pelo modelo de franquia itinerante, vide o absurdo de remoções forçadas de clubes tradicionais para cidades distantes. Aliás vale mencionar que em vários países da América Latina se trocou o nome dos campeonatos do tradicional modelo “Apertura/Clausura” para um novo cenário com algumas ligas rebatizadas para patrocínios turbinados que tendem a se apresentar apenas por siglas (como na Argentina e na Colômbia por exemplo) como uma espécie de “branding” para evocar ainda mais uma fachada de modernidade! Embora os resultados concreto de eficácia dessas empresas esportivas tenha deixado muito a desejar.

Mais casos: os recentes convites da Conmebol para o Catar participar da Copa América de 2019 e 2021, a Copa América de 2016 com edição extra nos Estados Unidos e sobretudo a final única da Libertadores copiando a Champions League. São algumas das inúmeras provas de como entidade com sua nova fachada empresarial (ironicamente chamada de “Nueva Conmebol”) desconhece os obstáculos logísticos do próprio continente e com isso sacrifica o torcedor em nome do consumidor-turista. O que fortalece a hipótese que as federações se tornaram uma empresa como outra qualquer, na qual possui como meta apenas o próprio lucro sem se importar com a qualidade do esporte ou com a saúde financeira de seus membros filiados.

Ora, as sempre constantes comparações com polarizações entre a Libertadores x Champions League (“raiz x nutella”) oferecem reflexões muito curiosas. Por volta de 2016-17, quando comecei a pensar nessa chave de leitura de um “futebol de controle”, a Libertadores tendia a apresentar acontecimentos dos mais imprevisíveis sobretudo com seus finalistas. Vide a final Atl. Nacional-COL x Ind. Del Valle-EQU. Os estereótipos de Champions como o controle e a Libertadores como o descontrole e o imprevisível chegaram a seu auge. (Obs: o que rendeu impactos na linguagem memeficada cotidiana como “não trate como Libertadores quem te trata como Champions League” ou “Acabou a diversão dos meninos a tarde e vai começar a dos homens a noite”). Mas desde então uma brusca inversão concentrou os finalistas apenas entre argentinos e sobretudo brasileiros. O que permite especular a coincidência que essa atual hierarquia de rendimento na Libertadores tenha a ver com a evidente questão financeira e, acrescento, também com a discreta questão das proibições generalizadas de materiais festivos pela maldita ‘nueva conmebol’. Pois os adversários ‘naturalmente’ mais fracos de países menores sequer jogam com essa força máxima fora de campo para impor como antes o “fator casa”. A inversão fica ainda mais surreal com os torneios europeus somando recentes resultados mais imprevisíveis e até mesmo insólitas invasões de campo. Vide na final da Eurocopa um ano atrás em Wembley e na final da Champions alguns dias atrás em Paris. O que obviamente fez “explodirem” os memes que a Champions pegou cara de Libertadores!O que acrescento que não deveria ser surpresa de uma realidade de fora que vem para dentro de campo diante de uma Europa “profunda” que emerge em um continente fraturado e a deriva pela ascensão do neofascismo e até mesmo da recente guerra Rússia x Ucrânia e o agravamento de tensões nos arredores. (Obs: e mais surreal ainda se for pensar que esses são fenômenos opostos à tentativa de criação de Superliga europeia de clubes cerca de um ano atrás, uma espécie de auto-golpe dos super-ricos alegando que a UEFA os “impede” de serem ainda mais ricos!) Falando em memes, embora com a inversão dessa gangorra de imprevisibilidade dentro de campo, fora de campo ainda há acontecimentos aleatórios insuperáveis e inimitáveis na Libertadores (e no futebol sul-americano em suas várias escalas em contraste com o europeu) como a queda de luz de refletores, gandulas e maqueiros atrapalhados, invasões de campo por cachorros ou outros animais, câmeras tremendo no instante do gol, etc.

Por fim, a tendência de federações como Conmebol, UEFA e FIFA tem sido por uma expansão “infinita” de participantes enquanto tentativas de ligas buscam a tendência extrema oposta do elitismo clubístico. Assim se dá a tendência geral da plastificação seja pelo APROFUNDAMENTO do neoliberalismo.

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Fabio Perina

Palmeirense. Graduado em Ciências Sociais e Educação Física. Ambas pela Unicamp. Nunca admiti ouvir que o futebol "é apenas um jogo sem importância". Sou contra pontos corridos, torcida única e árbitro de vídeo.

Como citar

PERINA, Fabio. Futebol de Controle (II): plastificação de competições e federações. Ludopédio, São Paulo, v. 156, n. 18, 2022.
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