Na última quarta-feira, dia 13, o São Paulo fez uma troca de treinadores, acordamos com o Crespo de treinador e fomos dormir com o Rogério Ceni. Para o torcedor, foi algo repentino e assustador. O São Paulo e seus torcedores prezam bastante pela elegância ao lidar com conflitos e essa ação do clube foi de uma grosseria tremenda. Porém, acredito que ela pode ter parecido mais grosseira vista de fora do que de dentro, afinal todo mundo saiu feliz.

O Crespo foi um treinador curioso à frente do São Paulo. Iniciamos com um futebol consistente e muita raça, elemento que não víamos há anos no São Paulo. Porém, após o título paulista, o time mudou completamente de postura. Houveram muitos desfalques durante o caminho, mas o time já não tinha a mesma gana de vencer. Acredito ser comum após uma conquista histórica e tão estressante (alguns meses após derrotas no Brasileiro), o time relaxar no momento. Todavia, é de responsabilidade do treinador manter todo mundo motivado e concentrado. Crespo não conseguiu…

Hernán Crespo
Hernán Crespo. Foto: Reprodução Twitter

Me remetendo a um antigo texto do “Um parque de diversões chamado São Paulo Futebol Clube”, eu vejo o São Paulo agora em um labirinto, onde estamos sendo guiados por dentro dele pelos nossos treinadores. Esse labirinto pro Crespo parecia um labirinto mágico, com confrontos incompreensíveis e fatores que atrapalhavam os seus comandados. O começo foi simples! Os que lideraram a tropa no caminho, colocaram a vida na saga e chegaram a um bom lugar, mas quando eles se cansaram e pararam de ser eficientes no confronto, restou ao líder agir de forma que a equipe continuasse em busca do objetivo.

Eu sou muito grato ao Crespo por ter tirado o nosso clube da fila e espero que ele tenha uma ótima carreira, mas ele vai ter que rever muito esse período pós título paulista no labirinto São Paulo. Ele foi um comandante completamente perdido, alterando tanto o time, que a gente não sabia mais que formação que a gente jogava. Será que o título paulista não foi um grande esforço dos jogadores, com méritos exagerados sendo colocado no Crespo? Pós Paulista jogamos no 442, no 433, no 451, no 352, no 343 e no 361, mas não jogamos bem em nenhum.

Quando não se tem identificação, o futebol te dá dicas que ali não é seu lugar, porque você pode jogar bem ou mal, que o resultado será de derrota (talvez ele não saiba que empate no São Paulo é derrota). Ele como comandante do São Paulo nesse labirinto encontrou monstros que não sabia lidar e foi sabotado pelo próprio grupo. Era uma alteração que tinha que vir, pois o Crespo não dava mostras de entender o São Paulo após o Paulista.

Porém, ela revoltou o torcedor, porque foi feita de maneira grosseira. Hoje, dois jogos e alguns dias depois, o São Paulino sabe que foi a melhor decisão a ser tomada. O labirinto foi tomado do Crespo e dado ao Rogério Ceni, que após ser contratado, teve 2 horas pra pensar no time e ir para o primeiro treino. Nessas 2 horas ele criou o esquema tático e a escalação, treinou e foi para os dois jogos com esse time. O time jogou infinitamente melhor, Liziero que vinha sendo um grande alvo de críticas minhas, jogou absolutamente bem, Igor Gomes que eu criticava por ser omisso, passou a ser protagonista. Tudo que o Crespo não conseguiu fazer em meses, mudando escalação e formação todo jogo, o Ceni fez em 2 horas. O labirinto mágico que era comandado pelo Crespo, sob comando de Rogério Ceni, virou um labirinto de papel, que ele mesmo sentou e resolveu e entregou pros jogadores.

Rogério Ceni
Foto: reprodução Premiere

Existem muitos críticos do treinador Rogério Ceni, mas não vamos esquecer que ele tem 4 trabalhos, no São Paulo foi injustiçado e no Cruzeiro foi mal, mas ele é uma pessoa extremamente importante para a elevação de patamar do Fortaleza e no Flamengo ganhou 3 títulos. Não podemos subestimar a importância da identificação no futebol, pois parece que o Morumbi escolhe quem tem que ter as rédeas do local. Além de que, não podemos negar o conforto que dá sabendo que quem tá a frente da equipe, é um cara que entende o clube como poucos. 

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Vitor Freire

Mestre em Educação Física na FEF-UNICAMP, amante de Esportes, são Paulino desde sempre. @vitordfreire @camisa012

Como citar

FREIRE, Vitor. O Labirinto do São Paulo. Ludopédio, São Paulo, v. 148, n. 38, 2021.
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