Na primeira parte do texto trouxe para o debate as tensões presentes na organização da Copa Rio de 1951. Abordei, desde o apoio da FIFA ao evento sem que isto representasse para a entidade máxima do futebol assumir a organização do torneio até as incertezas das equipes que participariam do evento.

Nesta segunda parte avanço em algumas tensões, principalmente, em relação ao debate de Mario Filho com outros veículos de imprensa que questionaram a organização da Copa Rio. Também apresento outros cronistas que escreveram sobre o assunto. Meu plano inicial era fazer dois textos sobre o assunto, mas devido ao volume de informações deixarei a análise da competição em si para um próximo texto. Aqui centro o debate vai até o dia de início oficial do torneio, dia 30 de junho de 1951.

Em meio ao clima de dúvidas quanto a participação dos clubes estrangeiros houve a confirmação do Nacional de Montevidéu. A confirmação da participação do clube uruguaio foi feita somente após a CBD firmar o compromisso de adiantar a cota de participação no torneio. Também havia a indicação do convite do campeão francês, o Nice, para substituir o representante espanhol[1]. A crítica da reportagem de Albert Laurence buscava na Copa de 1950 o motivo pela desistência de uma equipe espanhola no torneio. Para Laurence, a derrota dos espanhóis por 6 a 1 para o Brasil era um indicativo da desistência: [a Espanha] “não quer vir ao Rio sem a certeza de representar um grande papel; não quer vir disputar um Torneio internacional sem a quase certeza de vencê-lo. Infelizmente é a manifestação de uma estado de espírito exatamente oposto à grande e nobre idéia do ‘Sport’”.

Em outro texto, publicado um dia depois do texto de Laurence, Geraldo Romualdo da Silva questionava a denominação do campeonato diante das desistências dos ingleses (Newcastle, campeão da Copa Inglesa) e do Barcelona (campeão da Copa Generalíssimo) e que poderiam ser substituídos por um clube alemão, o Roteweis; da presença confirmada de um clube austríaco e do Estrela Vermelha. Seu questionamento acertava a lógica que mobilizou toda a organização do Torneio dos Campeões. Para ele, “O Torneio dos Campeões, agora transformado um pouco melancolicamente em campeonato Internacional de Clubes (campeões e também não campeões), estará desfalcado de duas das maiores atrações europeias”[2].

Apontava, também, que Ottorino Barassi havia feito o que podia para trazer as equipes europeias. Seu trabalho isolado era visto como uma das dificuldades das relações exteriores da Confederação Brasileira de Desportos em trazer os clubes, especialmente, da Europa na competição. Havia, no entanto, uma ponderação nesta intervenção diplomática. Ela, de fato, não havia sido feita em relação ao convite do clube inglês Newcastle e esse era um dos motivos pela ausência dos ingleses na competição. Por outro lado, houve essa ação diplomática no convite ao Barcelona. Por meio do embaixador Casa Rojas foi feito o convite sendo recusado por uma desculpa para não aceitarem-no[3].

Mario Filho saiu em defesa do Campeonato Mundial de Clubes Campeões. Seu texto tinha como intenção esclarecer que o campeonato continuava com o seu caráter de origem e que a declaração do presidente da CBD referente ao trabalho que a organização do campeonato havia gerado não significava que não iriam organizá-lo no futuro. Segundo ele, apenas mudariam o modo da seleção das equipes que deixariam de ser os campeões para serem escolhidos pela organização.

Além disso, também procurava esclarecer o motivo da ausência dos clube inglês e espanhol. Para Mario Filho, o Tottenham era um outsider para figurar entre os campeões. Por essa condição já havia assumido compromissos de amistosos. O mesmo aconteceu com o Newcastle que já havia agendado uma excursão e ainda somava-se a isso um problema de ordem financeira: “no período de férias um clube inglês só pode pagar aos seus jogadores doze libras mensais, menos duas libras do que num campeonato. Para um clube inglês a disputa da ‘Copa Rio’ seria uma grande oportunidade de arrecadações excepcionais. Mas para o jogador, não, pelo contrário”[4]. A justificativa para a ausência da Espanha vinha da derrota para o Brasil na Copa de 1950:

[…] a significação da ‘Copa Rio’, só é comparável à disputa da Taça Jules Rimet. E foi precisamente a significação da ‘Copa Rio’ que afugentou os espanhóis. Primeiro o campeão da Espanha, o Atlético de Madri, depois o vencedor da Copa Generalissimo Franco, o Barcelona. A vitória da Portuguesa sobre o Atlético Madri em Madri convenceu inteiramente os espanhóis da superioridade do football brasileiro. De tal forma que para os espanhóis a ‘Copa Rio’ seria apenas uma oportunidade brasileira, para reeditar, contra a Espanha, a goleada do campeonato do mundo[5].

E finalizava o seu texto com um tom de otimismo e entusiasmo em relação ao evento que era um dos principais atores da organização:

Pode aproveitar aos brasileiros numa outra oportunidade quase tão grande quanto a disputa da Taça Jules Rimet. É um outro campeonato do mundo com a vantagem do maior equilíbrio. Em que cada concorrente contará com a força do conjunto. Do entendimento perfeito entre as linhas, o ideal perseguido por todos os scratches e raramente alcançado. A ‘Copa Rio’ tem seu êxito mais do que assegurado. Um êxito que poucos podem prever em toda a sua extensão, como se deu no campeonato do mundo, cujo sucesso surpreendeu a FIFA, a C.B.D. e cada uma das federações concorrentes. Se não vem o Tottenham vem o Austria que o derrotou em Londres. Se não vem o Atlético ou o Barcelona vem o Nice com a grande atração Yeso, com um football que não podemos [pudemos] conhecer no campeonato do mundo. E vem a Itália, e vem Portugal, e vem a Iugoslávia, e vem o Uruguai. Não se pode pedir mais para o início da ‘Copa Rio’ que se concretisa dentro do plano original. Para a primeira disputa da ‘Copa Rio’ não se pensou em nenhum momento em mais de oito clubes, seis estrangeiros e dois brasileiros. É a emoção do campeonato do mundo que volta. E o Brasil será mais uma vez foco da atenção do football mundial. De todas as plateias do football mundial[6].

Em meio as desistências já mencionadas e faltando poucos dias para o início da competição houve a confirmação da participação italiana. Ottorino Barassi comunicou que o Milan não viria ao Brasil porque o campeão italiano tinha que cumprir o contrato com os jogadores e conceder férias ao final da temporada. Como não queriam disputar o torneio com uma equipe desfalcada o escolhido foi o Juventus de Turim. Estavam oficialmente confirmados o Estrela Vermelha (Iugoslávia), Nice (França), Austria FC (Áustria), Nacional (Uruguai), Sporting (Portugal), além dos brasileiros Palmeiras e Vasco[7].

A presença do Juventus era um desejo do seu presidente da época, o sr. Agneli, apresentado como um jovem de 30 anos e fundador da empresa automobilísticas FIAT. A família Agneli possui uma conexão histórica com o Juventus de Turim. Agneli procurava justificar que o seu clube era o campeão de 1950 tal qual Palmeiras e Nacional do Uruguai e o Milan, que havia desistido era de 1951[8]. A questão para essa diferença era o reflexo dos calendários diferentes entre a América do Sul e a Europa. Enquanto na Europa os campeonatos começam no segundo semestre de um ano e terminam no primeiro do ano seguinte na América do Sul os campeonatos, em sua maioria, tem início e fim no mesmo ano.

Um texto do Mario Filho expunha os conflitos que a organização do Torneio Mundial de Clubes Campeões havia gerado. Até aqui é possível dizer que tal desconfiança por parte de alguns se deu, especialmente, pela desistência de alguns clubes. Por outro lado, o lugar que Mario Filho ocupava não somente na crônica esportiva, mas também no futebol brasileiro gerava, por consequência, uma série de críticas por parte de outros jornalistas. O que talvez mais incomodasse os demais jornalistas, isso em minha leitura atual, era o fato de haver um conflito de interesses por parte de Mario Filho na defesa da competição. Afinal, ele era um dos organizadores e tinha um jornal especializado em esportes a seu lado para fazer a campanha a favor da competição. Será que Mario Filho criticaria a própria competição que se empenhava em organizar?

Reproduzo na íntegra a resposta direcionada a um cronista que havia criticado a competição. Infelizmente Mario Filho não mencionou o nome do jornalista e do jornal em que fora publicada a matéria. Segue a sua resposta:

Um jornal publicou que o mundial de clubes não ia ser mais mundial de clubes e sim “Copa Rio” e outro jornal que o campeonato dos campeões só ia ter mesmo dois campeões na hora de somar errado somou três: o Sporting, o Nacional e o Nice que era campeão da França, como o jornal em questão se sentiu na obrigação de confessar. O Vasco e o Palmeiras, porém, não eram campeões. Quer dizer: campeões brasileiros, é o que se pode subentender, embora o jornal em questão tenha apenas publicado que no Brasil não há o título supremo. Para não aparecer contra o Vasco ou o Palmeiras o jornal em questão se apressou a ressalvar que o football brasileiro estava bem representado. O Vasco e o Palmeiras eram expressões do football brasileiro: mas não campeões. O Estrela Vermelha não era campeão e o Austria não era campeão. O jornal em questão não disfarça o que pretende. Aliás não é o jornal em questão: é um cronista que não assinou a nota, que fez do jornal em questão catapulta para jogar uma pedra no mundial de clubes. Como o cronista do outro jornal, do que disse que o mundial de clubes não era mais mundial de clubes, que o mundial de clubes tinha passado a ser “Copa Rio”. E o mais curioso é que o cronista que descobriu isso apresente como prova da desvalorização da “Copa Rio” o fato de a C.B.D. chamar o mundial de clubes de “Copa Rio”. Vai ser disputada a “Copa Rio” – é o que diz a C.B.D. confessando, segundo o tal cronista, o fracasso do mundial de clubes. Por aí se vê que o tal cronista só agora tomou conhecimento de que se vai realizar um mundial de clubes no Brasil. Tanto que para ele é novidade esse nome de “Copa Rio” que foi o nome que se deu logo de inicio à disputa do mundial de clubes. O campeonato do mundo de football é Taça Jules Rimet. O campeonato mundial de clubes é “Copa Rio”. Só que o campeonato mundial de football já foi “Coupe du Monde” e o campeonato mundial de clubes nunca deixou de ser “Copa Rio”. “Copa Rio” é o nome da taça. Sempre se chamou o mundial de clubes de “Copa Rio” e “Copa Rio” de mundial de clubes[9].

As chaves do torneio foram divulgadas uma semana antes do seu início. Ficou assim dividido: no Rio de Janeiro o grupo foi formado por Vasco, Sporting, Nacional e Austria; em São Paulo ficaram Palmeiras, Juventus, Nice e Estrela Vermelha[10].

A pergunta que fiz alguns parágrafos acima sobre o posicionamento de Mario Filho em ressaltar a Copa Rio enquanto campeonato mundial fato que implicaria em sua defesa e não em ataque a competição que era um dos organizadores foi o tema de um dos seus textos antes do início da competição. Mario Filho justifica que mesmo sendo ideia dele ele não aceitaria “qualquer ‘Copa Rio’” e é enfático ao ressaltar que queria outro campeonato mundial no país. O Maracanã, construído para a Copa do Mundo de 1950, representava uma Nova Era para o futebol brasileiro. Encontrou em Barassi o apoio fundamental para a sua concretização. A dimensão financeira está presente no futebol há muito tempo. Mesmo na década de 1950 quando é frequente ouvir que havia mais amor por parte dos protagonistas do futebol é no mínimo questionável. A relação do apoio do Barassi também era movida pelos interesses financeiros, afinal, conforme afirma Mario Filho, em sua conversa com o dirigente italiano: “Eu me antecipei com a ideia do mundial de clubes. Encontrei um aliado em Ottorino Barassi, que via o Estádio [Maracanã] quase que com os meus olhos. Quando apresentei a ideia do mundial de clubes, antes de dizer sim ou não, Ottorino Barassi me perguntou quanto eu achava que ia render o campeonato do mundo. Quarenta milhões, respondi, e ele me apertou a mão. A C.B.D. tinha feito o cálculo de vinte milhões”[11].

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Destaque do Maracanã feito pelo Jornal dos Sports.

Interessante pensar que a defesa de Mario Filho pela construção do Maracanã para colocar o futebol brasileiro em outro patamar tenha vindo com críticas sobre a sua utilização. Claro, não quero com isso traçar um relação direta com a construção dos estádios para a Copa de 2014, até porque para este último evento foram construídas arena em locais que utilizam em que não há uma grande presença de público em seus campeonatos locais gerando um problema de manutenção dos mesmo. É outra época, outras lógicas. O que não se pode negar é que em ambos havia um projeto de transformação do futebol por trás das construções. As arenas atuais tem um projeto de mudança do perfil do torcedor de antes para o consumidor de hoje, como muito bem pontuou Arlei Damo sem seu recente texto neste espaço.

Sobre a ideia original do mundial de clubes ressalta que houve mudanças:

A ideia original era de um mundial de clubes para ser disputado um ano, o primeiro, no Rio, outro ano em qualquer das capitais do football. O êxito do campeonato do mundo modificou a idéia original do rodízio: daí a ‘Copa Rio’. Os europeus reconheceram o Rio como a capital do football mundial. A idéia do mundial de clubes só se tornava possível de realizar, sempre, no Brasil. Por causa do Estadio Municipal. O campeonato do mundo foi uma antecipação da Nova Era que ia inaugurar para o football brasileiro. A ‘Copa Rio’ é a prova da realidade dessa Nova Era. É o que temos de saudar na ‘Copa Rio’[12].

Seguindo a lógica da qual Mario Filho queria ressaltar a respeito das mudanças pelas quais passava o futebol brasileiro começavam a se materializar. Ter, um ano após a Copa do Mundo, um campeonato mundial de clubes era a chance de colocar o futebol brasileiro em uma Nova Era. Esta nova etapa poderia ser vista na ação da Federação Uruguaia que decidiu pela suspensão das partidas do campeonato nacional durante o período de um mês correspondente a duração da Copa Rio[13]. Tal medida, sem dúvida, ressaltava o peso da iniciativa de Mario Filho em organizar tal competição.

Mario Filho, no entanto, continuava em suas crônicas a justificar a qualidade dos clubes que estavam confirmados para o Torneio. Segundo suas palavras o Juventus havia sido indicado pela Federação Italiana e era o campeão de 1950; o Austria era o campeão austríaco de 1951 e o Estrela Vermelha era tricampeão da Taça da Iugoslávia (1948-1949-1950). Para além destes títulos justificava a presença do Estrela Vermelha como forma de reviver o duelo realizado na Copa do Mundo entre Brasil e Iugoslávia pelo fato de que a base da seleção vinha deste clube[14].

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Seu argumento voltava-se para ressaltar que um campeonato do mundo era muito mais do que uma ideia. Era viável apenas pela existência do estádio do Maracanã. Sem o estádio não haveria esta ideia. Assim justificava seus argumentos:

O mundial de clubes não é o milagre de uma idéia – no caso de uma minha -, é o milagre de um estádio – no caso do Estádio Municipal. Se não houvesse o Estádio Municipal eu não teria a ideia do mundial de clubes. Pensar num mundial de clubes sem o Estádio Municipal seria o mesmo que pensar na possibilidade de outra Taça Jules Rimet no Brasil já não digo para cincoenta e um, mas para cincoenta e quatro, quando normalmente se disputará outro campeonato do mundo[15].

Para Mario Filho, a construção do estádio representava um novo patamar para o futebol brasileiro. Isso o fazia prever que o torneio mundial de clubes seria sempre realizado no Brasil por entender que nenhum outro país possuía um estádio que pudesse receber uma competição de tal porte.

No dia 24 de junho de 1951, uma crônica de Everardo Lopes recuperava a história de um almoço entre Mario Filho, Barassi e Jules Rimet por ocasião da Copa do Mundo de 1950. Neste almoço Mario Filho apresentara a ideia do mundial de clubes, a qual Rimet teria ficado desconfiado, pensando que o interesse de Mario Filho era o de ser o empresário de tal competição. O título da crônica “O pai da criança” dava conta de outra dimensão da ação de Mario Filho: a de idealizador do torneio[16]. Esse posicionamento revelava uma certa tensão no ar, pois, conforme ressaltava Everardo Lopes não havia uma menção oficial como Mario Filho sendo o pai da ideia, mas aqui no Brasil havia a insistência em ressaltar esta posição a qual ele a aceitaria como sendo uma honra ao mérito.

Um artigo publicado no Estado de S. Paulo – não assinado – no mesmo dia do artigo do Everardo Lopes fazia uma crítica contundente ao campeonato que estava prestes a se iniciar. Sob o título “Nem mundial, nem dos campeões” fazia críticas diretas a organização do campeonato. A crítica começava na Copa do Mundo realizada em 1950. Apesar de ressaltar que havia sido importante para o Brasil e para o nosso futebol pontuava que foram inúmeros os problemas com o mercado paralelo de ingressos, falhas referentes as hospedagens e locomoção das delegações. E ia até chegar a Copa Rio que atrapalharia o calendário do futebol carioca e paulista, os únicos mencionados. O tom pessimista fecha o artigo conforme pode-se ver abaixo:

Realiza-se, pois o chamado ‘Torneio dos Campeões’, que talvez possa oferecer pelejas interessantes graças ao concurso dos quadros carioca, paulista, uruguaio e do austríaco, que, segundo se afirma é adversário de primeira ordem. É admissível, não obstante, o risco do malogro financeiro, pelos repetidos e faceis revezes de conjuntos europeus diante de adversarios brasileiros, em jogos realizados aqui e na Europa. Talvez haja exito economico apesar dos pesares. Mas, com ele ou sem ele, é aconselhável, além de honesto, que se mude a denominação do certame, mesmo porque, pelo simples exame da relação dos concorrentes, verifica-se que ele não é dos Campeões e muito menos Mundial…[17]

No dia em que a competição teve início Mario Filho voltou a escrever sobre o torneio. Nela ressaltava que se iniciaria no Brasil a “Outra Copa do Mundo”. Segundo Mario Filho:

A ‘Taça Jules Rimet’ obedece a um rodizio. Qualquer país pode pretender organizá-la e promovê-la. Um país grande, um país pequeno. Um país com grandes estádios e um país com pequenos estádios. A ‘Copa Rio’, não. Nenhuma exigência de filiação i internacional torna obrigatória a presença de um país no campeonato mundial de clubes. Como na ‘Taça Jules Rimet’. Mesmo com prejuízo. O que se garante na ‘Taça Jules Rimet’ a cada país concorrente é menos do que cada um deles é obrigado a gastar. Em cada campeonato do mundo a que compareceu o Brasil a C.B.D. perdeu dinheiro. Mais de seiscentos mil cruzeiros no campeonato do mundo realizado na França. A ‘Copa Rio’ não seria possível nessas bases[18].

Em seus argumentos, Mario Filho voltava a ressaltar a onipresença do Maracanã como condição da existência da competição e do investimento financeiro que a CBD se comprometeu a fazer como cota por cada partida aos participantes (200 mil cruzeiros). Continuava a defender a realização do campeonato e também trazia a justificativa financeira como sendo um elemento importante do mundial de clubes. Esse fato é interessante para romper uma visão saudosista de que o dinheiro não era um elemento importante na esfera do futebol. Pelo contrário, ele estava no centro da organização de competições de tal porte.

No próximo texto avançarei na competição em si e os debates apresentados pelos cronistas.


[1] Foram aceitas pela C.B.D. as condições do campeão uruguaio. Jornal dos Sports, 9 de junho de 1951, p. 1.

[2] DA SILVA, Geraldo Romulado. Os espanhóis ainda se lembra do fracasso da Furia. Jornal dos Sports, 10 de junho de 1951, p. 9.

[3] DA SILVA, Geraldo Romulado. Os espanhóis ainda se lembra do fracasso da Furia. Jornal dos Sports, 10 de junho de 1951, p. 9.

[4] Mario Filho. A “Copa Rio”, verdadeiro campeonato mundial de campeões. Jornal dos Sports, 12 de junho de 1951, p. 5.

[5] Mario Filho. A “Copa Rio”, verdadeiro campeonato mundial de campeões. Jornal dos Sports, 12 de junho de 1951, p. 5.

[6] Mario Filho. A “Copa Rio”, verdadeiro campeonato mundial de campeões. Jornal dos Sports, 12 de junho de 1951, p. 5. Este argumento também foi apresentado em outro texto escrito por Mario Filho. A ausencia de Inglaterra e Espanha não atingiu a “Copa Rio”. Jornal dos Sports, 13 de junho de 1951, p. 5.

[7] Confirmado: virá o Juventus. Jornal dos Sports, 14 de junho de 1951, p. 1.

[8] LAURENCE, Albert. Não perderão nada os espectadores do Torneio Mundial de Campeões com a troca do “Milan” pelo “Juventus”. Jornal dos Sports, 14 de junho de 1951, p. 5.

[9] MARIO FILHO. Duas notas sobre o mundial de clubes ou “Copa Rio”. Jornal dos Sports, 16 de junho de 1951, p. 5.

[10] Formadas as “chaves” da “Copa Rio”. Jornal dos Sports, 17 de junho de 1951, p. 6.

[11] MARIO FILHO. Acima da “Copa Rio” só o campeonato do mundo. Jornal dos Sports, 17 de junho de 1951, p. 11.

[12] MARIO FILHO. Acima da “Copa Rio” só o campeonato do mundo. Jornal dos Sports, 17 de junho de 1951, p. 11.

[13] Definitivamente: virá o Nacional! Jornal dos Sports, 19 de junho de 1951, p. 9.

[14] MARIO FILHO. Vamos sentir de novo as emoções do campeonato do mundo. Jornal dos Sports, 19 de junho de 1951, p. 5.

[15] MARIO FILHO. O que estará realmente em jogo na “Copa Rio”: um título de campeão do mundo. Jornal dos Sports, 22 de junho de 1951, p. 5.

[16] LOPES, Everardo. O pai da criança. Jornal dos Sports. 24 de junho de 1951, p. 8-9.

[17] Nem mundial, nem dos campeões. O Estado de S. Paulo, 24 de junho de 1951, p. 17.

[18] MARIO FILHO. A outra “Copa do Mundo”. Uma prova dos nove. Jornal dos Sports, 30 de junho de 1951, p. 5.

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Sérgio Settani Giglio

Professor da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Esporte e Humanidades (GEPEH). Integrante do Núcleo Interdisicplinar de Pesquisas sobre futebol e modalidades lúdicas (LUDENS/USP). É um dos editores do Ludopédio.

Como citar

GIGLIO, Sérgio Settani. O Palmeiras tem mundial? (parte 2). Ludopédio, São Paulo, v. 106, n. 9, 2018.
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