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Os grandes clubes do futebol colombiano: um pequeno almanaque

Eduardo de Souza Gomes 8 de junho de 2021

Nos últimos tempos, muito tenho sido perguntado sobre algumas curiosidades acerca do futebol colombiano, tema que pesquiso dentro de uma perspectiva histórica há mais de uma década. Uma das perguntas que mais realizam é: quais são os maiores clubes de futebol na Colômbia? Aqueles que são considerados “grandes”?

Desde já destaco que a definição daquilo que vamos entender como grandes ou não, pode variar bastante de acordo com os critérios adotados. Vários são os fatores e argumentos que consolidam um determinado padrão de grandeza para um determinado clube. Conquistas, torcida, grandes jogadores, ídolos marcantes, tradição histórica, consistência em competições importantes, entre outros, são alguns desses parâmetros que podem ser utilizados para uma possível reflexão.

Na Argentina, por exemplo, costumou-se chamar de “os cinco grandes” as equipes do Boca Juniors, River Plate, Independiente, Racing e San Lorenzo. Mas a seleção de apenas cinco equipes como “grandes”, desconsidera outras gigantes agremiações do país, como os outros clubes campeões da Copa Libertadores da América, que são Estudiantes (que venceu a competição por quatro vezes!), Vélez Sarsfield e Argentinos Juniors. Newell’s Old Boys, Rosário Central e Huracán são outras equipes que, historicamente, reivindicam um lugar entre os “grandes” na terra de los porteños.

No Brasil, a nomenclatura de “clube grande” passou a ser definida, historicamente, para 12 equipes: quatro do Rio de Janeiro (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama), quatro de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo), dois de Minas Gerais (Atlético Mineiro e Cruzeiro) e dois do Rio Grande do Sul (Grêmio e Internacional). Mas ao mesmo tempo, outras equipes passaram a demandar um lugar simbólico e de direito entre os “grandes” do país, como o Atlético Paranaense (que nas últimas duas décadas alcançou conquistas importantes a nível nacional e internacional, fora o fortalecimento de sua marca extracampo), Bahia (fundador do Clube dos 13 e primeiro campeão nacional em 1959), Coritiba, Sport, entre outros.

Como vemos, os critérios e reivindicações para o alcance dessa alcunha de “clube grande”, além de muito diverso, varia de local para local. Daí, retornamos à nossa pergunta inicial: quais seriam as equipes que podemos chamar de grandes na Colômbia? Tendo como parâmetro os critérios “títulos”, “tradição histórica”, “torcida”, “ídolos” e “consistência”, entendo que podemos falar em oito grandes equipes colombianas: Millonarios e Independiente Santa Fe, da capital Bogotá; Atlético Nacional e Independiente Medellín, de Medellín; América e Deportivo Cali, de Cali; Atlético Junior, de Barranquilla; e Once Caldas, de Manizales, são as equipes que irei abaixo explicitar com mais detalhes.

Destaco, novamente, que a escolha dessas equipes não exclui a possibilidade de outros clubes também serem considerados “grandes”, em outras análises e por outros critérios. Todavia, me deterei a essas equipes para abaixo, em ordem alfabética e tendo como foco uma perspectiva mais factual e menos acadêmica, explicitar um pouco sobre a história de cada um dos referidos clubes.

América de Cali

América Cali
Base da equipe do América nos anos 1980. Foto: Reprodução Twitter

O América, mais conhecido como América de Cali, é um clube fundado em 13 de fevereiro de 1927. Uma das maiores equipes do futebol da Colômbia, ganhou destaque principalmente na década de 1980, quando foi pentacampeão nacional seguida (1982-1986) e por três vezes, também seguidas, vice-campeão da Copa Libertadores da América (1985 a 1987, tendo tido um quarto vice da competição em 1995). No total, o clube de Cali conquistou o campeonato colombiano em quinze oportunidades, sendo o último em 2020. Empatado com o Millonarios, é o segundo clube com mais conquistas na história do campeonato nacional. Também foi por sete vezes vice-campeão colombiano.

Além disso, conquistou um título internacional, que foi a Copa Merconorte em 1999. Briga pelo posto de segunda maior torcida do país com o Millonarios de Bogotá, de acordo com a maior parte das pesquisas sobre o tema.

O auge da equipe nos anos 1980, se relacionou diretamente com um contexto que foi marcante naquela ocasião no futebol colombiano: a relação com o narcotráfico. Em outra oportunidade, na série de artigos que escrevi sobre “Futebol e narcotráfico na Colômbia”, problematizei as influências do Cartel de Cali no futebol do América. Mais diretamente, a participação dos irmãos Rodríguez Orejuela, Miguel e Gilberto, que investiram de diferentes maneiras, direta ou indiretamente, no futebol do clube em seu período mais vitorioso da história. Miguel, inclusive, foi um importante dirigente da agremiação.

É válido destacar, todavia, que a equipe do América permaneceu com grande centralidade no futebol do país mesmo depois das influências dos narcotraficantes. Dos seus quinze títulos nacionais, nove foram conquistados a partir de 1990, quando o investimento dos narcotraficantes já era menor e/ou inexistente. A equipe ainda passou por um difícil processo na última década, quando caiu para a segunda divisão do Campeonato Colombiano e por lá ficou entre 2011 e 2016, quando foi campeão da divisão inferior e retornou para a elite do futebol no país. Voltou a ser campeão nacional por duas oportunidades seguidas em 2019 e 2020, tendo disputado a fase de grupos da Copa Libertadores da América em 2021.

Atlético Junior

Heleno de Freitas
Heleno de Freiras, capa da Revista Cronica, de Barranquilla, em 29 de abril de 1950.

O Atlético Junior, também conhecido como Junior Barranquilla, é o clube de maior sucesso da região do caribe colombiano. Até hoje, já foi por nove vezes campeão do Campeonato Colombiano, tendo sido vice-campeão em outras dez ocasiões. É o quarto maior campeão da principal competição nacional (empatado com Deportivo Cali e Santa Fe).  Também venceu a Copa Colômbia em duas ocasiões (2015 e 2017), assim como a Superliga da Colômbia (em 2019 e 2020). Em competições internacionais, apesar de até hoje não possuir títulos oficiais, já foi semifinalista da Copa Libertadores da América na edição de 1994, quando perdeu para o Vélez Sarsfield, da Argentina, que acabaria sendo o campeão naquela ocasião.

O clube foi fundado em 7 de agosto de 1924 e ficou famoso logo nos primórdios do Campeonato Colombiano, no período El Dorado (1948-1954), por ter sido nesse contexto que contou com grandes nomes do futebol brasileiro. Dentre eles, destaca-se a figura de Heleno de Freitas, ídolo do Botafogo, da seleção brasileira e que na ocasião jogava pelo Vasco. O período do El Dorado do futebol colombiano foi recentemente por mim problematizado em texto publicado no Ludopédio. Outros nomes do futebol brasileiro, como Mané Garrincha, também atuaram pelo Junior posteriormente, o que explicita a boa entrada de atletas brasileiros no clube de Barranquilla.

Na década atual, o Junior tem sido um dos clubes colombianos de maior sucesso a nível nacional e continental, tendo disputado edições seguidas de competições sul-americanas, seja a Copa Libertadores da América e/ou a Copa Sul-Americana.

Atlético Nacional

Recopa 2017
Final da Recopa Sul-Americana de 2017 no Atanasio Girardot, Medellín. Segundo jogo entre Nacional x Chape após o desastre aéreo de 2016. Foto: Foto: Sirli Freitas / Chapecoense / Fotos Públicas

Clube de futebol com maior torcida do país, e também o mais vitorioso da Colômbia, o Atlético Nacional, sem dúvidas, já se consolidou como um dos grandes de toda a América do Sul. Fundado em 7 de março de 1947 com o nome de Atlético Municipal, a equipe já alcançou feitos grandes, como o bicampeonato da Copa Libertadores da América (1989 e 2016), da Copa Interamericana (1989 e 2016) e da Copa Merconorte (1998 e 2000), além da conquista da Recopa Sul-Americana de 2017, que fecha seu currículo atual de títulos internacionais.

Nacionalmente, é o maior campeão colombiano da história com dezesseis conquistas, além de ter levantado também o caneco da Copa Colômbia por quatro oportunidades e da Superliga da Colômbia em outras duas ocasiões. Um verdadeiro gigante e papa títulos, que já alcançou também destaque sendo vice-campeão da Libertadores em 1995, da Copa Sul-Americana em 2002, 2004 e 2016, do antigo Mundial de Clubes em 1989, além do Campeonato Colombiano em outras onze ocasiões.

Porém mesmo sendo esse gigante no quesito conquistas, um dos maiores feitos e momentos da história do Atlético Nacional, ocorreu na verdade fora de campo. Em dezembro de 2016, a equipe decidia a Copa Sul-Americana com a Chapecoense, equipe brasileira que chegava em sua primeira final continental da história. Com o desastre aéreo que gerou a queda do avião da Chape e a morte de 71 pessoas, dentre essas a maior parte da delegação do clube brasileiro, os torcedores do Nacional (assim como de toda a Colômbia) realizaram um grande movimento de acolhimento à agremiação brasileira, tal como a todas as vítimas naquela ocasião.

Essa ação estreitou os laços entre o Brasil e a Colômbia, principalmente a partir das torcidas do Nacional e da Chapecoense, que se tornaram clubes irmãos desde então. Mesmo favorito para o confronto (o Nacional tinha sido campeão da Libertadores naquele ano e viria a vencer a Recopa, contra a própria Chapecoense, em 2017), o time colombiano foi gigante ao abrir mão da disputa em detrimento do time brasileiro, que honrosamente e merecidamente se tornou o campeão da Copa Sul-Americana naquela ocasião. E o posicionamento do Atlético Nacional, maior que qualquer título, valeu também o prêmio de Fair Play do ano concedido pela FIFA naquela ocasião, dentre outras honrarias. Um momento histórico e emocionante!

Histórico também foi a conquista da Copa Libertadores da América em 1989, quando o clube venceu seu primeiro título internacional. Muito dessa conquista é questionada até hoje, pelo possível envolvimento econômico do narcotráfico na formação daquela equipe, notadamente sob liderança de Pablo Escobar. Esse tema já foi por mim debatido em outro texto da série “Futebol e narcotráfico na Colômbia”.

Deportivo Cali

Deportivo Cali
Torcida do Deportivo Cali. Foto: Reprodução Twitter

O Deportivo Cali divide com o América a posição de grande clube na cidade de Cali, tendo sido fundado 23 de novembro de 1912. É a mais antiga de todas as equipes aqui retratadas, tendo atualmente 108 anos de existência. Foi campeão colombiano em nove oportunidades, sendo a última em 2015, o que deixa a equipe hoje com o quarto lugar de conquistas da competição (empatada com Junior e Santa Fe). Além disso, foi vice-campeão da principal competição nacional em outras quatorze edições. É também campeão da Copa Colômbia (2010) e da Superliga da Colômbia (2014).

Em nível internacional, apesar de não possuir conquistas oficiais, o Deportivo Cali já alcançou considerável destaque, tendo sido por duas vezes vice-campeão da Copa Libertadores da América. Em 1978 perdeu a decisão para o argentino Boca Juniors, enquanto em 1999 foi vice decidindo com o Palmeiras. Foi, na ocasião da decisão com o Boca, o primeiro clube colombiano a chegar em uma final da Copa Libertadores. Também foi vice da extinta Copa Merconorte, em 1998, quando perdeu para o Atlético Nacional em uma final colombiana.

Historicamente o Deportivo Cali ficou marcado pela constância, já que venceu campeonatos nacionais em quase todas as décadas desde os anos 1960. A exceção foi a década de 1980, que curiosamente foi o período de auge do seu maior rival América, na época marcada pela presença do narcotráfico. É válido destacar que, antes de investirem no futebol do América, os irmãos Rodríguez Orejuela tentaram adentrar no Deportivo, mas foram barrados, principalmente, por Álex Gorayeb, como também retratei em texto anteriormente citado.

Atualmente a equipe se mantém entre as principais do país, disputando os grandes campeonatos e buscando retornar as conquistas para, assim, disputar com mais regularidade as competições internacionais. Nos últimos anos, tem sido presença marcante na Copa Sul-Americana, mas não disputa uma edição da Copa Libertadores da América desde 2016.

Independiente Medellín

Independiente Medellín
Torcida do Medellín. Foto: Reprodução

Fundado em 14 de novembro de 1913, o Independiente Medellín, também conhecido somente como “Medellín” no âmbito local, é a segunda agremiação mais antiga das oito aqui pesquisadas, com 107 anos. Maior rival do Atlético Nacional na cidade de Medellín, já conseguiu até hoje vencer o campeonato nacional em seis ocasiões, sendo a última no ano de 2016. É o sétimo clube colombiano com mais conquistas do campeonato nacional. Em outras dez oportunidades, ficou com o vice-campeonato. Foi campeão da Copa Colômbia em duas ocasiões, 1981 e, mais recentemente, 2019.

Internacionalmente, até hoje, a equipe do Independiente de Medellín não conseguiu nenhuma conquista oficial. Todavia, já conglomera algumas boas participações em Copas Libertadores da América e Sul-Americana. Na libertadores, por exemplo, foi semifinalista em 2003, tendo sido eliminado para o Santos naquela ocasião.

A equipe ficou marcada, no período do investimento do narcotráfico no futebol, por ser o clube que assumidamente torcia Pablo Escobar, chefe maior do cartel de Medellín. Além disso, foi após um confronto entre América de Cali e Independiente Medellín, em 1989, que o árbitro Álvaro Ortega foi assassinado, fato que problematizei em outra ocasião anteriormente.

Pelo bom desempenho e constância em competições nacionais nos últimos anos, o Independiente Medellín tem sido presença marcante nos torneios internacionais da América do Sul na atualidade, tendo nos últimos cinco anos participado da Copa Libertadores da América em três ocasiões (2017, 2019 e 2020) e da Copa Sul-Americana em outras três (2016, 2017 e 2018).

Independiente Santa Fe

Independiente Santa Fe
Torcida do Santa Fe. Foto: Reprodução Facebook

O Independiente Santa Fe é, junto com o Millonarios, um dos representantes de Bogotá, capital do país, nessa lista dos maiores clubes colombianos. A equipe, que foi fundada em 10 de agosto de 1938, foi a primeira agremiação a se sagrar campeã colombiana, na edição de estreia do campeonato nacional organizado pela Dimayor, em 1948.

Naquela ocasião fez frente com outras grandes equipes e, principalmente, com o grande esquadrão montado por seu rival Millonarios, que se consolidaria como o maior campeão do período El Dorado (1948-1954), quando nos primórdios do futebol no país vários craques estrangeiros foram atuar na Colômbia.

Além da conquista nacional no campeonato pioneiro, o Santa Fe foi também campeão em outras oito oportunidades do Campeonato Colombiano, somando no total nove títulos. Empatado com Junior e Deportivo Cali, ocupa o quarto lugar no ranking de maiores campeões da competição. Ficou com o vice-campeonato em outras seis oportunidades. Nacionalmente, venceu também duas edições da Copa Colômbia (1989 e 2009) e três da Superliga da Colômbia (2013, 2015 e 2017). Internacionalmente, já conseguiu alcançar a semifinal da Copa Libertadores da América em duas oportunidades (1961 e 2013).

Foi campeão da Copa Sul-Americana em 2015 e da Copa Suruga Bank em 2016, além de vice da Recopa Sul-Americana em 2016 (final contra o River Plate), da Copa Merconorte em 1999 (final colombiana contra o América de Cali) e da Copa Conmebol em 1996 (final contra o Lanús).

Atualmente a equipe se mantém consistente nas competições nacionais, tendo sempre chegado a decisões e/ou alcançados títulos (a última conquista do Campeonato Colombiano foi em 2016), o que a credencia para disputar as diferentes competições internacionais, como a Copa Libertadores da América, onde marcou presença na fase de grupos da atual edição de 2021.

Millonarios

Millonarios El Dorado
Equipe do Millonarios no período El Dorado. Foto: Reprodução Twitter

O Millonarios, de Bogotá, é para muitos o primeiro grande clube do futebol colombiano, já que nos primórdios do campeonato, na fase do El Dorado, marcou época com uma equipe recheada de grandes craques, como Di Stéfano, Pedernera e Néstor Rossi, o que fez com que conquistasse quatro dos seis primeiros campeonatos disputados naquela ocasião (1949, 1951, 1952 e 1953).

No total, a equipe já venceu quinze campeonatos colombianos, sendo o segundo maior campeão junto do América de Cali. Também foi vice-campeão da competição em outras nove oportunidades. Venceu a Copa Colômbia em três ocasiões (1953, 1963 e 2011) e a Superliga da Colômbia uma vez (2018).

No cenário internacional, foi campeão da Copa Merconorte em 2001, sendo até hoje essa a única conquista internacional do clube oficialmente. Em compensação, coleciona diversas participações na Copa Libertadores da América e demais competições sul-americanas. Na principal competição de clubes do continente, foi semifinalista em 1960, 1973 e 1974. Também foi vice-campeão da Copa Merconorte em 2000, perdendo a final para o rival Atlético Nacional. Em competições não oficiais, é muito valorizado dentro do clube o título da “Pequena Copa do Mundo” em 1953, competição de caráter intercontinental realizada na Venezuela e que possuía gigantesca relevância naquele cenário, assim como outros torneios que envolviam clubes de diferentes países, como a Copa Rio, o Torneio de Paris, o Troféu Triangular de Caracas, entre outros. Também foram campeões da Pequena Copa do Mundo, clubes como Real Madrid, Barcelona, Corinthians e São Paulo.

O auge do Millonarios foi, exatamente, no período El Dorado, que pode ser melhor compreendido a partir do texto que escrevi recentemente no Ludopédio. A equipe comandada por Pedernera e Di Stéfano, liderou o período da liga pirata colombiana na fase em questão. Foi em uma partida do Millonarios contra o Real Madrid em 1952, vencida pelos colombianos por 4×2 em pleno Santiago Bernabeu e com dois gols do craque argentino, que os madrilenhos se interessaram pela contratação do atleta. Iniciou-se ali uma disputa entre Real Madrid e Barcelona pela aquisição dos direitos do jogador. A priori, Di Stéfano jogaria um período em cada clube. Porém, no fim, e muito pelas influências do então ditador Franco no poder (muito ligado ao Real Madrid e contrário à Catalunha, onde o Barcelona exercia papel de resistência ao seu governo), o jogador fez carreira apenas no clube da capital espanhola. O resto, é história!

Depois de passar longos anos sem conquistas do campeonato nacional, de 1988 a 2012, o Millonarios voltou aos trilhos na atual década. Muitos torcedores questionaram, inclusive, alguns de seus títulos, como os de 1987 e 1988, devido a influência possível do narcotráfico na injeção de dinheiro na equipe, tema que também problematizei em outra ocasião. Desde então, a equipe venceu dois campeonatos colombianos (um em 2012 e outro em 2017) e tem marcado presença frequente nas competições internacionais.

Once Caldas

Once Caldas
Comemoração do Once Caldas, campeão da Libertadores de 2004. Foto: Reprodução Twitter

Última equipe aqui retratada, mas não menos importante, o Once Caldas é o único clube colombiano que conseguiu a façanha de ser campeão da Copa Libertadores da América, além do Atlético Nacional. Em 2004, a equipe eliminou a partir das oitavas, os favoritos Barcelona de Guayaquil, Santos e São Paulo, para assim chegar na decisão e ser campeão batendo o gigante e então atual campeão, Boca Juniors. Se tratou de uma conquista inédita e inesperada, porém muito valorizada e festejada.

Além do título da Copa Libertadores da América, internacionalmente a equipe foi vice-campeã da Recopa Sul-Americana e da Copa Intercontinental (antigo Mundial de Clubes), ambos em 2004, perdendo as decisões respectivamente para Boca Juniors e Porto. A decisão do mundial foi, inclusive, a última antes da competição passar a ser organizada definitivamente pela FIFA a partir de 2005 (antes, a federação havia organizado apenas uma edição esporádica, em 2000 no Brasil).

No âmbito nacional, o Once Caldas possui quatro títulos do Campeonato Colombiano, alcançado nos anos de 1950, 2003, 2009 e 2010. Foi também vice-campeão em 1998 e 2011, assim como vice da Copa Colômbia em duas ocasiões: 2008 e 2018. É o oitavo clube com mais conquistas na história do Campeonato Colombiano.

Uma curiosidade é que o título de 1950 foi conquistado por outra agremiação, na verdade: o Deportes Caldas, fundado em 16 de abril de 1947, foi o terceiro campeão da história da competição, ainda no período El Dorado. Naquela ocasião, a cidade de Manizales possuía dois clubes que a representava desde o surgimento da liga profissional da Dimayor, em 1948. Além do Deportes Caldas, o Once Deportivo também era da região de Caldas, departamento onde ambas as agremiações estavam inseridas. Os dois clubes também foram descontinuados nos anos 1950. Todavia, no final dessa década, ocorreu um movimento que idealizou o retorno do clube Deportes Caldas. Considerando a trajetória das duas agremiações de Manizales, ocorreu ali uma fusão: Deportes Caldas e Once Deportivo viraram, a partir de 16 de janeiro de 1961, o Once Caldas, que passou a representar a cidade desde então como sua principal equipe. O resultado alcançado pelo Deporte Caldas, campeão em 1950, passou também a ser reconhecido como título oficial do Once Caldas.

Atualmente o Once Caldas não vive seu melhor momento no que se refere a conquista de títulos, estando desde 2011 sem ganhar um troféu. Esporadicamente, ainda sim consegue vagas para a disputa de competições internacionais, como a Libertadores de 2015 e a Sul-Americana de 2019, últimas edições em que esteve presente, buscando assim alcançar novamente os feitos dos dias de glória de 2004.

Portanto, busquei aqui sintetizar com uma espécie de “pequeno almanaque”, um pouco da história dos principais clubes de futebol da Colômbia. Todas as oito equipes (se considerarmos o Deportes Caldas, no caso do Once Caldas), estiveram presentes na liga fundadora do futebol colombiano, em sua primeira edição da competição em 1948. Todavia, nada impede que essa lista dos “grandes”, pelos critérios já apresentados no início deste texto, possa ser aumentada ou modificada, já que outras relevantes equipes que alcançaram saltos expressivos nas últimas décadas duas décadas, como por exemplo Deportes Tolima, La Equidad, Cúcuta, Deportivo Pasto, entre outras, podem vir a reivindicar um espaço nesse seleto grupo.

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Eduardo Gomes

Historiador, professor e pesquisador do esporte. Doutor e mestre em História Comparada, com ênfase em História do Esporte, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduado em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com período sanduíche na Universidad de Antioquia (UdeA), Colômbia. Graduando em Educação Física (Claretiano). Atua como pesquisador do Sport: Laboratório de História do Esporte e do Lazer (UFRJ). Professor na Educação Superior e Básica. Editor e colunista de esportes do Jornal Toda Palavra (Niterói/RJ), além de atuar como repórter e comentarista da Rádio Esporte Metropolitano. Autor dos livros intitulados "A invenção do profissionalismo no futebol: tensões e efeitos no Rio de Janeiro (1933-1941) e na Colômbia (1948-1954)" (Ed. Appris, 2019) e "El Dorado: os efeitos do profissionalismo no futebol colombiano (1948-1951)" (Ed. Multifoco, 2014). Organizador da obra "Olhares para a profissionalização do futebol: análises plurais" (Ed. Multifoco, 2015), além de outros trabalhos relacionados à História do Esporte na América Latina.

Como citar

GOMES, Eduardo de Souza. Os grandes clubes do futebol colombiano: um pequeno almanaque. Ludopédio, São Paulo, v. 144, n. 15, 2021.
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