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Palmeiras tem queda no rendimento e vence por apenas 2 gols em Sucre

João Kleber Terron Franco 21 de maio de 2022

“Verdão joga com time considerado titular, demonstra que o calendário realmente é muito apertado e cria dúvidas se conseguirá manter bom desempenho participando de tantas competições”.

Depois de bater o Independiente Petrolero por 8×1 no Allianz Parque com o time recheado de reservas (apenas  Weverton, Gómez, Zé Rafael e Veron foram titulares nos dois jogos), o Palmeiras vai a Bolívia e, apesar de contar ainda com uma ajuda de um velho conhecido, não conseguiu repetir o placar elástico. Cristaldo, xodó de boa parte da torcida do Verdão, desperdiçou uma boa chance dentro da área de Weverton e no fim do primeiro tempo foi expulso de forma boba, deixando o Independiente Petrolero com um jogador a menos no resto da partida.

Mesmo diante desse cenário o Palmeiras volta da Bolívia com os 3 pontos, mas desperdiçando a oportunidade de golear e caminhar em direção a continuar escrevendo seu nome na história da competição.”

Gostaria de me apresentar primeiramente: sou João e a possibilidade de ver uma matéria como essa após o jogo do Independiente Petrolero 0x5 Palmeiras (03/05) caso o Verdão não ampliasse o placar na volta do segundo tempo me fez sentar e realmente escrever sobre algo que tenho percebido e tem me incomodado há um tempo no futebol brasileiro. Sou formado em Educação Física e um apaixonado por futebol, gosto muito de ler notícias sobre os times brasileiros na internet, principalmente depois que parei de assistir aos programas esportivos na televisão. 

Farei uma reflexão sobre o que tenho experienciado e espero contribuir para que possamos discutir sobre a realidade do futebol brasileiro, o quanto temos evoluído e para onde estamos caminhando. Não há dúvidas que alguns clubes do Brasil tem investido em infraestrutura e na formação de atletas nas categorias de base, no entanto ainda caminhamos a passos lentos para uma relação saudável entre a sociedade e o futebol. 

O Palmeiras de Abel Ferreira nos força a termos esse debate, estamos presenciando a permanência de um treinador no comando da equipe, possibilitando que possa trabalhar suas ideias de jogo e do jogo com os atletas (mesmo que o calendário seja surreal, mas isso é papo para outra conversa). A partir de várias “coincidências” o Palmeiras tem hoje um clube estruturado em todos os aspectos permitindo assim que os reflexos do trabalho bem feito nos bastidores tenha resultado em momentos felizes para o torcedor e que engrandecem a história do clube.

Abel Ferreira
Foto: Divulgação/Palmeiras

Apesar de os clubes estarem se estruturando cada vez mais, buscando uma evolução do futebol nacional, na maior parte do tempo penso que a imprensa precisa acompanhar e potencializar esta evolução dos clubes para que possamos realmente termos efeitos positivos no futebol nacional. Quando pesquiso no Google notícias sobre os times, aparecem muitas falas de jornalistas de diferentes emissoras, colunas de outros e também blogs de torcedores. 

Nos dias atuais a quantidade e a velocidade das informações são muito grandes, as redes sociais contribuem com a divulgação das notícias e infelizmente as polêmicas, que geram grande discussão, aparentemente dão muito mais audiência. Com isso, manchetes como por  exemplo a do começo desse texto se tornam muito frequentes, esquecendo-se do compromisso com a qualidade da informação que está sendo passada. 

A imprensa é crítica em muitos momentos e ajuda muito a apontar os caminhos que podemos tomar para termos um jogo que acreditamos ser bem jogado, além de também comentar a infraestrutura dos clubes e tudo que gira em torno do futebol. No entanto, acredito que em grande parte do tempo se permite estagnar em discussões que em nada acrescentam para o desenvolvimento do futebol no país. São diversas as críticas a clubes mediante apenas resultados nos campeonatos, muito se reclama que as diretorias não dão tempo ao treinador de implementar suas ideias, mas crises são veiculadas nos clubes até mesmo quando não existem, potencializando a possibilidade de trocas de técnicos, aumentando o descontentamento da torcida em relação aos jogadores do clube e dificultando que os clubes se modernizem ao cobrarem assim como os torcedores cobram.

Sem dúvidas é dificílimo deixar de lado o clubismo quando se trabalha, mas a imprensa é profissional e pode sem dúvidas analisar os jogos e campeonatos a partir de uma visão crítica que ajude os torcedores a pensar o que está acontecendo. Vemos em muitos momentos jornalistas emitindo opiniões baseadas nas relações que tem com os clubes, seja de amor, seja de desgosto ou indiferença. É importante deixar que os torcedores sejam clubistas e cobrem as mudanças que acham necessárias nos seus clubes (sem violência), mas que a imprensa não exerça esse papel. 

Os clubes brasileiros sofreram com diversas crises a partir de suas gestões amadoras e me parece que agora a imprensa continua investindo nessas crises internas mesmo que elas não existam e tentam introduzi-las para poder provar que o estilo de jogo do time não era o ideal e que se não obteve sucesso contínuo foi por não aceitar as críticas e ter falhado.

O Palmeiras vencendo consegue afastar algumas crises criadas como as possíveis demissões do técnico que são veiculadas, os desacordos entre diretoria que não traz jogadores e treinador que insiste que o time não vai ganhar se não tiver reposições. É um cenário carimbado no nosso futebol, que juntamente com esse ponto de vista traz também a ideia de que os clubes precisam manter e permitir que os técnicos trabalhem. É muito contraditório. 

Precisamos nos escutar, o futebol brasileiro assim como o Brasil precisa se unir, esquecer essa ideia de qual clube vai ganhar, quem é o maior e melhor time de todos. Isso fica para a brincadeira, quando tentamos copiar modelos externos, apenas discutimos entre nós enquanto nosso futebol e país são sucateados, todos queremos times mais competitivos, futebol bem jogado, não termos violência nos estádios, mas na hora de deixar o clubismo de lado preferimos a polêmica. Reforçamos discursos que nos tornam diferentes e não permite que fiquemos juntos para construir o futebol brasileiro potente que acreditamos. 

Por isso é importante termos esse diálogo, para juntos encontrarmos o rumo que seguiremos. Não é necessário sempre polemizar, e sim entender que está tudo atravessado e caminhando junto. 

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João Kleber Terron Franco

Professor formado em Educação Física pela Unicamp. Apaixonado por educação e futebol.

Como citar

FRANCO, João Kleber Terron. Palmeiras tem queda no rendimento e vence por apenas 2 gols em Sucre. Ludopédio, São Paulo, v. 155, n. 22, 2022.
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