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Piratas de Itaquera: A saga de Sylvinho Campos na agitada maré corintiana

Gabriel Bernardo Monteiro 24 de janeiro de 2022

Quando era pequeno, sempre ouvia dos meus pais 2 ditos populares que sempre me ajudaram a entender muitas situações da vida a primeira era de que “mar calmo, não faz bom marinheiro” já que é na dificuldade e na turbulência que melhor nos desenvolvemos. A outra dizia que era “impossível agradar gregos e troianos”, já que dificilmente alguém consegue agradar todas as pessoas em seu entorno. Tal dito popular se emprega perfeitamente no que, hoje e provavelmente o ano todo, vive(rá) Sylvinho, o Comandante da Embarcação Corinthians Paulista. 

Segundo fontes confiáveis e que convivem no dia-dia do clube, o trabalho diário executado nos treinamentos agrada muito os jogadores, diretores e comissão técnica fixa do clube. Para os contemporâneos de Tite, a impressão é de um ambiente nos treinos parecidos com o que existia no Corinthians em 2015. Mesmo no início, sem a chegada dos belíssimos reforços que o clube conseguiu para a segunda metade da competição, a equipe conseguia se manter longe dos riscos, posicionando-se rodada após rodada entre a 8ª e a 12ª posição, o que sempre foi ressaltado pela diretoria como um bom presságio de que o trabalho tem potencial. Hoje, no Parque São Jorge, nenhum diretor influente no futebol cogita a possibilidade de troca no comando técnico. 

Sylvinho
Sylvinho, treinador do Corinthians. Foto: ©Rodrigo Coca/Ag. Corinthians/Fotos Públicas

Entretanto, essas boas impressões que tomam conta de quem convive o dia-dia não condizem com as impressões de grande parte dos torcedores que acompanha o produto final aos finais de semanas e quartas feiras, o que faz com que a batata do atual comandante esteja sempre assando nas arquibancadas.

Criticado desde o segundo que foi escolhido como treinador da equipe com a massificação da tradicional frase: Se Sylvinho for treinador, eu sou astronauta. Sylvinho sempre trabalhou com uma margem de erro bastante pequena para um profissional que ainda está em desenvolvimento na carreira, já que antes do Corinthians o único trabalho dele como treinador tinha sido no Lyon da França, onde não foi bem e acabou demitido com 3 meses. E mesmo com uma nítida evolução técnica e, principalmente tática, depois das chegadas dos reforços e de um grande segundo turno que levou a equipe ao 5º Lugar e uma vaga direta na Libertadores, algo impensável no começo do ano, os pedidos de boa parte dos torcedores em fóruns e redes sociais eram de que o treinador fosse, injustamente, demitido.

 Sylvinho se mantém, os jogadores que subiram no barco com ele em movimento vão ter a oportunidade de colocar o, agora, navio em alto mar desde o início, com a expectativa altíssima de que passará pelas águas de 2022 com possibilidades de encontrar diversos ouros pelo caminho. Alguns marujos conhecem muito bem o navio, o que ajudará muito nas tormentas, mas ao mesmo tempo não sabemos quanta energia esses marujos terão para manter o barco estável e próximo ao ouro, já que muitos já passaram dos 30 anos, ao mesmo tempo esses marujos poderão ajudar no desenvolvimento de outros marujos mais jovens, que hoje não tem mais a responsabilidade de fazer o navio andar, precisam apenas ajudar nesse processo e aprenderem os ensinamentos. O comandante da embarcação é jovem na função, mas não é um estagiário como é taxado, tem expertise suficiente para ter muito sucesso nos mares tupiniquins. Basta ter tempo e respaldo para que consiga trabalhar bem no ótimo elenco que ganhou. E a certeza de que o principal objetivo de 2022 não é encontrar o ouro a qualquer custo, mas se manter no mar, vasculhando, melhorando a embarcação, fugindo dos icebergs e assim, quem sabe, os marujos experientes não encontram algum ouro pelo caminho. Se não encontrar é continuar velejando com ótimos barcos, até que a terra prometida apareça.

E a NASA precisará ficar esperta, podemos ter alguns milhões de astronautas prontos para queimarem a língua na atmosfera. 

Boa sorte no mar, Sylvinho Campos. 

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Gabriel Bernardo Monteiro

Graduado em Educação Fisica pela Universidade Estadual de Campinas

Como citar

MONTEIRO, Gabriel Bernardo. Piratas de Itaquera: A saga de Sylvinho Campos na agitada maré corintiana. Ludopédio, São Paulo, v. 151, n. 23, 2022.
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