147.1

Pretos, não te enganes, no esporte nenhum branco lutou por ti

Ricardo Pinto dos Santos 1 de setembro de 2021

Começo o meu texto me apropriando da recente e triste notícia de que o autor Laurentino Gomes (1956), ao sugerir que Portugal deveria pedir perdão pela escravidão dos povos africanos, foi alvo de ataques virtuais[1]. Para além das questões que cercam o acontecimento, as agressões destinadas ao autor revelam que, tanto além-mar, quanto em solo tupiniquim, seguimos encontrando dificuldades em transpor o senso comum para propor ações que, efetivamente, mobilizem nosso senso crítico e, sobretudo, nossa disponibilidade em assumir erros e limites nos nossos discursos sobre a verdade. Isso acontece de forma geral e, como no caso do objeto desse texto, no esporte, em particular,  dificultando a  busca por novas e efetivas práticas de luta contra o racismo.

É exatamente sobre esse aspecto que passo a refletir acerca da história da chamada luta contra o racismo no esporte, em especial no futebol brasileiro. Por mais que façamos apontamentos críticos sobre a falaciosa ideia de que grandes clubes, em algum momento da história do futebol, se preocuparam de forma estrutural com a situação do negro na sociedade, bem como no esporte, nos defrontamos com estórias consolidadas e insistentemente repetidas, em especial pelo jornalismo esportivo, que, ao fim e ao cabo, impedem um enfrentamento efetivo do problema e, pior, mantem intactas imprecisões históricas.

Em geral, como a luta contra o racismo é reduzida, basicamente, a atos simbólicos (faixas e notas de repúdio), e por insistente vinculação com fatos pontuais do passado de alguns clubes, ficamos patinando em torno de um grupo de homens brancos que se rotulam salvadores históricos de homens negros, a partir de um mesmo pressuposto. Ou seja, a luta contra o racismo acabou se resumindo a “permissão” dos brancos para que negros jogassem em seus clubes. Com essa história, que menospreza, em larga escala, a perspectiva econômica como elemento central pela busca por jogadores negros, eles impõem a todos nós uma compreensão engrandecedora da sua bondade e, principalmente, de uma marca segura, permanente e inquestionável da instituição na luta contra o racismo.

Nesse contexto, assistimos isso tudo se agravar quando somos atropelados pela ideia de que o esporte é um fenômeno, apenas, de caráter positivo, puro em essência, de fortalecimento moral e que, acima de tudo, qualquer característica que fuja desses pressupostos estaria essencialmente fora do campo esportivo. As máximas de que “esporte é saúde”, “esporte é união” e a existência de um bondoso “espírito olímpico” onipresente na vida esportiva não nos permitem compreender a totalidade do objeto e, sobretudo, todo o seu contraditório.

É assim também na luta contra o racismo no esporte. Não foram poucos os eventos em que o racismo foi exposto de forma explícita no Brasil e no Mundo. E, o que é pior: se, num primeiro momento, as coisas pareciam gerar desdobramentos que trariam efetividade ao combate ao racismo, passado algum tempo, descobrimos que tudo não passou de mais um frenesi passageiro e ineficaz para uma luta estrutural.

No entanto, mesmo com tudo isso, violência, repercussão e, sobretudo, visibilidade, os casos terminam, quase sempre, com acordos entre os agressores e o Ministério Público, acatado por juízes, que em geral, não causam mudanças nas estruturas racistas que foram fontes para as agressões. Majoritariamente, formada por homens brancos, que entendem pouco, ou quase nada, sobre racismo e as suas dimensões, as estruturas jurídicas e esportivas seguem sem resolver e compreender o complexo problema.

Devemos lembrar que a FIFA, em março de 2013, após o episódio com o jogador do Milan, Kevin-Prince Boateng, criou uma Força Tarefa para combater o racismo e a discriminação no futebol. O grupo, formado por advogados, jornalistas, jogadores e personalidades, funcionou como um laboratório de ideias que visava impulsionar iniciativas que pudessem apontar soluções para combater o racismo presente no futebol. No entanto, com a crise instalada na maior instituição do futebol mundial, acusada de corrupção sistemática, o grupo pouco se reuniu e, acima de tudo, pouco contribuiu para o avanço nestas questões.

Dissolvida logo depois, as lideranças da Força Tarefa, com intuito de minimizar a repercussão do encerramento dos seus trabalhos, publicaram em seu site as medidas alcançadas pelo grupo:

Boateng
Boateng no Milan em 2012. Foto: Wikipédia

1ª) Sistema de monitoramento para identificar partidas de alto risco e qualquer tipo de incidente racista.

2ª) Guia de boas práticas para a diversidade e o combate à discriminação.

3ª) Prêmio FIFA de diversidade.

4ª) Embaixadores da FIFA: lendas do futebol envolvidas no combate ao racismo.

5ª) Várias iniciativas como parte da estratégia de sustentabilidade para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

6ª) Programa FIFA para o desenvolvimento da liderança feminina.

7ª) Treinamento de árbitros e delegados das partidas para lidar com atos discriminatórios.

8ª) Jornadas de combate à discriminação.

9ª) Campanha “Diga Não ao Racismo”.

10ª) Conferências sobre futebol feminino e liderança em 2015 e 2016 em Zurique.

 

Não fica difícil entender por que avançamos tão pouco. Nenhuma das iniciativas busca movimentar as estruturas ou mesmo aprofundar o debate de forma a gerar reflexos imediatos que assegurem aos negros mudanças substanciais. Ademais, não houve sequer um trabalho junto às torcidas organizadas que envolvesse a educação sobre o racismo. A despeito de serem parte central do espetáculo, a torcida, em geral, não participa dos processos decisórios que estejam fora do escopo das quatro linhas.

No Brasil, o tema também possui as suas “verdades” históricas. Acredito que essa questão está intimamente vinculada à uma leitura enviesada e bem selecionada da obra de Mario Filho, O Negro no Futebol Brasileiro, publicada originalmente em 1947. Através dela, a compreensão sobre a luta e a dinâmica esportiva do negro ficou muito limitada à experiência do Rio de Janeiro. Afora isso, passamos a reconhecer uma parte da história, inclusive seus equívocos, como sendo o todo. Afinal, não podemos acreditar que a história do futebol no Rio de Janeiro e em São Paulo pudesse dar conta de explicar a dinâmica desse esporte por todo o Brasil[2].

De início, é importante destacar que nenhum dos reconhecidos grandes clubes no Brasil, e em especial no Rio de Janeiro, lutou contra o racismo no futebol. Ou seja, por mais que ações individuais ou de clubes tenham gerado alguma tensão no cenário esportivo, nenhuma delas pode, a meu ver, ser considerada parte de uma luta sistemática contra o racismo levada a cabo por qualquer que seja o agente/grupo.

Quase sempre a luta contra o racismo é apresentada a partir das tensões geradas durante o processo histórico de entrada do negro nos clubes[3]. Hoje em dia, esgotado esse debate em torno do primeiro clube que gestou esse enfrentamento, a “luta”, basicamente, ocorre quando uma equipe entra em campo com uma faixa declarando ser contrária a esse tipo de acontecimento, bem como quando emitem notas de repúdio a eles.

Guardadas as faixas, ânimos acalmados, a bola volta a rolar dentro da “normalidade” e a estrutura segue sendo a mesma de antes. Nenhuma instituição esportiva apresenta um programa sistemático para o combate ao racismo no esporte, propondo e/ou efetivando punições e, sobretudo, educando jogadores, dirigentes e torcedores para uma nova perspectiva sobre o tema, de modo a dirimir os casos em sua base constitutiva. Para além disso, é claro, as estruturas dirigentes se mantêm intactas e acasteladas, apesar do discurso de apoio a causa.

Talvez, em uma análise apressada, possa parecer exagero questionar estas manifestações. Porém, decidi encarar o risco a partir dos novos desdobramentos das leituras, trato com as fontes, mas, sobretudo, pela falta de resultados concretos que viessem a descontruir a estrutura racista e me permitisse visualizar estas ações com mais simpatia.

Para explicar melhor o assunto, devo iniciar apontando para o ajuste que fiz na compreensão da palavra LUTA. Vejamos: considero luta um processo de engajamento atrelado a uma causa na qual o objeto central da questão, nesse caso a luta contra o racismo, esteja no centro do debate e, fundamentalmente, o interesse na sua solução seja parte essencial na formulação das ações apresentadas pelos dirigentes e as instituições (clubes, associações e federações esportivas).

Logo, a partir dessa perspectiva, posso falar com tranquilidade sobre o Club de Regatas Vasco da Gama e o imaginário criado a respeito do seu engajamento na luta contra o racismo no futebol, forjado no embate entre o Clube e a principal liga de futebol nos anos de 1920. Tomando este exemplo, julgo que poderemos dar um salto na compreensão do fenômeno, bem como dos seus desdobramentos reais e retóricos.

Vasco da Gama
O time do Vasco campeão carioca em 1923. Foto: Divulgação

Inicialmente, devo reforçar que a famosa carta de 1924, na verdade um ofício enviado a AMEA[4] e publicado pela imprensa, apresentada também por Mario Filho, em seu livro, ficou conhecida como grande marco da luta contra o racismo no futebol, foi um evento importante para o cenário futebolístico do Rio de Janeiro.

No entanto, a partir das pesquisas, verificamos que o fato não apresentou nenhuma ressonância fora das fronteiras do Estado do Rio e em nada tem a ver com a luta contra o racismo, seja no esporte ou fora dele. Na verdade, o documento (“a carta”) visava agir sobre uma demanda externa gestada pela principal liga de Futebol do Estado (AMEA), que, basicamente solicitava a exclusão dos jogadores negros do time.

Algumas conclusões são possíveis através deste evento. O primeiro, obviamente, está no racismo declarado imposto pela Liga. Que, naquele momento, deixava clara a insatisfação que causaria a presença de negros na equipe. Nesse caso, negros, craques, vitoriosos e que geravam grande lucro não só para o Vasco, mas para todos os clubes da liga.

Em seguida, e aí é importante explorar melhor as fontes, está na resposta do Clube e, fundamentalmente, nas representações criadas a partir dela (“a carta”).  O desejo em manter os bons e vitoriosos jogadores em seus quadros de atletas, traduz muito mais sobre a necessidade do Vasco em manter um time forte, vitorioso e lucrativo, do que efetivamente parte de um movimento de luta contra o racismo dentro do clube. Até aquele momento, nem em tempo posterior, nenhum dos clubes no Rio de Janeiro, incluindo o cruzmaltino, tratavam sobre o racismo ou a questão negra de forma sistemática, nem en passant, em suas reuniões internas.

Lembrando que, após o episódio, e somente desta vez, no dia 09 de abril de 1924, o Presidente do Clube, José Augusto Prestes, convoca uma reunião para apresentar a questão e deliberar (apenas) sobre o fato. Ao final, conclui que a ação da AMEA destruía “totalmente os fins da moralidade e igualdade anunciados, e por conta disso sairiam da liga”.

As pesquisas indicaram que a questão do racismo não fazia parte da pauta do clube até aquele momento. Mostraram também que os desdobramentos a partir da carta de 1924 foram extremamente limitados ao Rio de Janeiro e não reverberou em outros estados no Brasil. Desse modo, fica claro que a saída da liga não foi resultado do engajamento do clube na causa negra. Na verdade, foi parte do processo de mercantilização do futebol, visto que, sem aqueles jogadores, o clube sofreria prejuízos em termos esportivos e financeiros, não havendo naquele momento nenhuma outra opção que pudesse manter o clube em destaque no futebol.

Como apontamos anteriormente, a leitura de todos os documentos administrativos disponíveis no arquivo do Centro de Memória do Clube nos demonstrou que o racismo, a luta contra o racismo ou qualquer questão relacionada ao negro nunca foi tema debatido ou apresentado pelos dirigentes da Instituição. Tal fato é constatado na análise das fontes no período anterior e posterior ao da carta. Logo, a Carta de 7 de abril de 1924, entendida num contexto maior e, notadamente, pelo seu caráter pontual, não confere ao clube legitimidade no discurso que o define como pioneiro na luta contra o racismo no futebol brasileiro.

Vale destacar que a imagem de clube popular, criada a partir do imaginário de uma instituição que lutou contra o racismo e, consequentemente, tornando-o um clube essencialmente do povo, merece ser revista sobre este aspecto. As novas pesquisas já apontam para outra perspectiva sobre essas marcas, ou no mínimo nos dão indícios de suas limitações, vejamos…

Os pesquisadores Victor Melo e Nei Jorge, em artigo publicado “Recrear, instruir e advogar os interesses suburbanos”: posicionamentos sobre o futebol na Gazeta Suburbana e no Bangú-Jornal (1918-1920)[5], ao tratarem com a chamada imprensa suburbana, confirmam a tese de que os clubes de subúrbio e seus torcedores eram mal vistos pela imprensa de grande circulação e, principalmente, que o mercado de jogadores que tiravam do subúrbio seus melhores atletas gerou ao Vasco, diferentemente do que se afirma, uma imagem muito ruim, visto que os jogadores deixariam de defender os clubes locais e, numa escala maior, o próprio subúrbio para defender um clube “estranho a eles, como o Vasco…” (Op. cit. p.202).

Outro dado importante que merece ser levado em conta quando apresentamos o Vasco como representante da luta contra o racismo está na pesquisa realizada por Victor Pereira (Professor Auxiliar na Universidade de Pau et des Pays de L`Adour – França), parte publicada como capítulo do livro “Esporte, Cultura, Nação, Estado – Brasil Portugal” – intitulado “Futebol português nas Américas, anos 1890-1960” (2014), quando diz que:

“não era propriamente um sentimento antirracista que guiava os dirigentes do Vasco da Gama, por vezes, por influência do pensamento lusotropicalista criado por Gilberto Freire, se escreveu. Era sobretudo a vontade de ganhar, de vencer os clubes das elites que conduzia os dirigentes do Vasco…” (Pereira, 2014, p. 46).

Somada a essa análise, confirmada pela ausência desse debate nos arquivos do clube, temos também a forma instrumental como o clube foi utilizado pela Ditadura de Salazar (Estado Novo – 1933-1974) como representante de uma Portugal que deu certo e representava a vitória da miscigenação levada a cabo pelos portugueses em terras colonizadas.

Além de falso, esse argumento, experimentado à época do Expresso da Vitória (famosa equipe do clube dos anos 50), forjada nas obras Gilberto Freyre, contava com a anuência dos dirigentes do clube. Na verdade, mais do que aprovação, havia um discurso efetivo de defesa da exploração Portuguesa em terras negras colonizadas.

Como exemplo, podemos destacar a defesa do processo exploratório de Portugal na África e, principalmente, quando estes mesmos dirigentes, em 1954, defenderam a soberania lusa na Índia (2014, p.51). Ou seja, não havia, como não há, uma luta contra o racismo, contra exploração da população negra ou qualquer que seja ação contra esse movimento, na medida em que todas estas questões que tangenciam a população negra, dentro e fora do país, pudessem ser desprezadas.

Mesmo com tudo isso, vale ressaltar que o fato de o Vasco ter saído da principal Liga de futebol à época, foi importante para o aprofundamento das tensões entre os clubes da “elite” carioca, da mesma forma que colocou em pauta, mais uma vez, a questão do negro no futebol, ainda que de forma secundária. Porém, importante mesmo, naquele momento, foi a perda econômica que a saída do Vasco da liga gerou para todos os clubes.

Enfim, por tudo que foi analisado, não havia, por parte dos clubes e da liga, nenhuma disposição em lutar pela comunidade negra, ou mesmo apresentar aproximações, soluções e propostas que pudessem gerar transformações para essa parte da população e, efetivamente, servisse como base para o argumento de luta, tão recuperado pelo clube.

Na verdade, bem diferente do que se espera de um clube que se impõe pioneiro na luta contra discriminação, devemos lembrar o ocorrido em 12 de outubro de 1933, quando o primeiro diretor de esportes terrestre do clube, Rubens Espozel, em assembleia de diretoria, pede para que noticie os jogadores Fausto do Santos e Moacyr Queiróz (Russinho), dois grandes craques do clube, que não poderiam ingressarem em locais reservados aos sócios do clube[6].

Fausto
Itália e Fausto, dois atletas do Vasco que defenderam a Seleção Brasileira na Copa de 1930. Foto: Reprodução CBF / Arquivo CR Vasco da Gama

Sobre tudo isso, insisto que a história da luta contra o racismo no futebol ainda será escrita. Por enquanto, a retórica é a principal marca disso tudo. Mesmo Mario Filho, que registrou em seu livro, que o “Vasco, clube da colônia, seguia a boa tradição portuguesa da mistura”, registrou também que “O Vasco não fazia pretos: para o preto entrar no Vasco tinha de ser já bom jogador. Entre um branco e um preto, os dois jogando a mesma coisa, O Vasco ficava com o branco. O preto era para necessidade, para ajudar o Vasco a vencer”[7].

Frantz Fanon, em “Pele negra, máscara branca”, diz ter revirado a antiguidade negra e ficado ofegante. Esse processo, completa, permitiu-lhe reencontrar uma categoria histórica válida, onde ele não era mais um primitivo, tampouco um meio-homem. É sobre essa perspectiva que encarei o desafio de revirar a história do negro no futebol, mas sobretudo da luta contra o racismo nesse esporte, a fim de ajustar os lugares postos nesse enredo.

A experiência negra é múltipla. Mais do que isso, deve ser, a partir do que tratamos por ora, protagonista de todos os seus movimentos. Constatamos o inverso daquilo que nos ofereceram as histórias brancas. Afinal, foram os jornais, revistas, documentos institucionais e livros, escritos por eles, que pautaram durante muito tempo nossos olhares. Precisamos descolonizar também nossa perspectiva de luta contra o racismo no esporte.

Nesse processo de mergulho, percebemos a irrealidade, também vista em Fanon, de muitas proposições que tínhamos absorvido como verdades. O mito foi enfrentado e, com isso, podemos avançar a passos largos de uma compreensão mais justa e verossímil.

Precisamos, enfim, tratar do combate ao racismo com mais honestidade, profundidade e, sobretudo, conhecimento. Confiamos que um debate sério, em que esteja presente todas estas características, possa trazer avanços reais para toda a sociedade, em especial, claro, para toda a comunidade negra.

Se de um lado, a luta contra o racismo não foi e não é uma prioridade para as instituições esportivas. Visto que, diante da dificuldade, principalmente financeira, e de movimentos que tendem a demover as estruturas, são os primeiros projetos a perderem apoio. Por outro, no campo da retórica oportunista, a superficialidade no trato com o tema persiste, criando representações que obliteram as complexas vivências negras e, sobretudo, acabam por virar produtos comercializáveis a produzir lucros apenas para o mesmo grupo de homens brancos.

Enfim, a partir de um passado mal contado e de ações bem limitadas, seguimos assistindo o racismo no esporte atingir os corpos negros sem compaixão. Na mesma linha de Laurentino Gomes, acredito que os clubes brasileiros deveriam rever as suas posições no debate, nas articulações e, principalmente, nas ações e escutas que, doravante, forem pautar sobre o racismo. Do contrário, seguiremos parados num passado inexistente e numa luta que nunca passou da primeira página.

Notas

[1] Ver em: https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/escritor-e-atacado-por-defender-desculpas-de-portugal-por-escravidao

[2] Para aprofundar no tema, ver: PINTO, Ricardo. História, conceitos e futebol: racismo e modernidade no futebol fora do eixo (1889-1912). 1Ed. Curitiba: Appris.2020.

[3] Para aprofundar no tema, ver: PINTO, Ricardo. Tensões na consolidação do futebol nacional. In História do Esporte no Brasil: do império aos dias atuais. DEL PRIORE, Mary. ANDRADE DE MELO, Victor (Orgs). São Paulo: Editora UNESP, 2009. Págs. 179-212.

[4] O documento: Oficio nr 261, enviado no dia 7 de abril de 1924, pelo Sr. José Augusto Prestes (Presidente do Clube), para o Sr. Dr. Arnaldo Guile, Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.

[5] Ver artigo completo em: http://www.seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/42863

[6] Actas da Sessão da Directoria do Vasco da Gama, 12 de outubro de 1933. O Debate sobre as questões econômicas, central para o entendimento do caráter secundário da raça e do racismo, estão muito bem desenvolvidos na Tese do historiador João Manuel Casquinha Malaia Santos, Revolução Vascaína: a profissionalização do futebol e a inserção sócio-econômica de negros e portugueses na cidade do Rio de Janeiro (1915-1934), apresentada ao Pós-Graduação em História Econômica do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

[7] FILHO, Mario. O Negro no Futebol Brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2003. p. 120.

Bibliografia

FANON, Frantz. Pele Negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA,2008. P11-17.

FILHO, Mario. O Negro no Futebol Brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2003.

MALAIA, João Manuel Casquinha. Revolução Vascaína: a profissionalização do futebol e a inserção sócio-econômica de negros e portugueses na cidade do Rio de Janeiro (1915-1934). Tese de Doutorado apresentada à Pós-Graduação em História Econômica do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. São Paulo. 2010.

MBEMBE, Achille. Necropolítica, N-1 Edições – 7 reimpressão. São Paulo, 2020.

PEREIRA, Victor. Futebol português nas Américas, anos 1890-1960. in: MELO, Victor Andrade de, PERES, Fabio de Faria, DRUMOND, Maurício. Esporte, cultura, Nação, Estado – Brasil e Portugal, 1 ed – Rio de Janeiro: 7 Letras, 2014.

SANTOS, Ricardo Pinto. HISTÓRIA, CONCEITOS E FUTEBOL: racismo e modernidade no futebol fora do eixo (1889-1912). 1 ed. Curitiba: Appris, 2020.

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Ricardo Pinto

Doutor em História Comparada - PPGHC - UFRJ - autor de diversos livros, dentre eles: ENTRE RIVAIS - Editora MAUAD.

Como citar

SANTOS, Ricardo Pinto dos. Pretos, não te enganes, no esporte nenhum branco lutou por ti. Ludopédio, São Paulo, v. 147, n. 1, 2021.
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