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Primórdios e consolidação do Grêmio: uma breve história do “Imortal Tricolor” (segunda parte)

Vinícius Triches 16 de junho de 2021

Qual o impacto da construção do Estádio Olímpico para a história do clube? Em qual década consolida-se como um dos gigantes do futebol brasileiro? Quais os principais ídolos que marcaram a grandiosidade tricolor nesse período dourado e nas décadas posteriores?

O Grêmio (2021) menciona que a continuidade do processo de modernização do clube se dará no dia 19 de setembro de 1954, com a inauguração do Estádio Olímpico, em jogo realizado contra o Nacional do Uruguai (o mesmo de cinco anos antes), com vitória de 2 a 0 (dois a zero). A construção do novo estádio tornou-se necessária para que o clube pudesse receber um número maior de torcedores em uma estrutura mais moderna, bem como melhor acolher os adversários do país e do exterior que viessem jogar em Porto Alegre e também para servir de apoio para as novas exigências de preparação física e treinamento tático e técnico do time.

O novo estádio será palco de expressivas vitórias e conquistas nas décadas posteriores, com a conquista do pentacampeonato gaúcho de 1956 a 1960, e o heptacampeonato de 1962 a 1968, período em que foram somados 12 (doze) campeonatos estaduais em 13 (treze) disputas. Tais êxitos tem relação com a afirmação da identidade do “estilo gremista de futebol”, com foco em força e objetividade.

A década de 1960 também é pródiga para a participação em competições que extrapolavam as fronteiras estaduais, período em que o Grêmio vence o Campeonato Sul-Brasileiro em 1962 e a Copa Río de La Plata no ano de 1968, este último o seu primeiro título internacional oficial.

Já contando com destaque mais expressivo no cenário nacional, começa a cada vez mais fornecer jogadores para a Seleção Brasileira, situação essa que tem o seu auge no ano de 1970, quando o lateral-esquerdo Everaldo Marques da Silva se tornou o primeiro jogador de um clube gaúcho a ser campeão mundial de seleções nacionais na Copa do Mundo realizada no México. A homenagem a Everaldo está até hoje na bandeira oficial do clube através de uma estrela dourada lá colocada.

Com a reconquista da hegemonia no futebol gaúcho (após oito títulos seguidos do Internacional) no ano de 1977 e a conclusão do anel superior do Estádio Olímpico no início dos anos 1980, o clube volta a recuperar fôlego para novas conquistas, momento este que alcança êxitos de caráter nacional e internacional, o que vai consolidar o mesmo como um dos maiores clubes de futebol do mundo.

Torna-se campeão brasileiro de clubes no ano de 1981 (título repetido no ano de 1996), pentacampeão da Copa do Brasil (1989, 1994, 1997, 2001 e 2016), tricampeão da Taça Libertadores da América (1983, 1995 e 2017), bicampeão da Recopa Sul-Americana (1996 e 2018) e campeão do Mundo de Clubes em 1983, contra o Hamburgo da Alemanha. É também deste período que se inicia nos anos 1980 a conquista do Supercampeonato Brasileiro, alcançado no ano de 1989, e da Copa Sul, em 1999, bem como de diversas conquistas no campeonato estadual.

Grêmio
Time campeão do mundo de 1983 posa antes do jogo contra o Hamburgo (Alemanha). Foto: Reprodução Twitter

A conquista destes expressivos títulos leva a consagração de novos ídolos como Baltazar, “O Artilheiro de Deus”, responsável pelo gol do primeiro título nacional, e de Renato Portaluppi, o autor dos dois gols na final do Mundial contra o time alemão, bem como de jogadores que, apesar de não terem feitos gols decisivos como os dois primeiros, foram responsáveis por dignificar o uso da camisa tricolor nas citadas conquistas. Dentre tantos que poderiam ser destacados, podem ser citados atletas como Hugo De León, Mazaropi e Tarciso, campeões nas conquistas de 1983, a dupla de atacantes Jardel e Paulo Nunes, campeões em 1995 juntamente com atletas como o volante Dinho, o lateral Roger Machado e o goleiro Danrlei. Todos os títulos citados são alcançados em gestões do presidente Fábio André Koff.

Entretanto, é deste período também algumas das maiores derrotas da história do clube, sendo estas os rebaixamentos para a Segunda Divisão do futebol brasileiro nos anos de 1991 e 2004. O retorno a Primeira Divisão acontece já no ano posterior, com foco para a chamada “Batalha dos Aflitos”, no ano de 2005, onde se sagra campeão nacional da Segunda Divisão em jogo que vence com apenas 7 (sete) jogadores em campo, situação inusitada para o futebol mundial. É neste momento que se reforça uma de suas principais alcunhas: dado a feitos épicos e surreais em campo de jogo, acaba por se denominar, por parte de sua torcida, como o “Imortal Tricolor”.

Nos anos posteriores à 2005, volta a ter representatividade no futebol brasileiro e sul-americano, com excelentes campanhas no campeonato brasileiro e na Libertadores da América, mas não consegue atingir os títulos, com exceção para os recentes anos de 2016, quando se sagra novamente campeão da Copa do Brasil, após quinze anos sem conquistas nacionais relevantes, bem como 2017 (conquista da Taça Libertadores) e 2018 (Recopa Sul-Americana).

É também deste período mais recente a inauguração do novo estádio do clube, a Arena do Grêmio, em parceira com uma construtora, com jogo inicial no dia 08 de dezembro de 2012, sendo este um dos mais modernos estádios da América do Sul e do mundo. O placar do jogo foi 2 a 1 (dois a um) para o Grêmio, que venceu o alemão Hamburgo, mesmo rival da final do Mundial de 1983.

 

Bibliografia

GRÊMIO FOOT-BALL PORTO ALEGRENSE. História do Grêmio Porto Alegrense. Acesso em: 18 jan. 2021.

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Vinícius Triches

Bacharel em Ciências Econômicas e Mestre em Economia. Doutorando em Psicologia Social, com a tese desenvolvida na área da "Identidade Social, Representações Identitárias, Torcidas de Futebol e dupla Gre-Nal". Atualmente também cursa Licenciatura em Sociologia.

Como citar

TRICHES, Vinícius. Primórdios e consolidação do Grêmio: uma breve história do “Imortal Tricolor” (segunda parte). Ludopédio, São Paulo, v. 144, n. 28, 2021.
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