A dança é muito utilizada entre atletas e torcedores de futebol como metáfora de jogadas ensaiadas e malandragens durante uma partida. Um vídeo compartilhado abundantemente do jogador de futebol Salah Mohamed, no qual ele simula a dança do ventre, virou chacota entre a comunidade. Vestido com trajes específicos para a prática e ao som da música, ele mexe o seu corpo e faz da dança a própria metonímia do ato.

Salah
Salah é carregado por torcedores após a classificação do Egito para a Copa da Rússia. Fonte: Reprodução/ Twitter

O público que também é torcedor e entusiasta das bolas nos pés, não está acostumado com o objeto principal partir apenas do corpo, sem uma extensão a ele. Por isso o estranhamento. Salah do Egito é um gênio do futebol e seu nome é afortunado de talentos. Na carruagem e levantando o mesmo título, encontramos Salah Benlemqawanssa, mais conhecido como Spider Salah (@spidersalah1979). O dançarino é a definição da palavra artista segundo muitas pessoas que o acompanham.

Salah hoje é reconhecido oficialmente como uma das maiores influências do Popping e das danças que nasceram no contexto do Hip Hop e das Funk Styles. Ele é um dos artistas mais vistos no Youtube ao redor do mundo. É uma superestrela que iniciou seus treinos, como se diz, nos campinhos de asfalto. Era um artista de rua e hoje se consagra como um dos grandes nomes no universo das danças.

Seu currículo é vasto e chama atenção. Assim como o Mohamed que passou pelo Chelsea, Fiorentina, Roma e Liverpool; Salah Spider foi dançarino protagonista na Michael Jackson Immortal World Tour do Cirque du Soleil, venceu diversos programas de talentos na tv e foi campeão dos maiores eventos de batalhas do mundo (como o Juste Debout, FunkinStylez, entre outros). Salah é um gênio e isso nós estamos acostumados a dizer. Seja na dança ou no futebol, os craques se destacam. Seja pelo seu nome ou pela maneira de mexer o corpo. Salah é o cara e isso é um fato.

Salah
Fonte: reprodução ProDance

A dança sempre esteve presente nos campos de futebol. Ela surge nos momentos mais divertidos, de excitação e espontaneidade do corpo. O atleta vibra o seu gol e faz uma dancinha. Esse ato viraliza, leva artistas e passos dançantes ao olhar dos torcedores e atletas. No estádio, a dança com o corpo é uma brincadeira e, para os atletas, o jogo é a coisa séria.

Dança é coisa séria com brincadeira, eu diria. Em 2009, em um evento chamado Battle Of The Year aqui no Brasil, mais precisamente em Campinas (SP), prestigiei o showcase do Salah. Era brincadeira com coisa séria. Todo mundo se deslumbrava. A cada passo, ou jeito elástico de mexer o corpo e ludibriar quem estava assistindo. Foi mágico, foi como um gol aos 45’ do segundo tempo. Foi encantador. O Salah fez com que nós, público, nos transformássemos em torcedores. A cada truque com o corpo era um riso que saia, um espanto que aparecia, uma admiração cada vez maior que se formava. Nesse dia, foi feito naquele palco um espetáculo como acontece nessas partidas em que o time que ninguém esperava vira campeão. A dança virou metáfora e metonímia. E o Salah segue sendo gênio com bola no pé ou não.

Caso queira ver a performance que assisti naquele dia, é a mesma desse vídeo aqui: 

 

 

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Gabriela Alvarenga

Antropóloga | Mestranda em Antropologia Social  | Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos. Pesquiso e me interesso pelas temáticas dos estilos de vida da juventude, danças (sobretudo Popping e Breaking), corporalidades, festas e  práticas esportivas.

Como citar

ALVARENGA, Gabriela. Salah, o gênio!. Ludopédio, São Paulo, v. 157, n. 30, 2022.
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