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“Se juega como se vive”: o futebol colombiano nos anos 90

Fabio Perina 30 de setembro de 2021

Antecedentes

Entre os anos 40 e 50 houve na Colômbia uma situação muito particular em que futebol e política se cruzaram. Com uma violenta guerra civil incitada pelos dois partidos oligárquicos (liberais e conservadores) armando milícias camponesas para dividir a categoria. Um episódio tão brutal por ter ficado conhecido simplesmente como “La Violencia” (um espectro que ronda se misturar com o futebol nas próximas décadas, conforme veremos). Vale mencionar dois fatores importantes que desde então perduraram por décadas: no âmbito interno, a reação dos conservadores às insurreições liberais foi criar os primeiros grupos paramilitares; e no âmbito externo, a Colômbia foi o único país do continente a enviar tropas militares para a guerra da Coréia, iniciando a sua doutrinação pelos interesses norte-americanos.

Foi então que uma iniciativa agradou simultaneamente políticos e dirigentes: profissionalizar o futebol criando a liga clandestina “El Dorado” ao atrair os melhores jogadores estrangeiros com altos salários acima dos demais torneios regulares. Esse êxodo, ao contrário do que esperaria a imprensa, fortaleceu a paixão dos colombianos pelo futebol, deixando explicito o quanto a identidade que possuem os torcedores do país por esse esporte até os dias atuais. A guerra continuou de forma simbólica nos estádios durante as partidas, mas foi efetiva ao objetivo inicial por reduzir as tensões da população e até mesmo compensar alguns de seus traumas. Totalmente ao contrário de outros países, em um sentido profundo foi o futebol que compensou o atraso trazendo a modernidade ao invés da modernidade ter trazido junto o futebol (QUITIÁN, 2013). Porém também com a contradição que os clubes sequer podiam se beneficiar com as bilheterias das partidas, pois eram expropriados pelos ‘caudillos’ regionais liberais e conservadores, quem por decreto passaram a ser donos dos estádios. Por isso a maioria dos clubes que hoje são considerados grandes precisou ao longo dos anos 50 interromper suas atividades por alguns anos e depois tiveram um endividamento endêmico, além de vários outros clubes que definitivamente faliram. Em suma, o fenômeno “El Dorado” causou tanto tumulto quando começou quanto quando terminou.

Millonarios El Dorado
Equipe do Millonarios no período El Dorado. Foto: Reprodução Twitter

Já nos anos 80, novamente fortes contradições se abriram entre futebol e política. Foi a década de massivos investimentos dos narcotraficantes em clubes de futebol. Uma soma entre a negligência do Estado em fiscalizar com a conveniência mútua entre traficantes para lavar dinheiro e dirigentes para uma solução imediata e milagrosa para as dívidas. Em contraste com o restante do continente fragilizado pela dívida externa, esse imenso aporte ilegal ao mesmo tempo elevou de patamar a competitividade do futebol colombiano tanto em clubes como logo depois na seleção, porém também “levou mais água ao moinho” da violência política generalizada, e inclusive a tornando espetacularizada à opinião pública mundial. Um fato impactante tanto para o futebol como para a política foi a declaração do presidente Belisario Betancur (quem também foi o primeiro a tentar negociar acordos de paz com as guerrilhas) desistindo de sediar a Copa do Mundo de 86. Diante de uma lista de encargos da FIFA de Havelange com uma megalomania que exigiria transformar o país em um imenso “canteiro de obras”!. Alegando direcionar os escassos recursos públicos para necessidades muito mais concretas da população. Um raro gesto de austeridade em uma década de um futebol colombiano cheio de luxúria. O desfecho da questão foi rapidamente o improviso da FIFA ao transferir a sede para o México aproveitando a boa estrutura ainda existente desde a edição de 70. Em suma, no âmbito interno infelizmente sequer se cumpriu a promessa de garantir recursos para direitos sociais; mas no âmbito externo felizmente esse foi um marco de boicote a um “megaevento” quando tal termo ainda nem se cogitava popularizar. (Obs: embora nesse caso uma decisão governamental isolada diferente de casos recentes com protagonismo de movimentos sociais)

Curiosamente foi no continente a seleção colombiana que teve durante décadas os uniformes mais aleatórios e carnavalescos! Justamente em 86 que adotou nova camisa (com as cores da bandeira amarelo, azul e vermelho), e claro, nova identidade para abrir o grande ciclo vitorioso. O principal responsável foi o treinador Francisco “Pancho” Maturana (também chamado de “El Filósofo”, por imortalizar pérolas como: “se juega como se vive”), junto de seu assistente Hernan Dario “Bolillo” Gomez. Era a nova escola conhecida por “rosca paisa” ao experimentarem no Atlético Nacional construir uma equipe ofensiva conhecida como “puros criollos”. Ou seja, apenas jogadores colombianos, em contraposição ao América de Cali que foi o maior vencedor da década apostando alto em craques estrangeiros. Uma aposta de risco, afinal em um país culturalmente tão regionalizado ao privilegiar os jogadores de um clube para a seleção isso gerou inicialmente muitas críticas fora de campo. Mas dentro de campo os resultados de ambos foram muito promissores no final da década: 3º lugar na Copa América de 87 e principalmente o título da Libertadores de 89 com o clube “verdolaga”. Aliás, o primeiro título continental de um clube de fora do Mercosul.
Mas também muitos problemas que vinham de fora para dentro de campo, vide em 88, a intervenção de narcotraficantes era tanta que em um Millonarios x Cucuta o “capo” do modesto clube visitante ordenou primeiro que seus jogadores se trancassem o vestiário no intervalo e depois que fizessem “cai-cai” em campo para suspender a partida por insuficiência de jogadores! (Ironicamente os dois clubes fizeram dias antes uma campanha de fair play). Uma bomba prestes a estourar veio com um episódio trágico: o assassinato do árbitro Alvaro Ortega logo após uma partida entre América e Medellin e o imediato cancelamento do torneio nacional em 89 (sendo que há no futebol colombiano um largo histórico de agressões e até ameaças de morte a árbitros). O que impacto com a perda de mandos de campo dos clubes colombianos nas Libertadores seguintes: com o Atlético Nacional tendo que jogar no Chile em 90 e o próprio clube junto do América de Cali tiveram que jogar na Venezuela e nos Estados Unidos em 91. Aliás, foram as primeiras partidas do torneio fora da América do Sul.

Pablo Escobar
Pablo Escobar é acusado como um dos possíveis mandantes do assassinato de Ortega. Foto: Reprodução

Anos 90

A década recém começou com a Copa do Mundo de 90, na Itália, e a Colômbia avançou da fase de grupos após um empate de 1 a 1 com a futura campeã Alemanha, em grande jogada de Valderrama e finalizada por Rincón. Rondón (2014) interpreta o impacto profundo na identidade nacional ao afirmar que esse 1 a 1 se somou ao antigo 4 a 4 contra a recém campeã europeia União Soviética (na Copa do Mundo de 62, no Chile) como os dois resultados mais celebrados pela seleção colombiana até então. Pois a soma de fracassos no futebol e problemas sociais ininterruptos fazem um empate contra uma equipe grande ter sabor de vitória. Porém ao avançar de fase foi eliminada por outra equipe surpreendente daquele torneio: Camarões de Roger Milla.
Para o público brasileiro a melhor geração colombiana teve como protagonistas marcantes como o goleiro René “Loco” Higuita, os meias Freddy Eusébio Rincón e Carlos “Pibe” Valderrama e o atacante Faustino “Tino” Asprilla. Mas também vários outros convocados coadjuvantes levavam apelidos bem curiosos como prova da informalidade da cultura futebolística no país: ‘tren’, ‘gambeta’, ‘turbina’, ‘guarijo’, ‘mísil’, ‘chonto’, ‘coroncoro’, ‘bombardero’, ‘carepa’ e ‘barrabás’! Apelidos e comemorações irreverentes aproximam o futebol colombiano do brasileiro. Vide tanta intimidade na geração dos 90 que se chamam uns aos outros apenas por apelido ou primeiro nome, principalmente nas recentes participações como comentaristas de programas esportivos e entrevistas diversas (como Oscar Córdoba, Bermudez, Serna, Asprilla e, claro, o sempre espontâneo Valderrama; quem dentre eles é de longe o mais irreverente nas várias declarações e até mesmo chegou a estrelar um filme de paródia de faroeste “Por um puñado de pelos”).

E por falar em paródia, o vídeo a seguir mostra alguns desses grandes personagens em um “camarín” (vestiário) bem polêmico conforme veremos mais adiante: https://www.youtube.com/watch?v=HQ-_Ki69BCc

Após a euforia na Copa do Mundo de 90, uma rápida “aventura” para seus protagonistas: Maturana dirigiu o Valladolid-ESP e levou junto Higuita, Leonel Álvarez e Valderrama em uma curta temporada fracassada. Logo depois, “Bolillo” foi campeão nacional no Nacional em 91 (em um ataque poderoso com Asprilla e Aristizábal) e “Pancho” campeão nacional no América em 92.

Desses dois clubes (e junto também o Junior), que se formaria a base nos anos posteriores, nos quais novamente a seleção esteve entre os 4 melhores da Copa América, porém sem título, em 91 e 93. Ainda em 93, veio o momento mais impactante do 5-0 na Argentina em pleno Monumental de Nuñez. Uma goleada já contextualizada dentro de campo, mas fora de campo falta entender porque o resultado mais comemorado também foi o mais dramático. Uma catarse coletiva horas depois da partida com uma mistura explosiva de álcool, drogas, armas, acidentes de trânsito e “riñas” levou a um saldo estimado de 80 mortes e mais de 700 feridos em todo o país! Continua Rondón (2014), surge um forte símbolo de “colombianidad”, no qual desde então até os dias atuais a cada vitória importante esse tipo de distúrbio ficou banalizado, porém nenhum chegou à intensidade que o 5-0 chegou. Inclusive esse evento permite pensar em profundidade um certo “mito fundador” (tão simplista como questionável) que tanto naturaliza essa maneira de comemorar como única dos colombianos como também trata de forjar uma narrativa do futebol como algo “puro”, porém invadido pela violência que vem da sociedade “lá de fora”. Questionável por banalizar a violência como se difundindo dos campos para as arquibancadas e para as ruas como se fosse um rastro de pólvora “inevitável” e que dispensasse maiores explicações…

Por isso que esse mito tem seu próprio bode expiatório: o conhecido assassinato do zagueiro Andrés Escobar após o gol contra que custou a eliminação menos de um mês depois na Copa do Mundo de 94, nos Estados Unidos. Embora menos conhecidos sejam os casos de grande número de jogadores (e também dirigentes) daquela geração dos anos 80/90 que tiveram outros sérios problemas de prisões e mortes relacionados com crimes. Em 93, o goleiro Higuita perdeu a posição para Oscar Córdoba por estar preso durante meses acusado de colaborar com um sequestro. Tempos depois de se aposentarem, Rincón e Asprilla (ambos com passagens por clubes brasileiros) tiveram uma breve passagem presos por vínculos com negócios ilícitos. Além de Asprilla ser sempre lembrado que sua carreira na Europa poderia ter sido bem melhor se as noitadas, fofocas de relacionamentos e os acidentes de automóveis não tivessem atrapalhado.
Outros assassinatos recordados de jogadores depois do seu auge foram de “Palomo” Usuriaga (quem marcou o gol da classificação mundialista de 90 e depois ídolo no Independiente-ARG) e Martin Zapata (quem perdeu o pênalti decisivo na final Palmeiras x Cali da Libertadores 99; assim como outro batedor daquela final, Gaviria, foi morto por um raio durante treinamento!). Evidente que polêmicas não faltaram, dentro e fora de campo, como uma das maiores delas que foi a comemoração de um gol pela seleção do artilheiro Anthony “Pitufo” De Ávila em homenagem aos traficantes irmãos Orejuela (do cartel de Cali) em solidariedade por estarem presos. O fato ocorreu em partida das Eliminatórias de 98 contra o Equador, dirigido justamente por Maturana naquele momento. Até o goleiro Higuita disparou em sua defesa nesse caso, dizendo ser hipocrisia da sociedade em que todos os setores “transaron” com os traficantes, porém apenas um jogador acaba vítima de sua visibilidade. (Obs: por incrível ironia, poucos dias antes do lançamento dessa crônica o ex-atacante esteve preso na Itália por porte de drogas!)

(Obs: após esses casos com jogadores, alguma menção às principais tragédias envolvendo torcedores: em Bucaramanga (com intervenção militar) em 81, no clássico de Cali em 82 e até na péssima organização do torneio de pré-temporada de Soacha em 2000. Outra ocorrência muito polêmica envolvendo o dentro e o fora de campo foi no recente ano de 2009. No insólito caso de um jogador do Cali que foi hospitalizado após seu ônibus, com escolta policial de apenas uma moto, ser apedrejado por hinchas do Millonarios, a partida se desenrolar normalmente e ele 2 anos depois ser ídolo no clube capitalino!).

Tratando do dentro para o fora de campo, por coincidência a morte do zagueiro Andres Escobar no mesmo ano da morte do traficante Pablo Escobar levou a abalos no futebol e na sociedade. O narcotráfico não terminou apesar do fim da era dos narcotraficantes mais midiáticos, mas apenas se fragmentou. Quando caiu o cartel de Medellín e pouco depois o cartel de Cali. E com isso acabaram pouco a pouco os fartos investimentos nos clubes colombianos. Ainda assim as finais de Libertadores jogadas pelo Nacional (95) e América (96) eram o fim de uma era. Ao mesmo tempo que a narrativa catastrófica do futebol vítima dos narcotraficantes foi sendo adaptado a um novo bode expiatório: as recém criadas barras bravas. Assim como um sujeito já presente que passou a ter sua influência mais visibilizada que era as FARCs. Vide que essa organização guerrilheira ao atingir seu auge na década de 90 usou o futebol como instrumento de negociação na Copa América de 2001, mas depois o usou como inspirador de uma cultura de paz uma década depois na lenta preparação das negociações de desarmamento com o governo. Tanto é que em seus acampamentos algumas das principais distrações eram escutar pelo rádio alguma partida importante da seleção ou até mesmo desenvolverem seus próprios clubes para jogarem entre si e divulgarem a causa. 

Voltando ao dentro de campo, já na seleção colombiana a era da “rosca paisa” entraria em seu terceiro ciclo mundialista seguido, dessa vez com o assistente “Bolillo” Gomez dirigindo na Copa do Mundo de 98, na França, após “Pancho” Maturana ter dirigido em 90 e 94. (Obs: “Bolillo” recentemente alcançou uma importante marca ao classificar três seleções diferentes para a Copa do Mundo: Colômbia em 1998, Equador em 2002 e Panamá em 2018). Mais uma vez valeu a máxima “se juega como se vive”, pois as derrotas dentro de campo foram sendo elaboradas fora de campo com a bagunça geral. Em 94 a euforia após o 5-0 era tanta que o aspecto esportivo foi para segundo plano diante do aspecto espetáculo: se jogaram muitos amistosos de exibição e “caça-níqueis” por diversas partes do mundo contra adversários duvidosos. O desdém era tanto que correm rumores que Maturana desprezou estudar os adversários antes das partidas; além de outro erro infantil do “professor” ao já ter acertado um pré-contrato com o Atlético de Madri antes do mundial. Assim como ao desembarcarem nos Estados Unidos o que deveria ser concentração e treinamento foi explorado como uma festa permanente para turistas, jornalistas e todo tipo de “puxa saco”. (Obs: Vide uma “prévia” dessa recorrênca na década na Olimpiada de 92, dirigida por Bolillo, os jovens talentos esgotaram os estoques de alimentação da vila olimpica!) Após a derrota na estreia para a Romênia, um treinador impotente sequer a “blindar” o vestiário diante de tantos oportunistas se viu ameaçado por traficantes obrigando-o a mudar a escalação antes da derrota seguinte para os Estados Unidos que consumou a eliminação.
Se na Copa de 94 sobrou tensão e também bagunça, para a Copa de 98 a troca de um treinador de estilo mais “professoral” para outro mais “explosivo” em nada ajudou a evitar que a bagunça fosse ainda maior! Houveram rumores que o grupo estava rachado em “igrejinhas” dos referentes: Valderrama, Rincón e Asprilla. Uma geração tão talentosa quanto incapaz de lidar com a pressão de superar o fracasso de expectativa no mundial anterior de 94. Justamente Asprilla abandonou o elenco logo após a derrota na estreia, novamente contra a Romênia. Logo após a eliminação, novamente na fase de grupos, virou um “cabaret” de vez com bagunça do vestiário afetando outros sujeitos: com o sumiço de milhares de ingressos fornecidos de cortesia pela FIFA que a federação colombiana não soube explicar e sobretudo declarações bombásticas na imprensa por parte dos principais referentes jogadores e treinadores. “Bolillo” Gómez teve que depor no parlamento nacional para explicar suas decisões derrotadas quanto a convocações e escalações. Até Maturana que estava na seleção do Equador no momento também se manifestou.
Nos meses seguintes sequer se reencontrou tranquilidade com os treinadores Alvarez em 99 e Garcia em 2000, com mais discussões com dirigentes e com os principais “figurões” do elenco. Vide em 99, Mondragón e Bermudez, dois companheiros no mundial do ano anterior, tiveram forte discussão em programa de televisão sobre ser contra ou a favor do técnico de turno. Assim como os desastres dentro de campo no ano 2000 com seleções alternativas: perder de 9 a 0 para o Brasil no Pré-Olímpico e perder a final para o Canadá na Copa Oro da Concacaf. (Obs: outra curiosidade que reuniu “Pancho” e “Bolillo”, assim como o goleiro Higuita, foram posteriores experiências de poucos meses na política eleitoral. O que sugere que a baixíssima legitimidade da política precisa tentar se apoiar no futebol)

Francisco Maturana
Francisco Maturana em 2017. Foto: Wikipédia

Pós-90

Em 2001 houve uma alegria solitária da conquista da Copa América em meio a duas décadas de decepções (inclusive com o treinador Maturana dando sua volta por cima pessoal e entrando no seleto grupos de campeões continentais por clubes e seleção simultaneamente). O que já foi tratado em crônica anterior [EDITOR INSERIR LINK https://ludopedio.org.br/arquibancada/copa-america-2001-na-colombia-20-anos-depois/] Ironicamente a convocação de Maturana para a Copa América “limpou o camarin” ao deixar de fora vários referentes de 98 que estiveram em convocação anterior pelo próprio treinador vinham ou com problemas físicos ou com problemas pessoais: como Mondragón, Bermudez, Serna, Rincón e Asprilla. O que rejuvenesceu o plantel campeão da Copa América com promessas dos clubes locais e permitiu ao “filosofo” moldá-los à sua maneira.
Se os anos 2000 foram o desalento para o futebol e o fundo do poço na política, já nos anos 2010 foram o retorno das alegrias no futebol e alguma trégua aparente na política. No futebol, se saiu da década com 3 Eliminatórias frustradas para depois retornar a dois mundiais consecutivos (2014 e 2018) e ainda novas conquistas continentais por clubes. Já na política, foi-se do brutal Uribismo paramilitar em toda sua intensidade a depois alguma fachada de negociação dos conflitos com sua versão moderada com Juan Manuel Santos. Em suma, uma época desastrosa do governo simular negociar a paz com os guerrilheiros de esquerda, porém aumentando a guerra contra eles e na pratica negociando o perdão aos paramilitares de direita, conforme já analisei em crônica anterior. A disputa das Copas do Mundo de 2014 e 2018 teve como principal responsável um treinador estrangeiro (em processo oposto ao futebol “criollo” nos anos 80 e 90 com sua “rosca paisa” já tendo prorrogado o seu esgotamento) que veio para instituir um processo de muito trabalho e discrição: o argentino José Pekerman. Para ele ficou a lição de evitar os erros infantis dos anos 90 de constante assédio no vestiário a jogadores por uma infinidade de pessoas externas e assim prevenir o excesso de polêmicas.

Como encerramento, deixo abaixo esse clipe musical com alguma sensação de um encontro lúdico da geração dos anos 90 com a dos anos 2010 e um sonho mundialista que permanece em chama! Nele são protagonistas os referentes Iván Córdoba, Angel e Mondragón que aqui não foram citados nessa crônica. Justamente porque “se juega como se vive”, também nunca morre a esperança que em 90 minutos surja alguma redenção nacional e popular às mazelas históricas profundas (Obs: e por falar no vínculo profundo entre futebol e seu entorno social, no clipe da banda “Tres de Corazón” aparece como baterista uma liderança barrista do “Los del Sur” do Atl. Nacional. Assim como o portal de crônicas “El Cinco Cero” foi ao longo desse texto minha fonte para resgatar tantos causos folclóricos ou trágicos)

Leituras de Apoio

QUITIÁN, David Leonardo. Deporte y modernidad: caso Colombia. Del deporte en sociedad a la deportivización de la sociedad. Revista Colombiana de Sociología, v. 36, n. 1, p. 19-42, 2013.

RONDÓN, Kevin Daniel Rozo. Imaginar la nación: “5 a 0”, veinte años de monumentalización. Desbordes. Bogotá, v. 5, p. 29-39, 2014.

https://www.elcincocero.com/noticias/detalle/35-seleccion/1649-colombia-en-usa-1994-del-cielo-al-infierno

La guerra y el perdón en Colombia


https://www.elcincocero.com/noticias/detalle/58-selecciones/2333-joao-havelange-y-la-sede-de-colombia-para-el-mundial-de-1986?fbclid=IwAR3sfR0jyDUM7J-BDs0HlljR40de-xy_Ns6Jgwpkiyysa51EY8qfnOXcyLY

https://www.elcincocero.com/noticias/detalle/35-seleccion/1661-colombia-en-francia-1998-el-fin-de-una-era

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Fabio Perina

Palmeirense. Graduado em Ciências Sociais e Educação Física. Ambas pela Unicamp. Nunca admiti ouvir que o futebol "é apenas um jogo sem importância". Sou contra pontos corridos, torcida única e árbitro de vídeo.

Como citar

PERINA, Fabio. “Se juega como se vive”: o futebol colombiano nos anos 90. Ludopédio, São Paulo, v. 147, n. 47, 2021.
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