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Tite está entre a ginga e os dois toques

Luciano Victor Barros Maluly 23 de dezembro de 2019

Ao assumir o comando da Seleção Brasileira de Futebol, o técnico Adenor Leonardo Bachi, o Tite, não só recuperou, mas também manteve o prestígio da equipe canarinho. Agora, os críticos querem mais (muito mais) do comandante.

Gostaram do começo do trabalho do treinador quando daquela série de bons resultados e da classificação antecipada à Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Logo depois, ficaram desiludidos com a mudança tática na Copa, especialmente com a fraca atuação de Neymar e a insistência em manter Willian como titular. Atualmente, querem uma mudança radical no estilo de jogo implantado na equipe.

Os jornalistas e os torcedores parecem ter uma desconfiança do treinador que ajudou a seleção a não ser um problema nacional. Esses estão perdendo a paciência e, caso Tite não promova uma transformação no time, a pressão será insuportável.

Tite no primeiro treino da seleção principal masculina em Abu Dhabi, em novembro de 2019. Foto: Lucas Figueiredo/CBF.

Bons jogadores estão disponíveis, como as revelações Talles Magno (Vasco da Gama), Bruno Henrique (Flamengo), Rodrygo e Vinícius Júnior (Real Madrid), entre outros jovens atletas, como os recentes campeões mundiais sub-17. Desses garotos, renasce uma característica que poderá recuperar a imagem da equipe verde-amarela – a ginga.

No meio do ano, junto com um jornalista e pós-doutorando na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Edwaldo Costa, acompanhei um treino da Seleção Brasileira na Granja Comary, antes da Copa América. Só para constar, esse foi o dia da denúncia do suposto estupro envolvendo o atacante Neymar.

A CBF liberou 15 minutos à imprensa para assistir uma atividade de dois toques. Pensei comigo que poderia ser um tempo destinado ao drible – técnica rara na atual seleção brasileira –, com cada jogador trabalhando a criatividade em campo.

Portanto, seria interessante mesclar os garotos com o time titular que deu certo no início do trabalho de Tite. Essa decisão seria uma atitude “em tese” semelhante à tomada pelo treinador da França, Didier Deschamps. Para isso, seria necessário o retorno de Paulinho e Renato Augusto ao meio-campo (o que pode gerar críticas ao atual planejamento) e o resgate da credibilidade de Neymar (dentro e fora do campo). Do jeito que está jogando, a seleção se afasta do sonho brasileiro alicerçado na arte de driblar os problemas da vida.

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Luciano Victor Barros Maluly

Graduado em Comunicaçao social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (1995), Mestrado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (1998), Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2002), Pós-doutorado na Universidade do Minho em Portugal (2011) e Livre Docente pela ECA-USP (2016). Atua como professor e pesquisador na Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em radiojornalismo e jornalismo esportivo. È autor do livro JORNALISMO ESPORTIVO - PRINCÍPIOS E TÉCNICAS (Editora do Autor, 2017)

Como citar

MALULY, Luciano Victor Barros. Tite está entre a ginga e os dois toques. Ludopédio, São Paulo, v. 126, n. 27, 2019.
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