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Tragam a Montanha-Russa de volta

Há aproximadamente um mês, o colunista Lucas Santos publicou um (discutível) texto decretando o fim da montanha-russa são paulina. Vou pular a parte da minha reação quanto a isso e chegar ao dia de hoje, em que assumo que ele estava correto, porém não em assumir isso como algo bom. Talvez por eu ser um torcedor mais entusiasta e por gostar de grandes emoções, eu sinta falta das sensações de incertezas.

Com o fim da montanha russa são paulina decretada por Lucas há um mês, o São Paulo se tornou um trem de pilha que roda em círculos. Eu sinto falta de estar nas alturas vendo nosso time realizando grandes jogos e, em alguns momentos do ano, sentindo que podíamos enfrentar qualquer time do Brasil. Hoje, o sentimento que eu tenho é de que somos mais um time, sem potencial de jogar o futebol necessário para ganhar grandes confrontos que decidem títulos.

Porém, essa crítica não está direcionada a atletas e muito menos ao Rogério Ceni, que trouxe de volta a esperança de um time que se dedique o suficiente para ser vencedor. A crítica está direcionada a nossa diretoria de futebol. Primeiramente por ser inadmissível em 2022, um time ter tantos problemas com o Departamento Médico como o São Paulo e, além disso, não se preparar para ter um time com condição de atuar mesmo diante de um departamento médico que não recupera atletas.

Calleri
Fonte: reprodução/Sportv

Um dos grandes problemas do São Paulo de 2021 foi jogar sem Luan, que se lesionou em dois momentos do ano. Estamos chegando ao mês 7 de 2022, não conseguimos retornar Luan ao campo e novamente, não nos preparamos para estar sem Luan. Como estaríamos se o Pablo Maia não tivesse surgido com tanta maturidade? No fim de 2021, Rogério Ceni quase pediu demissão do time por não ter contratações, pedindo mais jogadores de velocidade. Esse problema não foi resolvido e ainda perdemos o único jogador do elenco que fazia essa função, nos obrigando a contratar o Marcos Guilherme no meio da temporada.

O calendário do futebol brasileiro está superlotado de jogos, o que força os atletas ao máximo e afeta a possibilidade de lesão deles. Entretanto, essa é uma dinâmica do futebol moderno ao redor do mundo e o departamento médico do São Paulo ainda não conseguiu se atualizar. Por mais que o calendário não ajude a saúde dos atletas, é obrigação de um departamento médico de futebol se atualizar às novas demandas, e o São Paulo ainda está longe dessa atualização.

Ceni está fazendo o que pode com um elenco limitado. Infelizmente, uma pessoa não é o suficiente para colocar uma instituição do tamanho do São Paulo de volta ao topo do país. Nosso treinador está há muitos meses trabalhando em condições precárias de nível de elenco. Estamos em Julho e ainda não sabemos qual é o time titular do São Paulo na cabeça do nosso treinador, não sabemos nem se em algum momento do ano ele teve o time todo a disposição para um jogo importante.

Tirando o Calleri, nenhum jogador do São Paulo atualmente se destaca no time. Isso faz com que muitos considerem o elenco tricolor forte, mas para mim faltam jogadores no elenco atual que nos levem às alturas em alguns momentos, que façam lances durante o jogo que coloquem o nível mais alto do nosso jogo em outro patamar.

O 2022 do Ceni é um excelente início, mas a evolução desse sistema não vai ser feita sozinha. Precisamos urgentemente de um planejamento que apoie a mentalidade de futebol do treinador, que nos deixe mais completo e com menos chances de falhas durante o ano. Ser São Paulino é ver o time perder forças todo segundo semestre por um planejamento falho e sem cuidado de uma instituição quase bilionária.

Atualmente estamos fadados a ser pra sempre esse time em que escritores são obrigados a escrever sobre a temporada seguinte em Julho, já que o futebol mostrado até Junho nos faz preferir esquecer que ainda temos um semestre de futebol no Brasil.

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Vitor Freire

Mestre em Educação Física na FEF-UNICAMP, amante de Esportes, são Paulino desde sempre. @vitordfreire @camisa012

Como citar

FREIRE, Vitor. Tragam a Montanha-Russa de volta. Ludopédio, São Paulo, v. 157, n. 8, 2022.
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