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Tudo ou Nada: São Paulo e o fim da década

Chegamos ao fim da década que não deixará saudades ao São Paulino. De 2011 a 2020 foram 28 eliminações em mata-mata e apenas um título com a Sulamericana de 2012. Para fechá-la com chave de ouro, no dia 30 de dezembro de 2020 fomos obrigados a assistir mais uma eliminação vindo de um São Paulo sem forças e sem soluções dentro do Morumbi contra um adversário que apostou na incompetência ofensiva tricolor para suceder. Como se não bastassem os péssimos resultados do São Paulo, o Corinthians teve talvez a melhor década de um time de futebol brasileiro da história e o Palmeiras teve um fim de década forte também. Apesar de ficar pra trás, essa nova década pode começar já nos dando alegria. Atualmente, o São Paulo tem 57% de chance de conquistar o título de Campeão Brasileiro e tem que ganhar, já que é essa porcentagem que está tirando o Diniz da hot seat[1].

Não é o suficiente jogar o melhor futebol do Brasil, se não ganha títulos com o São Paulo. A eliminação na Copa do Brasil foi muito dura e esse fim de Campeonato Brasileiro será mais duro ainda. Assistindo os jogos desses últimos dois meses, parece que quase todo time respeita o poder do São Paulo, se contenta em defender durante todo jogo e torcer por uma bola aleatória que acabe nos fundos das redes do São Paulo. O Grêmio jogou 180 minutos assim e conseguiu sair com o resultado positivo. Porém, isso vem sendo um problema e não foi só o Grêmio que sucedeu com essa estratégia, pois Corinthians e Vasco tiverem sucesso recentemente. Além disso, outros times nos deram muito trabalho, apesar de derrotados e os times que decidiram ser agressivos (como Flamengo e Atlético Mineiro) foram derrotados com tranquilidade mesmo sendo equipes mais qualificadas.

O São Paulo tem mais 9 jogos e dois meses para mostrar sua força e conquistar o Campeonato Brasileiro, sem essa demonstração Dinizismo não terá mais espaço no São Paulo. O ano de 2020 teve cinco campeonatos disputados pelo tricolor e a derrota em todos os cinco é inaceitável pelo que foi construído até agora pelo Diniz. Mérito dele em construir isso, mérito da diretoria em dar mais tempo pra ele construir isso também, mas a realidade é que esse era o trabalho que a gente esperava e se tivessem feito menos que isso, estaríamos falando hoje sobre a temporada de 2021 e quais eram os treinadores no mercado que poderiam assumir o time.

Apesar do time estar bem, o ano foi ruim. Foram quatro campeonatos, dois que o São Paulo era o maior favorito e perdeu no primeiro jogo de mata-mata. Essa dor causada pela continuação da escassez de títulos, atinge a imagem do Diniz e seu trabalho. O Campeonato Brasileiro não será o suficiente para o Diniz cair na graça dos São Paulinos, mas será o suficiente para ele continuar no processo. Com 57% de chance e a cabeça do seu treinador em jogo, o grupo tem que trazer essa conquista pro clube. Conquista que além do troféu, vai nos dar esperança de um São Paulo gigante de novo. Essa pressão jogada em cima de uma única competição, deixa o time tricolor sem margem de erro. É vencer ou vencer! Infelizmente, os dois jogos que vieram depois da desapontante eliminação da Copa do Brasil mostraram que nosso time se submeteu a pressão.

Fernando Diniz, treinador do São Paulo. Foto: Evaristosouza83/Wikipédia.

Uma semana após a eliminação, o São Paulo entra a campo, toma dois gols logo no início e desmorona. Irreconhecível em campo, outros problemas começam a aparecer. Fernando Diniz perde a cabeça com muitos jogadores, em especial Tchê Tchê, que é expulso por dar uma cotovelada no adversário após ouvir xingamentos exagerados e desnecessários à beira do campo. A pressão pelo resultado atualmente no São Paulo, deixa todos os envolvidos com emoções a flor da pele, causando reações impulsivas e exageradas.

Sendo um treinador reconhecido pela sua habilidade de unir grupos e liderança, Diniz foi responsável por contornar a situação e deixar o time concentrado em vencer o próximo jogo. Quando chegou o jogo, não vimos um time que tinha superado a eliminação e o jogo anterior. Com sua filosofia posta e bem seguida, foi incapaz de superar uma defesa bem postada mais uma vez. Nesse jogo vimos jogadores pouco confiantes para realizar as ações, tornando-as previsíveis e menos efetivas. Vimos nossos atacantes sendo extremamente ineficientes, característica que fez o São Paulo decolar no campeonato. Qual a diferença do São Paulo antes do natal pro São Paulo de agora?]

A responsabilidade é gigante e existe muita pressão em torno desse campeonato. Não conquistar o campeonato pode significar perda de emprego e prestígio para muitos do elenco. Contudo, futebol não é lugar para os que se submetem a essa pressão. O título precisa vir agora ou para muitos, não haverão mais chances. Sem esse título, voltaremos ao nosso lugar no Trono dos Bobos, esperando pelos próximos times para ter esperança.

 

[1] Nomenclatura americana utilizada para treinadores que estão prestes a serem demitidos com mais resultados ruins.


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Vitor Freire

Mestre em Educação Física na FEF-UNICAMP, amante de Esportes, são Paulino desde sempre. @vitordfreire @camisa012

Como citar

FREIRE, Vitor. Tudo ou Nada: São Paulo e o fim da década. Ludopédio, São Paulo, v. 139, n. 22, 2021.
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