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Andrew Jennings

Ano

2015

Formato do vídeo / especificação

HD

Duração

83 min.

Produtora

TV Cultura

País

Brasil

Sinopse

O jornalista britânico Andrew Jennings começou a sabatina do Roda Viva contanto um pouco da sua carreira no jornalismo. “Sou um jornalista investigativo, tenho que tomar cuidado com o que digo, por isso eu pesquiso muito. Minha experiência com a máfia italiana em 1980 me fez pensar sobre as federações. No caso da FIFA (Federação Internacional de Futebol), como uma instistituição tem tantos adeptos, com 209 associados, que são leais assim, igual uma máfia? E as semelhanças não param por ai”. Jennings se disse feliz com o que viu na Copa do Mundo do Brasil, quando a polícia conseguiu desmantelar um esquema de venda de ingressos, coisa que em outros países parece ser ignorada pelas autoridades. “Parabéns as autoridades do Rio (de Janeiro) por expor o que eu chamo de ‘ponta do iceberg’. Eu espero que os policias tenham recursos e prossigam nas investigações, até chegar em suas ramificações internacionais. O Brasil não ganhou a Copa, mas poderia ter uma grande vitória, desmascarando a FIFA e seu presidente”. Corrupção na FIFA O jornalista também explicou qual o motivo de todas as outras federações apoiarem e votarem no atual presidente da FIFA, Joseph Blatter. “As federações apoiam ele, pois sabem que sempre terão sua fatia no sistema corrupto da entidade. Joseph sabe como agradar todos seus associados”, conclui. Para o britânico, a forma de acabar com a corrupção instaurada na FIFA, ou em federações nacionais de futebol, é simples: “Vamos colocar tudo online, quanto gastam com os estádios, salários dos dirigentes, incluindo o Blatter”, sugere. A cerca de comentários sobre a compra do direto de ter a Copa em territórios brasileiros, Jennings alerta os amantes do esporte sobre a urgência para uma reforma no sistema da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). “O corrupto Blatter deu a Copa para um de seus maiores aliados, o corrupto Ricardo Teixeira e quem paga a conta são vocês (brasileiros). Mas quem elegeu o Teixeira? Vocês precisam de uma reforma do futebol aqui no Brasil, pois o Teixeira saiu, mas ainda tem seus poderes na CBF”, lamenta. Segundo Jennings, a FIFA fez de tudo quando ele começou seus ataques à instituição máxima do futebol, menos ameaçá-lo formalmente. “Eles rastrearam minhas ligações, meu e-mail, mas isso vem como parte do pacote pelo que eu faço. Minha família usa meu telefone e meu e-mail, foi bom saber que eles não se importam com isso”. João Havelange Para o jornalista, os esquemas de corrupção na FIFA começaram quando João Havelange assumiu a presidência, nos anos 70. “Antes do Havelange tomar o poder em 1974 a FIFA era corrupta, mas a proporção aumentou drasticamente. Ele trouxe a corrupção à FIFA e Blatter foi escolhido para prosseguir seu trabalho nos anos 90”, afirma. Futuro Incerto Segundo o jornalista as nomeações de Rússia e Qatar para a Copa de 2018 e 2022, respectivamente, foram compradas. “A Inglaterra não conseguiu a Copa de 2018, mesmo tendo estádios e hotéis, toda uma estrutura, mas não temos dinheiro pra pagar propina e, além disso, as auditorias são independentes, o que dificultaria o processo”, e prossegue: “mas a Copa vai pra Rússia, que tem um dos sistemas mais autoritários da atualidade e depois pro Qatar, nós sabemos que eles sabem lavar dinheiro lá”. Sobre a Copa de 2022 no Qatar, ele é ainda mais pessimista. “Ninguém quer ir ao Qatar, os fãs não querem, os clubes não vão querer. Nada contra os árabes e muçulmanos, mas o problema é a temperatura. É desumano praticar o futebol em temperaturas tão elevadas”, analisa. Jenningns ainda acha que nessa hora a FIFA pode ficar dividida: “os clubes não vão aceitar levar seus jogadores para lá e isso pode acabar com a FIFA, na questão de Blatter sempre agradar seus sócios. A Copa será feita no Qatar para agradar alguém, mas se os clubes boicotarem, o poder de Blatter pode ser questionado”, completa.

Participam da bancada de entrevistadores desta edição Luiz Antônio Prósperi, editor do caderno de esportes do jornal O Estado de S.Paulo; Marcelo Damato, editor da coluna de prima, do jornal Lance!; Vladir Lemos, apresentador e editor-chefe do programa Cartão Verde, da TV Cultura; Marcelo Duarte, jornalista e editor da Panda Books; e Suzana Singer, editora de treinamento do jornal Folha de S.Paulo. O Roda Viva foi apresentado por Augusto Nunes e conta com a presença fixa do cartunista Paulo Caruso.

Observações

A entrevista foi realizada no dia 2 de fevereiro de 2015.

Referência

ANDREW JENNINGS. Direção: Augusto Nunes. Brasil. TV Cultura, 2015. HD.
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