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Tese

Do sonho ao possível

Pprojeto e campo de possibilidades nas carreiras profissionais de futebolistas brasileiras
Ano

2018

Faculdade/Universidade

Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina

Orientador(a)

Carmen Silvia Rial

Tema

Tese

Área de concentração

Doutorado em Antropologia Social

Páginas

254

Arquivos

Resumo

O contexto no qual se desenvolveu o Futebol Feminino no Brasil perpassa por momentos de proibições, restrições e lutas. A primeira regulamentação dessa categoria foi assinada apenas em 1983. De lá para cá, a modalidade tornou-se bastante praticada por mulheres no país. Surgiram clubes, campeonatos, mas o fantasma da proibição ainda permanece travestido na ideia de rejeição, sendo necessário grande empenho dessas atletas para que a categoria não permaneça
invisibilizada. Nos últimos anos, no entanto, foram observadas grandes mudanças nos regulamentos da FIFA – tais como a introdução da igualdade de gênero no estatuto da instituição e as novas regras para intermediárias/os – que refletiram diretamente na perspectiva sobre a carreira de futebolistas mulheres. Esta tese tem como objetivo fazer uma análise dessas mudanças, bem como do próprio Futebol Feminino no país. Para tanto, levo em conta a inserção dessas futebolistas em grandes redes de relações sociais, dentro das quais são organizadas e concluídas as etapas referentes ao projeto de carreira. Desenvolvo o argumento de que mudanças as ações de controle e poder influenciam diretamente na delimitação dessa rede e, por conseguinte, na (re)formulação das trajetórias nas carreiras dessas atletas. São elementos importantes na constituição dessa rede, as agências/agentes de gerenciamento de carreiras, as entidades regulamentadoras do futebol, o mediascape, os clubes e os movimentos feministas de futebolistas. Além disso, traço um panorama da movimentação de jogadoras de futebol, tendo em vista os fluxos que levam as futebolistas brasileiras a diferentes gramados ao redor do mundo, com ênfase nos anos de 2016/2017.

Palavras-chave: Futebol Feminino; Carreira; Relações de Poder; Corpo; Globalização.

Abstract

The context of Brazilian women's football has developed was throught moments of banishment, restrictions and struggles. The first regulation of this category was signed only in 1983. Since then, the women's football has become a sport practiced by women all over the country. Clubs and championships have emerged, but the sense of worry of the ban still remains inserted into idea of rejection, needing necessary great commitment of these athletes, so this category do not remain invisible. In recent years, however, big changes have been observed in FIFA regulations - such the introduction of gender equality in the FIFA Statutes and the creation of the Regulations on Working with Intermediaries - which was directly reflected in the careers concept of the women footballers. This work aims to make an analysis of these changes, as well as of Women’s Football in Brazil. Thus, I take into account the insertion of these footballers in a large networks of social relations, in which their carreers are produced. I develop an argument about which changes the ations of control and power relations directly influence in the delimitation of this network and, consequently, in the (re) formulation of the carreer projects of these athletes. Therefore, sports management agencies / agents, football regulations, mediascape, clubs and the feminist movements of footballers are important elements in the disposition of this network. In addition, I present a landscape of the women soccer players mobility, in view of the flows that Brazilian players take abroad, with emphasis on the years 2016/2017.

Keywords: Women’s Football; Career; Power Relations; Globalization; Body;

Sumário

INTRODUÇÃO, 25
Sobre o trabalho de campo, a escrita etnográfica e os conceitos levantados, 29
Característica do Futebol Feminino no Brasil, 31
Traçando as redes do Futebol Feminino: os caminhos percorridos pela pesquisa, 33

1. CAPÍTULO UM: A FARRA DOS CONCEITOS ABORDADOS OU CONCEBENDO UM MÉTODO DE PESQUISA, 39
1.1. Globalização, 41
1.2. Relações de poder, 46
1.3. O Corpo, 51
1.4. A ideia de carreira no Futebol Feminino brasileiro: entre as fronteiras do termo e a perspectiva da circulação, 56
1.5. Métodos etnográficos em mídias sociais como fonte de análise, 60
1.6. Considerações finais sobre o capítulo, 63

2. CAPÍTULO DOIS – O CHEIRO DE LARANJAS, O APITO DO TREM E OS DOIS RIOS: TRÊS DIFERENTES PAISAGENS SOBRE O TRABALHO DE CAMPO, 65
2.1. Araraquara: as fotos, o mate e a etnografia na “morada do sol”, 67
2.1.1. A Casa, os treinos e a rotina, 71
2.1.2. Sendo pesquisadora em campo, 79
2.1.3. Os jogos da Ferroviária, 85
2.1.4. A presença de estrangeiras no grupo, 88
2.2. O Rio da Prata e a Copa Libertadores da América Feminina, 90
2.2.1. Particularidades do trabalho de campo numa dupla situação de viagem: ou de como correr com os balineses, 91
2.3. Futebolistas brasileiras em Portugal: o Tejo enquanto um sonho, 93
2.3.1. O Futebol Feminino em Portugal durante a temporada 2016/2017, 95
2.4. Considerações sobre o final do capítulo, 96

3. CAPÍTULO TRÊS: DA LUTA PELA ANISTIA AO “RODAR”: CORPO E AUTONOMIA NA CARREIRA DE FUTEBOLISTAS MULHERES, 103
3.1. Da violência simbólica ao despertar ciborgue, 105
3.2. Por um futebol feminino, 113
3.3. “Marta é melhor que Neymar”: os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e o legado para o Futebol Feminino, 130
3.4. Considerações finais sobre o capítulo, 141

4. CAPÍTULO QUATRO – PROFISSIONALIZAÇÃO, AGÊNCIAS DE PLANEJAMENTO DE CARREIRAS E MÍDIAS SOCIAIS: COMO AS ATLETAS OPERAM A TRANSFORMAÇÃO DO CENÁRIO FUTEBOLÍSTICO ATUALMENTE, 145
4.1. Existe um caminho que leva à profissionalização do Futebol Feminino no Brasil?, 147
4.1.1. Profissionalismo é igualdade entre as Categorias Feminina e Masculina?, 155
4.2. As agências de gerenciamento de carreiras, 167
4.2.1. Quem são essas/es “agentes” que atuam no Brasil?, 174
4.2.2. Agenciamento de futebolista: as diferenças de operação entre as categorias Feminina e Masculina e a constituição da atividade no Brasil, 176
4.3. “Me segue lá no Insta”: a profissionalização também está na rede, 184
4.3.1. Instagram de “boleiras”, 187
4.4. Considerações finais sobre o capítulo, 196

5. CAPÍTULO CINCO: A MOBILIDADE/CIRCULAÇÃO DE FUTEBOLISTAS BRASILEIRAS PARA O EXTERIOR E A TRANSFORMAÇÃO NO PARONAMA DO FUTEBOL FEMININO BRASILEIRO, 201
5.1. Características da circulação de futebolistas, 202
5.2. As agências de gerenciamento de carreiras esportivas e os fluxos migratórios, 207
5.2.1. “Se for para melhorar a técnica, nos Estados Unidos; se for para ganhar dinheiro na Coreia ou na China”: a circulação de futebolistas brasileiras em 2016 e 2017, 214
5.2.2. Jogadoras transnacionais: o estar fora do Brasil, 222
5.3. O contrário também acontece? O Brasil para além de um talent exporter, 225
5.3.1. Entrando em campos brasileiros, 227
5.4. Considerações finais sobre o capítulo, 232

6. CONCLUSÃO, 237

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, 241
ANEXOS, 251

Referência

ALMEIDA, Caroline Soares de. Do sonho ao possível: Pprojeto e campo de possibilidades nas carreiras profissionais de futebolistas brasileiras. 2018. 254 f. Tese (Doutorado em Antropologia Social) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018.
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