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Congresso

“Isto aqui não é uma torcida. Isto aqui não é uma escola de samba. Isto aqui é um hospício.”: a Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP) e a Sociedade Escola de Samba TUP

Ano

2020

Tema

Congresso

Nome do congresso

32ª Reunião Brasileira de Antropologia - RBA

Cidade

Rio de Janeiro

Páginas

p. 1-18

Arquivos

Resumo

O trabalho tem como objetivo etnografar as sociabilidades configuradas na Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP), fundada na cidade de São Paulo em 1970 e que, a partir de 1991, também se constituiu como agremiação carnavalesca. Durante os anos de 2019 e 2020, a pesquisa foi empreendida através de visitas à quadra da TUP, a qual se transforma em ateliê e barracão no tempo particular do carnaval, entrevistas com integrantes da torcida e observação participante dos eventos promovidos na quadra, das idas ao estádio para partidas do Palmeiras, do desfile e da apuração das notas do concurso. Toledo (1996) destaca que, na cidade de São Paulo, as torcidas organizadas são organizações populares criadas em torno do futebol e que, em alguns casos, também participam como agremiações carnavalescas na folia paulistana. Para Toledo (1996), a diferença entre estas modalidades de sociabilidade baseadas em disputas reside no fato de que, no carnaval, as torcidas organizadas participam como protagonistas. A literatura sobre a relação entre estas formas de sociabilidade é escassa, com trabalhos que buscam descrever: (i) quem são estas torcidas organizadas no universo do samba (CAMPOS e LOUZADA, 2012), (ii) através da análise do resultado de um survey, em que grau estes torcedores organizados aderem ao carnaval de sua torcida organizada (HOLLANDA e MEDEIROS, 2018) e (iii) como estas duas cosmovisões se imbricam no caso de uma torcida organizada específica, focando os mecanismos conciliatórios dos discursos de virilidade da torcida organizada e de confraternização preconizados pelo carnaval (BUENO, 2015). No decorrer do estudo, verificou-se que a participação no carnaval possibilita à TUP ocupar o espaço urbano de outras formas para além daquelas já estabelecidas como torcida organizada. A inserção da TUP no carnaval decorreu por conta de uma participação anterior dos membros mais jovens em outras escolas de samba, tensionando um conflito com os filiados mais antigos sobre esta combinação de formas de lazer entre os associados, e ao fato de desejarem se equivaler a torcidas organizadas, ligadas aos demais grandes clubes profissionais de São Paulo, que já participavam do carnaval. Também se revelou uma configuração de sociabilidades com membros e dirigentes de outras torcidas organizadas e escolas de samba, a qual não permite estabelecer uma separação rígida entre um habitus de torcedor organizado e outro de folião. Por fim, destaca-se que, como torcida organizada ou como escola de samba, o discurso norteador sempre é honrar o nome e a instituição Sociedade Esportiva Palmeiras, que internamente caracteriza-se como manifestação de uma estrutura teleoafetiva e externamente é estigmatizado como loucura; marca esta já incorporada de forma jocosa pelos membros da TUP.

Palavras-chave: Torcida Organizada; Carnaval; Torcida Uniformizada do Palmeiras

Referência

FERREIRA, Julio Cesar Valente. “Isto aqui não é uma torcida. Isto aqui não é uma escola de samba. Isto aqui é um hospício.”: a Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP) e a Sociedade Escola de Samba TUP. 2020, Rio de Janeiro. 32ª Reunião Brasileira de Antropologia - RBA. Congresso2020.
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