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Dissertação

O “caneco é nosso”

futebol, política e imprensa entre 1969 e 1970
Ano

2011

Faculdade/Universidade

Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná

Orientador(a)

Luiz Carlos Ribeiro

Tema

Dissertação

Área de concentração

Mestrado em História

Páginas

347

Arquivos

Resumo

A Copa do México de 1970 representa um dos momentos icônicos na memória do esporte nacional, tanto pela conquista do título quanto pelo contexto político vivenciado no Brasil. Ao final dos anos 1960 e início de 1970 o país experimentava um dos momentos de maior obscuridade política de sua trajetória recente. Sob o signo dos governos dos generais Arthur da Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici, observava-se o cerceamento de liberdades e direitos individuais que marcaram o recrudescimento do regime militar deflagrado com o golpe de 1964. Sob este viés, frequentemente a campanha que levou ao tricampeonato é visualizada como exemplo de alienação política popular instrumentalizada pela ditadura. Compreendendo o futebol como fenômeno social e culturalmente significativo no imaginário nacional, este trabalho busca analisar algumas das representações articuladas durante o processo de preparação e disputa do mundial do México, a fim de averiguar as intersecções construídas entre futebol e política no espaço social brasileiro no período. Pressupondo os veículos de comunicação como mediadores fundamentais entre os eventos políticos, esportivos e o espaço público, optou-se por desenvolver a análise sob o filtro de quatro veículos impressos de periodicidade semanal e significativa circulação no território nacional: as revistas de diversidades O Cruzeiro e Manchete, a esportiva Placar e o alternativo O Pasquim. Dialogando com os conceitos de memória e tradição, a pesquisa observa a imprensa com um dos lugares de elaborações discursivas sobre o futebol e divulgação de significados socioculturais atribuídos à modalidade no país. A partir das leituras produzidas pelas publicações selecionadas e contrapondo a interpretação de uma simples apropriação e instrumentalização do futebol pelo regime militar, o presente trabalho propõe a análise de possíveis tensões, disputas e convergências na inter- relação entre os campos político, esportivo e jornalístico no Brasil entre os anos de 1969 e 1970.

Palavras-chave: Ditadura Militar, Imprensa, Copa do Mundo, Futebol.

Abstract

The Mexico World Cup of 1970 represents one of the iconic moments in memory of the Brazilian national sport, not only for winning the title but also for the political context experienced in Brazil. By the late 1960s and early 1970s Brazil experienced one of the greatest moments of political obscurity of its recent history. Under the sign of the management of Generals’ Arthur da Costa e Silva and Emilio Garrastazu Medici, one could observe the restriction of individual freedoms and rights that marked the resurgence of the military regime triggered by the 1964 coup. Under this perspective often the campaign that led to the third championship is seen as an example of popular political alienation manipulated by dictatorship. Understanding football as phenomenon social and culturally significant in the national imagination, this paper seeks to analyze some of the representations articulated during the preparation process and the global competition in Mexico in order to investigate the intersections between football and built within Brazilian social policy in the period. Assuming the media as mediators between the key political events, sports and public space, we chose to develop the analysis under the filter of four weekly printed publication and significant circulation on national territory: the information and entertainment magazines O Cruzeiro and Manchete, the sports specialized Placar and the alternative O Pasquim. In dialogue with the concepts of memory and tradition, the survey notes the press with one of the places of discursive elaborations about football and dissemination of socio-cultural meanings attributed to sport in the country. From the readings produced by the selected publications and contrasting the interpretation of a simple appropriation and instrumentalization of football by the military regime, this paper proposes the analysis of possible tensions, conflicts and convergences in the interrelationship between politics, sports and journalism in Brazil between 1969 and 1970.

Keywords: Brazilian Military Dictatorship, Press, World Cup, Football.

Sumário

INTRODUÇÃO, 9

1. Aquecimento: configurações históricas do futebol no Brasil, 27
1.1. Os primórdios do futebol na “pátria de chuteiras”: da herança fidalga à popularização, 27
1.2. Questões políticas e identitárias: Copa (s) do Mundo e identidade nacional, 30
1.3. Cultura, tradição e nacionalidade: construções discursivas e identitárias sobre o futebol nacional, 34
1.4. Mundiais em cena: do fracasso em 1950 ao bicampeonato em 1962, 38

2. Preleção: imprensa e política: repressão e opinião, 46
2.1. Um panorama geral, 49
2.2. O Cruzeiro e Manchete: informação, entretenimento e fotojornalismo, 58
2.2.1. O Cruzeiro, 60
2.2.2. Manchete, 71
2.3. Placar, 85
2.4. O Pasquim, 93

3. 1o tempo: transformações políticas e esportivas rumo ao tri, 103
3.1. Trágico 1966, 103
3.2. Crise de paradigmas: futebol-força x futebol-arte, 113
3.3. Eliminatórias e preparação, 122
3.3.1. A formação das Feras, 122
3.3.2. O final de 1969: dúvidas e planos para o mundial, 130
3.3.3. Pra Frente com as Feras, 136
3.3.4. Brasil 1970: preparação física e militarização da delegação nacional, 146

4. 2o tempo: das “feras” do Saldanha às “formigas” do Zagalo, 156
4. 1. A crise da “fera”: esporte e política na demissão de João Saldanha, 156
4. 2. A “formiga” Zagalo, 189
4. 3. México: a campanha do tri, 210

5. Prorrogação: manifestações e representações políticas sobre a conquista nacional, 245
5.1. Paixão e tradição: a exaltação imediata do tricampeonato, 246
5.2. Intersecções entre futebol política e imprensa: representações sobre a vitória brasileira na Copa de 1970, 269
5.3. Médici: na esfera do (torcedor) comum, 302

CONSIDERAÇÕES FINAIS, 328

REFERÊNCIAS, 336

Referência

MARCZAL, Ernesto Sobocinski. O “caneco é nosso”: futebol, política e imprensa entre 1969 e 1970. 2011. 347 f. Dissertação (Mestrado em História) - Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2011.
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