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Tese

A produção espetacular do espaço

as cidades como cenário na Copa do Mundo de 2014
Ano

2016

Faculdade/Universidade

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo

Tema

Tese

Área de concentração

Doutorado em Geografia

Páginas

582

Arquivos

Resumo

Esta pesquisa aborda as condições da produção do espaço urbano e sua imagem a partir da realização da Copa do Mundo de Futebol da Fédération Internationale de Football Association (FIFA) de 2014, e as contradições entre elas. Para tal, recorre, sobretudo, às bases teóricometodológicas advindas de Henri Lefebvre, Guy Debord e outros membros da Internacional Situacionista (IS), bem como a Karl Marx e Robert Kurz. As cidades sede da Copa de 2014, mais notadamente São Paulo, Rio de Janeiro e São Lourenço da Mata/Recife, constituem o espaço de análise para compreender as relações entre Estado e capital, bem como suas formas de efetivação no cotidiano e no espaço. Em busca de desvendar o papel do Estado na reprodução (crítica) do capitalismo, foram analisadas as leis federais voltadas para a Copa de 2014; a carta de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinada à construção das arenas; o Regime de Diferenciado de Contratações Públicas (RDC); as Parcerias Público-Privadas; e os Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CID) concedidos pela prefeitura de São Paulo. Os resultados e consequências desse processo efetivam-se na espacialidade urbana e em seu cotidiano por meio de estratégias como, por exemplo, FIFA Fan Fest,smart city,naming right,áreas de restrição comercial, crime por marketing de emboscada,ranking de cidadesmarcas, direitos de imagem e de marketing da FIFA. Diante disso irrompe a hipótese de que a produção do espaço espetaculariza-se, e a cidade torna-se cenário na medida em que sua imagem é produzida e comercializada autonomizada de seus conteúdos e contradições. Reduzida a cenário, a cidade vê-se diante de novos processos de fragmentação e segregação, o que possibilita avançar na compreensão de novos negócios com o urbano e sua paisagem.

Abstract

This research approaches the conditions and contradictions between the production of urban space and its image, based on the FIFA’s Football World Cup 2014 event. For this purpose, uses the theoretical and methodological bases arising from Henri Lefebvre, Guy Debord and other members of the Situationist International, as well as Karl Marx and Robert Kurz. The Cup host cities in 2014, especially Sao Paulo, Rio de Janeiro and São Lourenço da Mata/Recife, constitute the scope of analysis to understand the relations between state and capital as well as their ways of realization in daily life and space. Seeking to unravel the State’s role in the (critical) reproduction of capitalism, we have analyzed the Federal Laws aimed at the 2014 World Cup, the BNDES’s line of credit granted for the construction of the World Cup stadiums; the “Differentiated Contracting Regime”; the Public-Private Partnerships; and the Development Incentive Certificates granted by São Paulo’s City Hall. The results and consequences of this process are materialized in urban spatiality and in daily life through strategies such as the FIFA’s Fan Fests; smart city; naming right; areas of trade restraint; crime of ambush marketing; ranking city-brands; FIFA’s image rights and marketing rights. In light of this arises the hypothesis that the production of space becomes spectacular, and the city becomes scenario to the extent that its image is produced and marketed autonomized of its contents and contradictions. Reduced to scenario, the city faces new processes of fragmentation and segregation, which enables us to a better understanding of the new business with the urban and its landscape.

Sumário

INTRODUÇÃO, 20

PARTE I – QUEDA TENDENCIAL DO VALOR DE USO, COTIDIANO, ESPETÁCULO E URBANIZAÇÃO, 28

1 ESPETÁCULO E COTIDIANO, 28

1.1LUKÁCS, MARX E HEGEL NOS FUNDAMENTOS DO ESPETÁCULO, 28

1.2 COTIDIANO, SOBREVIVÊNCIA E ESPETÁCULO EM RAOUL VANEIGEM, 46

2 APARÊNCIA COMO ESSÊNCIA, 56

2.1 A PRODUÇÃO DA APARÊNCIA COMO ESSÊNCIA, 56

2.2 A FARSA DO TEMPO LIVRE, 67

3 APOLOGIAS E APOLOGISTAS DA IMAGEM DA CIDADE, DA CIDADE COMO IMAGEM, 73

3.1 A RELAÇÃO ENTRE IMAGEM E CIDADE, E AS TENTATIVAS DE COMPREENSÃO E EXPLICAÇÃO TEÓRICAS, 75

3.2 A CIDADE COMO IMAGEM NO DISCURSO DOS BUROCRATAS E TECNOCRATAS, 104

3.3 O ESPAÇO REDUZIDO À MARCA, 110

3.4 “PAISAGEM DE PONTA-CABEÇA”, “SENSAÇÃO DE IRREALIDADE DE QUEM VÊ”: UM SALUTAR EXEMPLO DE SEGREGAÇÃO IMAGÉTICA NAS PÁGINAS DO JORNAL, 119

3.5 DO MORRO CARIOCA COMO “IRREALIDADE” AO MORRO CARIOCA SE REALIZANDO COMO IMAGEM, 124

4 A PRODUÇÃO DA CIDADE COMO CENÁRIO: UM MOMENTO NECESSÁRIO DO ESPAÇO ESPETACULAR, 130

4.1 DO URBANISMO UNITÁRIO À CRÍTICA AO URBANISMO, 130

4.2 LE CORBUSIER E OS SITUACIONISTAS: A FUNÇÃO CONTRA A VIDA APAIXONANTE, 141

4.3 A FORMA COMO A ÚNICA FUNÇÃO: A ARQUITETURA MODERNA BRASILEIRA E SUAS CONTRIBUIÇÕES AO ESPAÇO ESPETACULAR, 150

18 4.4 O ESPAÇO MONUMENTAL: DERIVAÇÕES, PERMANÊNCIAS E INFLUÊNCIAS NO ESPAÇO ESPETACULAR, 156

4.5 A PRODUÇÃO DA CIDADE COMO CENÁRIO: QUEDA TENDENCIAL DO VALOR DE USO, ALIENAÇÃO ESPACIAL E PLANEJAMENTO ESPETACULAR, 158

PARTE II – A LEGISLAÇÃO DA COPA DO MUNDO FIFA DE 2014: ESTADO, CAPITAL E ESPAÇO, 174

5 O ESTADO (O ESPETÁCULO E O CAPITAL FICTÍCIO) COMO PRESSUPOSTO(S) DO ESPAÇO COMO MAQUINARIA DOS ASSIM CHAMADOS MEGAEVENTOS, 174

6 AS LEIS DA COPA DO MUNDO DA FIFA DE 2014, 181

6.1 A LEGISLAÇÃO DA REPRODUÇÃO CRÍTICA NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO DA COPA DE 2014, 181

6.2 A LEI GERAL DA COPA – OU “LEI GERAL DAS GARANTIAS, ISENÇÕES E DEMAIS SEGURANÇAS COMERCIAIS DADAS À FIFA”, 199

7 BNDES PROCOPAARENAS, 215

7.1 BNDES: O CAIXA DA COPA FIFA DE 2014, 215

7.2 DOS EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS PELO BNDES PROCOPA ARENAS, 222

8 O ESPAÇO ASCENDE AOS CÉUS, 229

8.1 AS SOCIEDADES DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) NA COPA DE 2014, 229

8.2 AS PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS (PPP) E A COPA DO MUNDO 2014, 231

8.3 OS CERTIFICADOS DE INCENTIVO AO DESENVOLVIMENTO (CID): UM MERCADO DE ATIVOS FINANCEIROS DO ESPAÇO, 235

9 A LÓGICA DO “ELEFANTE BRANCO”: OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA DO ESPAÇO NA COPA DE 2014, 245

9.1 A PRODUÇÃO DESCARTÁVEL DO ESPAÇO, 245

9.2 A PRODUÇÃO DO ESPAÇO E O ELO ENTRE O “ELEFANTE” E A OBSOLESCÊNCIA, 248

9.3 MANAUS, CUIABÁ, NATAL E BRASÍLIA: A MANADA BRANCA EM CURSO, 253

9.4 PÓS-COPA, 259

PARTE III –DO FUTEBOL ÀFIFA, 262

19 10 DA PELADA AO ESPETÁCULO: CONSIDERAÇÕES SOBRE O FUTEBOL E A CIDADE, 262

10.1 O HOMO LUDENS E OS SITUACIONISTAS, 262

10.2 O ESFORÇO HISTÓRICO DE NEGAÇÃO DA PELADA, 268

10.3 A POPULARIZAÇÃO RADICAL: A PELADA TOMA A CIDADE, 274

10.4 DO LÚDICO AO LUCRO, 281

11 A FIFA, 286

11.1 FIFA: “O IMPÉRIO ONDE O SOL NUNCA SE PÕE”, 286

11.2 A FIFADOS GASTOS E A(S) FIFA(S) DOS LUCROS, 305

11.3 DOS RELATÓRIOS FINANCEIROS DA FIFA (2005-2014), 311

11.3.1 Últimas considerações sobre os relatórios financeiros da FIFA, 397

11.4 A PRODUÇÃO TELEVISIVA DA FIFA, 399

11.5 AS MARCAS FIFA: A AUTONOMIZAÇÃO DAS MARCAS DENTRO DO CAPITAL FICTÍCIOIMAGÉTICO, 404

11.6 DIRETRIZES PÚBLICAS DE MARCAS OFICIAIS DA FIFA, 408

11.7 ÁREAS DE RESTRIÇÃO COMERCIAL, 413

11.8 FARSA E FRACASSO DA CAXIROLA, 417

11.9 FIFA FAN FEST, 419

PARTE IV- ERRÂNCIAS, DERIVAS E TENTATIVAS DE DESCRIÇÕES PSICOGEOGRÁFICAS, 447

12 CONTRIBUIÇÕES SITUACIONISTAS AO TRABALHO DE CAMPO EM GEOGRAFIA URBANA, 447

12.1 A PSICOGEOGRAFIA MATERIALISTA, 447

12.2 A DERIVA, 452

13 DERIVAS PSICOGEOGRÁFICAS, 457

13.1 TENTATIVAS DE DESCRIÇÕES PSICOGEOGRÁFICAS, 457

13.2 PERAMBULANDO ENTRE FRONTEIRAS, 460

20 CONSIDERAÇÕES FINAIS, 517

REFERÊNCIAS, 521

APÊNDICES, 535

ANEXOS, 550

Referência

GONçALVES, Glauco Roberto. A produção espetacular do espaço: as cidades como cenário na Copa do Mundo de 2014. 2016. 582 f. Tese (Doutorado em Geografia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.