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Tese

“Somos hombres de platea”

A sociedade dos dirigentes e as formas experimentais do poder e da política no futebol profissional em Argentina
Ano

2010

Faculdade/Universidade

Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina

Orientador(a)

Carmen Silvia Rial

Tema

Tese

Área de concentração

Doutorado em Antropologia Social

Páginas

433

Arquivos

Resumo

Esta tese explora uma categoria emic central na organização pública dos clubes que integram, em uma territorialidade local, o complexo e polifônico sistema futebolístico: os dirigentes nos clubes na condução do futebol profissional de elite na Argentina. Partindo de entrevistas, filmagens e observação participante com altos dirigentes dos clubes com times de futebol rivais na cidade de La Plata, Estudiantes de La Plata e Gimnasia y Esgrima La Plata, durante os últimos três (3) anos, o argumento situa a reflexão sobre o espaço de interações sociais e simbólicas, tanto formais como informais elaboradas nas práticas e representações dos seus dirigentes. O objetivo é definir as articulações entre dois tipos de signos que operam sobre as relações de poder: aqueles vindos do futebol e os do desenho institucional. O interesse do trabalho se baseia nos papéis dos dirigentes em sua dupla condição de diretores de estratégias de organização do trabalho e do espetáculo futebolístico, bem como de gerenciadores de modalidades de produção de identificações coletivas estruturadas historicamente. O clube é pensado assim como o laboratório cultural que integra fluxos simbólicos e práticas políticas (em direção ampla) que se orientam para a geração do espetáculo, a liturgia e as relações entre poder, autoridade e mudanças necessárias à tarefa dirigencial como referência empírica coletiva. O espaço de ação e decisão dirigencial é assim considerado como um lugar adequado para a interpretação de práticas e trajetórias que instituem relações de um tipo de poder político, uma vez que neles são particularizadas as coordenadas que circulam em torno ao conceito filosófico-político de sociedade civil. Dentro de um processo de “invenção” de valores morais e políticos objetivos, a tese presta especial atenção aos aspectos públicos que relacionam pertença profissional, memória, crise institucional e saberes práticos na esfera “dirigencial‟. Os dirigentes destas instituições são vistos como atores sociais dentro de um campo cultural de forças e de interpretação coletiva, ancorado em formas experimentais do poder e da política na modernidade, e que opera em tensão com os imaginários que pesam sobre as identidades profissionais. O dirigente do futebol argentino é um homem de estado, não porque ele submete-se à lógica do poder no futebol para alcançar um lugar – “depois”- na formação-estado, mas porque a interpela como “assunto que pertence à representação”.

Palavras chave: clubes, dirigentes, elites, esporte, experiência, futebol, poder, política, profissão, sociedade civil.

Resumen

PRÓLOGO, 15

INTRODUÇÃO
1. Formulando um objeto de estudo, 23
2. A cidade La Plata no contexto de uma anomalia nacional, 37
3. O trabalho de campo com dirigentes no futebol: opções metodológicas e conceitos fundamentais, 53
4. O audio-visual: Dirigentes en el fútbol I e Cena del Dirigente, 65

PRIMEIRA PARTE

“CAMPOS DE FORÇA” NA INTERPRETAÇÃO DAS PRÁTICAS
Capítulo I. Poder, “elitidades” e instituições
1.1. O problema geral da dominação, a reprodução e o consenso, 69
1.2. Esporte e futebol numa economia-política das emoções, 78
1.3. O leitmotiv das identificações de base do futebol argentino, 88
1.4. Das instituições da civilidade à expansão da multidão, 97
1.5. Em La Plata: componentes institucionais dos clubes, 106

Capítulo II. Por uma história social da “experiência dirigencial”: trajetos e eventos
2.1. Cultura e simulacro das “estirpes”, 119
2.2. Litígios na origem: os fundamentos endógenos, 125
2.3. Algumas atitudes, condutas e marcas de referência no tempo, 136
2.4. As profissões no “campo dirigencial” dos clubes, 153

SEGUNDA PARTE

MENSAGENS CULTURAIS: ENTRE O BOSQUE E A FLORESTA
Capítulo III. Paixões institucionais
3.1. A territorialidade política dos atores sociais, 167
3.2. Os clubes-emblema nos dirigentes, 178
3.3. Um desenho instituído ou instituinte para as performances “dirigenciais”?, 189
3.4. A importância da apresentação da pessoa nas formas de ação pública, 202
3.5.Capilaridade e adesão nas margens do clube, 209

Capítulo IV. “Con una mano lo acaricias y con la otra lo abofeteas”
4.1. Das elites dirigentes para os dirigentes de elite, 231
4.2. Périplos: as profissões em campo, 239
4.3. Projeto: como se profisionaliza um “ser”?, 261
4.4. A busca do que permanece, 277

TERCEIRA PARTE

UM LABORATÓRIO CULTURALDA EXPERIÊNCIA
Capítulo V. “Por amor ao clube”
5.1. Um cenário renovado, 293
5.2. Construção e circulação de um dever (ser) social distinto, 304
5.3. O “ímã” difícil de frea, 321

Capítulo VI. “Somos hombres de platea”: ser, mirar, mostrar
6.1. Uma arena pública para a difference, 331
6.2. Pertencimento em espaços reduzidos, 342
6.3. Um modelo de crise permanente: um centro exemplar para a experiência, 354

CONCLUSÃO
UM IMAGINÁRIO POLÍTICO “NATURAL” DA SOCIEDADE CIVIL, 379
Bibliografia, 399

Anexos
1. Dados estatísticos
4. Vídeos-documentários (em DVD)
– Dirigentes no futebol I
– Dirigentes no futebol II

Abstract

This thesis discusses a emic key category of the complex, polyphonic universe of the contemporary football-club system: the boards of clubs that take part in the elite of professional football in Argentina. Based on interviews and participant-observation with board members of the two rival clubs with football times of the city of La Plata –Estudiantes de la Plata and Gimnasia y Esgrima de La Plata— during the last three (3) years, the theses focuses on the formal and informal interactions among these managers, with the aim of defining the relationship between two types of signs: those coming from football itself, and those that stems from the institutions. The interest of this work resides in the dual condition of board members both as directors of strategies for work organization and football spectacle, and as managers of forms of production of collective identifications historically structured. The club is therefore concieved as a cultural laboratory integrating symbolic fluxes and political practices broadly defined, oriented to making of the spectacle, the liturgy, and the relationships of power, authority and change, fundamental to the managerial tasks as empiric collective reference. The space of action and decision-making in the clubs is thus considered as a place suitable for the interpretation of practices and trajectories that institute relationships and representations of power that can be related to the philosophical-political concept of civil society. Framed in a process of “invention” of moral and political values, the paper pays special attention to the public features that connect professional belonging and practical knowledges in the managerial sphere of football. Managers of these institutions are seen as social actors within a cultural field of forces and collective interpretation, a field grounded in experimental forms of power and politics in Modernity that operates in tension with the imaginaries that gravitate over professional identities. The argentine football board member is a stateman, not because he submits himself to the logic of power in football in order to obtain positions —”after”— in the state-formation, but because he addresses it as “issues belonging to representation”.

Key concepts: boards, civil society, clubs, elites, experience, football, politic, profession, power, sports.

Referência

GODIO, Matias. “Somos hombres de platea”: A sociedade dos dirigentes e as formas experimentais do poder e da política no futebol profissional em Argentina. 2010. 433 f. Tese (Doutorado em Antropologia Social) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010.
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