Jornada nordestina de pós-graduandas/os em Comunicação e Futebol

Data início: 31/12/1969Data de encerramento: 31/12/1969Local: Canal do LudopédioData limite inscrição: 31/12/1969

Divulgar as pesquisas que estão sendo desenvolvidas por estudantes de mestrado e doutorado nordestinas/os em programas pós-graduação que versam sobre futebol no campo da Comunicação e em áreas afins. Esse é o objetivo da Jornada nordestina de pós-graduandas/os em Comunicação e Futebol, que será realizada de 9 a 11 setembro de 2020 de maneira virtual, com transmissão online pelo canal do portal Ludopédio no Youtube.

A partir desta segunda-feira, 10 de agosto, está aberta a chamada de inscrições de resumos de pesquisas em desenvolvimento ou que tenham sido concluídas como dissertação ou tese em 2019 ou 2020, tendo como objeto de estudo o Futebol. A inscrição é gratuita e pode ser feita com o preenchimento do formulário que deve conter um resumo de 15 linhas, em que o discente deve informar, pelo menos, objetivo e metodologia de sua pesquisa. Todos os congressistas que apresentarem trabalhos receberão certificados de participação.

As submissões seguem abertas até o dia 21 de agosto (sexta-feira). Após essa data, a organização do evento formará as mesas de apresentação dos trabalhos de acordo com as temáticas e suas relações com o campo do futebol, comunicação e áreas afins. Após as apresentações orais das pesquisas, haverá um tempo reservado ao debate, com participação aberta do público, que poderá interagir através do chat da transmissão no Youtube.

O evento é uma iniciativa da Rede nordestina de Estudos em Mídia e Esporte (ReNEme), que será lançada oficialmente por ocasião da jornada. O grupo já conta com representações de discentes e docentes vinculados a universidades públicas de estados como Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe. A Jornada conta ainda com a organização do grupo de pesquisa Crítica da Economia Política da Comunicação (CEPCOM), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e tem também os apoios do capítulo Brasil do União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e da Cultura (Ulepicc-Brasil), com a jornada sendo um dos pré-eventos do 8° Encontro Ulepicc-Brasil; Laboratório de Estudos em Esporte e Mídia (LEME), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); e do Ludopédio, portal de produção e divulgação científica sobre futebol.

 

SERVIÇO

Jornada nordestina de pós-graduandas/os de estudos de futebol na Comunicação e áreas afins

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Programação

9/9

19h-19h30 – Abertura do evento – ReNEme (Proposta: Bruno Balacó), Leme, Ludopédio e Ulepicc-Brasil/CEPCOM (Anderson Santos)

19h30-21h30 – Sessão 1: A apropriação política do futebol. Mediação: Ludopédio

Rodrigo Nascimento Reis (Drnd. em Comunicação na UFF): O futebol brasileiro como soft power: um estudo das narrativas da imprensa internacional;

O modo de influenciar outra nação via aportes culturais ou ideológicos é conhecido como Soft Power, termo cunhado pelo cientista político norte americano, Joseph Nye (2004). Em português, a expressão pode ser compreendida como “poder suave” ou “poder brando”. Nye já sinalizou que o Brasil possui o futebol e o carnaval como ferramentas de poder brando na geopolítica das nações. Nessa perspectiva, este projeto propõe uma investigação de como os jornais internacionais nos Estados Unidos, The New York Times; Espanha, El País; Inglaterra, The Guardian e Argentina, Clarín podem associar e promover o futebol brasileiro como um importante Soft Power. Para efetivar essa proposta pretendemos fazer um levantamento sobre o futebol nacional em produtos da cultura popular contemporânea (filmes, músicas, literatura, arte, games etc.) e identificar quais características podem elevar o esporte ao status de Soft Power e em seguida mostrar como o jornalismo retrata a seleção brasileira nos períodos das Copas 2014 e 2018, acionando elos narrativos para preservar e incentivar o imaginário positivo em torno do futebol brasileiro. 

Rodrigo Carrapatoso de Lima (UFPE/Mnd. em Comunicação na Universidade de Coimbra): Ditadura e futebol em Portugal e no Brasil (1964-1974):  nacionalismo,  imprensa e propaganda numa perspectiva comparada;Licenciado e Mestre em História (área de concentração: História do Norte e Nordeste do Brasil) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Possui Pós-Graduação Lato Sensu em História do Século XX pela mesma Universidade. Atualmente é doutorando em História na Universidade de Coimbra (UC) e Técnico Administrativo na UFPE. Tem experiência na área de História Contemporânea, com ênfase em História do Brasil. Interessa-se por História do Futebol no Brasil e suas múltiplas possibilidades de abordagens. Instagram: @rodrigocarrapatoso.

Com toda a sua popularidade o futebol pode ter sido instrumentalizado pelo poder político e utilizado como objeto de propaganda, encarado como meio de aproximação e legitimação dos regimes ditatoriais brasileiro e português com as classes populares, promovendo uma espécie de unidade e identidade nacional. O recorte temporal desta investigação é um período de dez anos, com início no golpe militar de 1964 no Brasil e término na derrubada do regime fascista português após a Revolução do 25 de abril de 1974. Este intervalo histórico (1964-1974) foi marcado, em ambos países, por conquistas futebolísticas que tiveram um forte impacto internacional, ajudando a edificar uma forte identidade nacional nos dois países. A partir do estabelecimento de uma perspetiva comparativa, procurarei analisar o papel ideológico (ou a ausência dele) desempenhado pelo futebol na construção e consolidação de imaginários nacionais em ambos países durante este período. Partindo de uma problemática comum (relação entre futebol, política e sociedade), a formulação dessa pesquisa histórica se propõe a analisar estruturas e processos, seja para descobrir afinidades, seja para achar diferenças. 

André Costa Lucena (Mnd. em Ciências Sociais na UFCG): O fenômeno popular e a plataforma do populismo: um olhar sobre a apropriação do futebol como sustentáculo do poder político.

A partir de uma compreensão do futebol como fenômeno social contrário às estruturas políticas de poder, buscaremos investigar a natureza e os métodos de apropriação, por parte de políticos ligados à institucionalidade vigente, das dinâmicas e dos discursos próprios ao universo futebolístico. Desse modo, o objetivo do trabalho é debater a tensão existente entre atores políticos que instrumentalizam o futebol como arena destinada à sustentação do seu capital político e as figuras populares presentes no futebol, como torcidas organizadas, que se reinventam, no sentido de afirmar o viés popular da prática de torcer. Mais especificamente, faremos o esforço teórico para construir um ângulo de visão sobre o contexto recente do Brasil, discutindo a forçosa aproximação de Jair Bolsonaro com os símbolos e as narrativas do universo do futebol brasileiro e a potencialização de torcidas organizadas abertamente anti-fascistas. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, que pretenderá se debruçar sobre o fenômeno citado a partir de uma revisão da literatura sobre o tema, ligada às Ciências Sociais.

10/9

14h30-16h30: Sessão 2: Representações de gênero no futebol. Mediação: Leme.

Daniel Leal (Mestrando em Comunicação na UFPE): Noticiabilidades na Placar: a mutação dos valores-notícias em três décadas de cobertura acerca do futebol de mulheres;

Jornalista com mais de dez anos de experiência na área esportiva e atualmente está concluindo o mestrado em Comunicação pela UFPE. Twitter: @lealdaniel.

Esta dissertação analisa a cobertura da Placar, mais antiga e tradicional revista esportiva em circulação no país, sobre o futebol de mulheres, entre 1992 e 2019, anos que envolvem as oito edições existentes da Copa do Mundo feminina. Nosso problema de pesquisa parte da seguinte indagação: quais mudanças nos critérios de noticiabilidade da revista Placar relacionados ao futebol de mulheres ocorreram entre a primeira e a última edição da Copa do Mundo feminina, em 2019? O objetivo da pesquisa foi observamos como os critérios de noticiabilidade nas publicações da revista reagem ao tempo e às mudanças sociais, apontando novos valores-notícia ao longo do tempo. Nossa hipótese partiu do pressuposto de que os valores-notícia acompanham as transformações sociais, a partir de jornalistas mais conscientes do papel que desempenham na sociedade ao construir notícias que podem contribuir para reforçar ou minimizar assimetrias de gênero no futebol. Na pesquisa foi utilizado o método de pesquisa bibliográfica, de cunho teórico; a Análise de Conteúdo defendida por Bardin (1977) e Herscovitz (2008), que se caracteriza por quantitativa e qualitativa; e técnica de coleta de dados por meio de recolha de reportagens publicadas na Placar, além de entrevistas com 11 jornalistas que fizeram a revista, dentre os quais, podem-se destacar Juca Kfouri, Sérgio Xavier Filho, Armando Ribeiro, Celso Unzelte, Marcelo Duarte e Ricardo Corrêa.

Ana Daniella Fechine Leite (Mnda. em Antropologia na UFPB): Futebol de Mulheres: um estudo feminista nos campos e nas arquibancadas de João Pessoa/PB;

A proposta da pesquisa de dissertação é analisar o protagonismo de mulheres em posições de diretoria nas torcidas organizadas do Botafogo-PB. Para isso, serão realizadas narrativas de vida dessas torcedoras, bem como de jogadoras do futebol de mulheres – termo adotado no trabalho – que enfrentam grandes dificuldades na capital paraibana. O estudo pretende de embasar em uma linguagem feminista, a partir de uma discussão sobre o feminismo interseccional, feminismo negro, além de versar sobre classe, tudo no âmbito do futebol e de como as mulheres estão inseridas neste espaço, em João Pessoa. A metodologia, de início, foi uma observação participante nas arquibancadas, migrando, devido à pandemia do coronavírus, para uma etnografia virtual.

João Victor Mendes (Mnd. em Sociologia na UFAL): “Juventude, Gênero e Torcida”: Uma análise da trajetória de homens e mulheres na Torcida Organizada Mancha Azul.

Os apontamentos que são feitos nesse projeto de pesquisa, visa dar contribuições sociológicas acerca das questões de gênero que permeiam o ambiente das Torcidas Organizadas, especificamente no que confere as dinâmicas que são encontradas no meio da Torcida Organizada Mancha Azul, principal e mais antiga agremiação do Centro Sportivo Alagoano (CSA), ambos situados na cidade de Maceió- Al. Compreender como estão dispostas as questões de gênero dentro da Torcida Organizada Mancha Azul, e entender como as dinâmicas de sociabilidade juvenil são pensadas para homens e mulheres que fazem parte da torcida. Farei uso de duas ferramentas metodológicas no projeto, quantitativas e qualitativas, e dividirei em três momentos. Inicialmente será feita uma pesquisa de cunho exploratório, onde a observação participante será utilizada.Na segunda etapa, desenvolverei um survey, cujo objetivo é delimitar quantitativamente a proporcionalidade de homens e mulheres jovens que fazem parte da Torcida Organizada Mancha Azul. Em uma terceira etapa do trabalho adotarei a entrevista semiestruturada como metodologia qualitativa para refinar as informações, nesse momento a intenção é dar voz aos protagonistas desse fenômeno social.

19h-21h30 – Sessão 3: Programas midiáticos de futebol. Mediação: Emerson Esteves (ReNEme)

Pedro Paula de Oliveira Vasconcelos (Mestre em Comunicação na UFPE): Por um modelo da participação do espectador em programas televisivos sobre futebol;

Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e professor substituto do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC). Pesquisa as relações entre mídia e esporte, sobretudo no conteúdo televisivo, e as contribuições dos estudos da linguagem para o campo comunicacional. Profissionalmente, atuou em emissoras de rádio e de TV. Perfil no Instagram: @pedovasconcelos

Este resumo traz o resultado de uma pesquisa de mestrado cujo objetivo foi investigar a participação do espectador em programas futebolísticos da TV fechada. Compreendendo que no atual cenário de mídia diversas atrações esportivas vêm incentivando o público a produzir e a enviar conteúdos, analisamos, entre março e abril de 2018, 32 programas distintos das emissoras BandSports, Esporte Interativo, ESPN Brasil, Fox Sports e SporTV. A partir deles, foi possível identificar um modo geral de funcionamento da participação, apresentado aqui na forma de um modelo com cinco etapas: a) Convocação; b) Anúncio de canais; c) Comunicação de regras procedimentais; d) Atuação do público; e) Uso de conteúdos. Embora tenha surgido da observação de um segmento específico, acreditamos que esse esquema ajuda a explicar outras experiências comunicacionais nas quais o consumidor é convidado a colaborar. A base teórico-metodológica da pesquisa foi a semiótica de linha francesa, desenvolvida por Algirdas J. Greimas, e a sociossemiótica, de Eric Landowski.

Raniery Soares Lacerda (Mnd. em Jornalismo na UFPB): PARA ALÉM DO FUTEBOL: A visibilidade dos outros esportes no jornalismo esportivo de televisão em João Pessoa;

Esta pesquisa traz um panorama sobre o jornalismo esportivo de televisão na Paraíba. Tem como objetivo principal analisar o conteúdo e as rotinas produtivas do Correio Esporte (TV Correio) e do Globo Esporte Paraíba (TV Cabo Branco), com a finalidade de verificar se mesmo sem a realização do Campeonato Paraibano de Futebol da Primeira Divisão, esta modalidade tem ou não mais visibilidade que os outros esportes nos dois programas, veiculados em emissoras de TV da capital do estado, João Pessoa. Ao todo foram gravadas 24 edições, sendo 12 de cada programa, distribuídas em dois ciclos (o primeiro sendo outubro/novembro de 2019 e o segundo, janeiro/fevereiro de 2020), para que através da análise de conteúdo e entrevistas semiestruturadas fosse possível analisar, quanti-qualitativamente, as rotinas produtivas executadas e a visibilidade dos outros esportes e do futebol. Com isso, a expectativa é que este estudo possa apresentar como resultados, detalhes sobre as formas como os programas esportivos de televisão em João Pessoa são trabalhados, nos dois períodos, do ponto de vista de conteúdo e do estabelecimento das suas rotinas produtivas, como também se mesmo sem a realização do Campeonato Paraibano de Futebol da Primeira Divisão, o futebol ainda continua com mais ou menos visibilidade do que os outros esportes.

José Nunes Vieira Neto (Mnd. em Jornalismo na UFPB): Perfil do conteúdo jornalístico exibido pelo Globo Esporte Paraíba, da TV Cabo Branco.

A pesquisa abordou o jornalismo esportivo da TV Cabo Branco, analisando o material jornalístico produzido pelo Globo Esporte Paraíba. O objetivo foi fazer um perfil do conteúdo jornalístico deste programa de televisão, tendo como base elementos das teorias do jornalismo e os valores-notícia adotados na escolha dos diferentes formatos exibidos. Para isso, analisamos os conteúdos veiculados no mês de agosto de 2019. Para a realização dessa fase, foram utilizadas, como metodologia: observações e entrevistas semi-estruturadas e estruturadas com profissionais envolvidos no processo de produção, além de análise de conteúdo. Frente ao exposto, foi possível concluir que a produção de notícias do Globo Esporte, da TV Cabo Branco, está seguindo um modelo longevo e ainda muito em uso no País, principalmente no Globo Esporte da rede, que é direcionar, em sua maioria, a produção de material relacionada ao universo do futebol e dividir o restante do tempo para os demais esportes. Há também um esforço de buscar nas pautas temas curiosos, marcas importantes, situações inusitadas, características também herdadas do Globo Esporte nacional.

Thiago Marques de Figueiredo (Mnd. em Jornalismo na UFPB): A TRANSMISSÃO DE FUTEBOL NA TEVÊ PÚBLICA COMO ESTRATÉGIA DE APROXIMAÇÃO COM O PÚBLICO – O  CASO DA TV UFPB DE 2013 A 2015.

A experiência proporcionada pela emissora pública de televisão da Universidade Federal da Paraíba, a TV UFPB, em parceria com a TV Brasil, na transmissão da Série C do Campeonato Brasileiro de Futebol profissional durante os anos de 2013, 2014 e 2015 foi responsável por contribuir com uma mudança de paradigma no que tange à cobertura esportiva de times menos notabilizados pela imprensa nacional. Os fatos acontecidos durante a realização destas transmissões e as experiências vivenciadas, especialmente, pela audiência comprovam a relevância deste acontecimento para a valoração, publicização e construção de identidades. O futebol é o esporte mais praticado no Brasil e mais assistido também, a modalidade desperta vastos interesses comerciais, desportivos e cativa públicos por todo o país. Tal apelo de audiência serve de atratividade para as emissoras que o transmitem e, no caso das emissoras públicas de televisão, as quais, corriqueiramente, são desafiadas a aumentar seus índices de audiência, a transmissão de futebol foi responsável por trazer novos públicos e, consequentemente, introduzir toda uma programação diferente da veiculada pelas emissoras comerciais. Assim, é perceptível a construção de uma via de mão dupla nessa relação, onde o público consegue ter acesso e representatividade e as emissoras públicas alcançam novos públicos através de uma programação mais atrativa e representativa.

11/9

14h30-17h: Sessão 4: Economia Política do Futebol. Mediação: Leme.

Anderson David Gomes dos Santos (UFAL/ Drnd. em Comunicação na UnB): Um modelo para regulamentação dos direitos de transmissão de futebol;

Professor Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), presidente da Ulepicc-Brasil (Capítulo Brasil da União Latina da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura) e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). Twitter: @AndersonDGomes

O futebol se consolida como um programa importante para adquirir audiência nos anos 1990, gerando a partir de então inúmeras disputas judiciais entre concorrentes de mercado de mídia. Enquanto isso, decisões judiciais no campo econômico ocorreram, gerando prerrogativas legais para o negócio. Nesse sentido, especialmente nos anos 2000, há propostas que podem apontar caminhos em prol de uma concorrência mais equitativa, inclusive na América Latina, em que Argentina e México criaram novas leis sobre o setor infocomunicacional que tratam do assunto; enquanto no Brasil algumas propostas para regulamentar a venda de direitos de transmissão surgiram em determinados momentos no Congresso Nacional, com destaque para a surpresa causada pela Medida Provisória 984/2020. A partir desse contexto e dos eixos teórico-metodológicos da Economia Política da Comunicação e dos estudos de Políticas de Comunicação e Cultura, a partir das técnicas de pesquisa documental e de revisão de literatura, esta investigação tem como objetivo constituir critérios a serem considerados, numa perspectiva do direito à comunicação, para boas práticas de regulamentação da venda de direitos de transmissão de torneios de futebol.

Emanuel Leite Jr. (Drnd. em Políticas Públicas na Univ. de Aveiro): Faixa, rota e bola: o futebol como instrumento do soft power chinês

A Belt and Road Initiative (BRI) é uma das mais audaciosas iniciativas geopolíticas e econômicas da atualidade. Através da BRI, as lideranças chinesas promovem o discurso de fortalecimento da “confiança, amizade, cooperação, desenvolvimento comum e prosperidade” (Xi, 2014, p. 316). Ao mesmo tempo, a China também mira outros campos da geopolítica global. O esporte é um deles. O que não é novidade, afinal desde a proclamação da República Popular da China (RPC), o governo chinês tem utilizado o esporte como instrumento diplomático. Nos últimos anos, a China tem procurado alavancar o crescimento de sua indústria desportiva. Prova disso são documentos como os “Pareceres do Conselho de Estado sobre a aceleração do desenvolvimento e promoção do consumo da indústria desportiva”, de 2014, e o “Plano de desenvolvimento do futebol a médio e longo prazo (2016-2050)”, de 2016. Com base na revisão de literatura e análise documental, este trabalho busca compreender de que forma os investimentos no futebol se entrelaçam com os planos da BRI e qual a relevância do futebol para as relações diplomáticas e comerciais chinesas, servindo como instrumento de ‘soft power’.

Irlan Simões Santos (Drnd. em Comunicação na UERJ): Associações de cidadãos no futebol: pertença, afeto e negócio

Ao longo do século XXI o futebol-negócio consolidou a sua prerrogativa de que os clubes de futebol são basicamente empresas geradoras de valor. Rejeitando e combatendo as características primordiais dessas entidades formadoras do futebol enquanto esporte, essa prerrogativa mercantilizadora do futebol atentou contra a noção da “associação” dos clubes. Neste trabalho, o uso do termo “cidadão” tem a intenção de reforçar o caráter de comunidade de um clube de futebol. Aqui, mais do que empresa produtora de espetáculo ou conjunto massificado de consumidores de produtos futebolísticos (os fans, ou a torcida), o clube é entendido como uma entidade dinamiza uma articulação heterogênea e complexa de indivíduos que se relacionam nele, através dele e por intermédio dele. Interessa, portanto, investigar as diferentes modalidades associativas de pessoas relacionadas a clube de futebol. O objetivo é entender como, a despeito das limitações objetivas encontradas em clubes em formatos de sociedades empresárias ou em associações civis de caráter restritivo e oligárquico, os “cidadãos” dessa comunidade desenvolvem práticas e organizações que dinamizam seus anseios de pertença, afeto e maior participação nos seus clubes.

Maria Lua Ribeiro Araújo (Mnda. em Indústrias Criativas da Unicap): TRANSFORMAÇÕES NOS MODELOS DE NEGÓCIO DAS TRANSMISSÕES AUDIOVISUAIS ESPORTIVAS

Pernambucana do Recife, 23 anos e torcedora do Clube Náutico Capibaribe, Maria Lua Ribeiro é jornalista, radialista e fotógrafa por formação. Trabalhou como repórter nos veículos do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, incluindo o Blog do Torcedor e a editoria de Esportes do JC (online e impresso). Também atuou como repórter e operadora de áudio na Rádio Folha FM. Recentemente colaborou com análise de desempenho dos jogos da Copa do Nordeste na temporada de 2020 para as transmissões da TV Jornal, emissora pernambucana afiliada ao SBT. Maria Lua também é professora do Ensino Médio e Técnico da Rede Estadual, pela Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco, no curso de Publicidade, onde leciona as disciplinas de (1) Introdução ao Marketing e Mercado e (2) Design, Identidade Visual e Produção Gráfica. Atualmente, ela também integra como discente o Mestrado Profissional em Indústrias Criativas, da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), onde desenvolve um estudo voltado para o universo do streaming em esportes. O interesse pelo tema começou ainda na graduação, no processo de conclusão do curso (2018), no qual ela produziu uma monografia intitulada “Mycujoo: futebol para todas as torcidas”. Instagram: @manguegirl. Twitter: @marialuaribeiro

A presente pesquisa de mestrado, está situada no campo da comunicação e abrange as Indústrias Criativas no setor do audiovisual. Busca-se compreender as transformações na forma de produção e distribuição de conteúdo esportivo em tempo real. Nesse sentido, a dissertação pretende estudar, dentre outros aspectos, a linguagem, formato e aprimoramento tecnológico das ferramentas de streaming do conteúdo especializado em esportes. Os resultados apresentados serão guiados pelo seguinte problema: como um clube pode gerar receita em meio à transmissão não tradicional? Para isso, serão contemplados ao longo do trabalho conceitos como mídias e tecnologias digitais, convergência midiática, comunicação multimídia, comunicação ligada ao esporte, transmissões esportivas e cultura digital. O trabalho será desenvolvido a partir do caso da final da Taça Rio na temporada de 2020 (Fluminense x Flamengo), com jogo transmitido pelo YouTube, através do canal oficial do Fluminense Football Club. A live da partida alcançou o pico de 3,597 milhões de acessos simultâneos, assumindo, portanto, a marca da transmissão mais assistida em toda a história do YouTube.

19h-22h: Sessão 5: Formas de torcer. Mediação: Ludopédio.

Bruno Anderson Ferreira Balacó (Mnd. em Comunicação na UFC): A interação do ouvinte/internauta em comentários nas lives do Facebook: a experiência do programa de rádio Toque Esportivo;

Recorte da pesquisa da dissertação de mestrado que o autor desenvolve, o estudo tem como objetivo analisar os comentários postados pelos ouvintes/torcedores nas transmissões ao vivo (as lives) do programa Toque Esportivo, da rádio O Povo CBN, de Fortaleza, pelo Facebook. De caráter exploratório e qualitativo, o levantamento pretende identificar os principais assuntos abordados e que são recorrentes nas mensagens enviadas pela audiência através dessa rede social. Amparada nos conceitos de interação, interatividade e rádio expandido (KISCHINHEVSKY, 2016), a pesquisa conta com metodologia baseada em análise de conteúdo (BARDIN, 2004), sonora e digital, construindo categorias do quadro de análise a partir dos estudos de Quadros (2013) para definir as principais marcas de interação específicas da audiência do Toque Esportivo pelo Facebook. Recorremos à técnica de “semana artificial” (BAUER, 2002) para a composição do nosso corpus.

Phelipe Caldas Pontes Carvalho (Drnd. em Antropologia Social na UFSCar): O Botafogo da Paraíba e as múltiplas formas de torcer;

Aquilo que a mídia, certas instituições governamentais, forças policiais, entre outros, chamam genericamente de “torcida de futebol de um mesmo clube”, não é nunca uma unidade, não é nunca algo homogêneo, livre de tensões ou rivalidades internas. Mas, ao contrário, as diferentes identidades torcedoras que cercam um mesmo clube vão criar seus próprios territórios, seus próprios lugares antropológicos, suas próprias relações de alianças e de rivalidades, que estarão a todo o momento sendo mediadas, reforçadas e modificadas, a depender do contexto. É essa a questão central da pesquisa que se desenrolou a partir de etnografias realizadas entre maio de 2017 e agosto de 2018 com ao menos quatro diferentes grupos de torcedores do Botafogo da Paraíba. Foram analisados duas torcidas organizadas de pista, formadas por torcedores mais pobres; uma torcida organizada de classe média; e um grupo de torcedores que não se declaram organizados. Para, a partir daí, apresentar como acontecem as dinâmicas, como se dão as diferenças, como se formam as alteridades. Pesquisou-se essas identidades inicialmente dentro do estádio, mas pouco a pouco as observações foram ganhando a cidade, para saber também como esses diferentes sujeitos dialogam com a urbe.

Ana Flávia Nóbrega Araújo (Mnda. em Comunicação na UFPB): Regionalização da mídia esportiva e a (des)construção dos modos de torcer: o discurso midiático no desenvolvimento e fortalecimento do Nordeste imaginado;

A proposta de pesquisa, ainda embrionária, se debruça a pensar as relações entre a regionalização da mídia esportiva, através de transmissões voltadas para o Nordeste, e os impactos que esse processo desencadeia nos torcedores de entidades esportivas sediadas no território analisado. A fim de investigar se o discurso empregado nas transmissões impactam no cotidiano imaginário dos sujeitos observados. Neste caso, na pesquisa desenvolvida no programa de pós-graduação em comunicação da Universidade Federal da Paraíba, serão analisados transmissões da Copa do Nordeste, competição regional, e como ocorre a receptividade dos discursos empregados em um comparativo entre os estados da Paraíba, Alagoas e Ceará. O objetivo é buscar entender o momento de valorização regional dos clubes pelos seus torcedores em movimentos de resistência desencadeados ou não pela influência midiática com os discursos empregados no processo de popularização da competição citada por veículos de imprensa. Para examinar o fenômeno, serão utilizadas teorias para pensar a regionalização midiática e as relações entre o global e o local; entender o sujeito em (des)construção identitária e o torcer como uma atividade psicológica que passa pelas relações de afetividade; cultura do Nordeste imaginado; E, por fim, análise do discurso.  

Diego Batista de Morais (Drnd. em Sociologia na UFC): O Torcedor Padrão Fifa: transformações arquitetônicas, transformações nos modos de torcer.

Essa apresentação é parte de um trabalho de pesquisa desenvolvido no âmbito das transformações arquitetônicas que ocorreram nos estádios de futebol, mais intensamente a partir da realização de megaeventos esportivos no Brasil, como a Copa do Mundo de 2014. A propagada “modernização” desses espaços, para torná-los locais mais “utilitários” e “confortáveis” operou mudanças não apenas nas nomenclaturas (de estádios para arenas esportivas), mas também nos modos de consumo, interação e atuação de torcedores. No Brasil, historicamente os estádios como “espaços de multidões” foram mais recentemente importando modelos globalizados de organização, em tentativas de substituir “torcedores” por “consumidores”. A pesquisa vem sendo realizada a partir de narrativas biográficas de torcedores em algumas cidades que abrigam essas arenas , como Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. Entendemos que as estórias de vida desses indivíduos são informação, evocação e reflexão, contendo interpretações e reorganizações dos modos de torcer.

Hévilla Wanderley Fernandes (Mestra em Ciências Políticas e Relações Sociais na UFPB): A questão nordestina no futebol.

A observação das desigualdades regionais do Brasil é o ponto de partida do trabalho. É a partir de um arcabouço teórico gramsciano, que se propõe compreender a realidade brasileira e os contornos que produziram a subalternidade nordestina, em contraposição à hegemonia do Centro-Sul. O objetivo é expor uma questão histórica, política, econômica, social e cultural ligada diretamente ao desenvolvimento do capitalismo no Brasil e da revolução burguesa brasileira, nesse caso, a “questão nordestina”. Portanto, a partir de uma perspectiva de classe, essa pesquisa busca se debruçar sobre a realidade da Região Nordeste, para assim, perceber o estabelecimento da luta de classes nesse espaço e como se deu o processo de produção de subalternidade. O trabalho pretende destacar que a questão nordestina não é um problema estático. Sendo assim, trata-se de um fenômeno que começa no início do século XX e se propaga até os dias atuais, mas não de forma igual. A questão nordestina se materializa nos mais diversos âmbitos – político, econômico e cultural, entre outros –, mas este estudo pretende se debruçar sobre o seu impacto no futebol por se tratar de um esporte de massas e uma expressão da cultura nacional. Em vista disso, além de explanar uma breve história do Nordeste e dos Nordestes, assim como dos nordestinos, enquanto grupo social subalterno, também será traçada a trajetória do esporte mais popular do país e como ele está permeado pela questão nordestina.

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