Nos gramados do Sul: a seleção baiana de futebol e o torneio do Centenário da Independência em 1922

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ISSN 14140055

Nos gramados do Sul: a seleção baiana de futebol e o torneio do Centenário da Independência em 1922

Periódico / Revista

Revista de História Regional

Número

n. 2

Ano

2012

Volume

v. 17

Área de concentração

História

Cidade

Ponta Grossa

Páginas

p. 469-504

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Resumo

Este artigo pretende perceber como a participação e o desempenho da Bahia, no I Campeonato Brasileiro de Seleções ou no Torneio do Centenário, em 1922, representaram uma oportunidade para o estado reivindicar uma centralidade na construção de uma identidade nacional associada ao futebol. O Torneio foi idealizado enquanto seletiva para a formação de uma seleção brasileira que disputaria o VI Campeonato Sul Americano no Brasil. Além disso, o evento também passou a ser identificado como parte da comemoração ao I Centenário da Independência, uma data que oportunizou ao país refletir sobre sua identidade nacional, bem como repensar sua inserção na modernidade. A Bahia obteve um bom desempenho no certame, assegurando a segunda colocação. Consequentemente, a imprensa local passou a reivindicar a participação dos seus atletas na seleção brasileira, criticando o menosprezo de Rio e São Paulo para com os estados do Norte e, principalmente, questionando a política esportiva da Confederação Brasileira de Desportos, a CBD, muito voltada para os estados do Sul. Ademais, a campanha vitoriosa, para as suas elites, constitui-se em um aspecto representativo de força e da grandeza dos baianos, o que os credenciava a reclamar, a partir do esporte, por um maior espaço e protagonismo nos destinos do país. Finalmente, a campanha da Bahia e os seus desdobramentos nos permitiram problematizar os limites e peculiaridades da construção de uma identidade nacional pelo esporte, no momento em que o país buscava repensar sua identidade historicamente marcada por disputas e tensões regionais. 

Abstract

This article aims to understand how the participation and performance of the state of Bahia at the I Campeonato Brasileiro de Seleções (I Brazilian Soccer Championship), also known as the Torneio do Centenário (Centenary Championship) in 1922 represented an opportunity for the state to claim a centrality in the formation of a national identity associated with soccer. The tournament was conceived as a draft for the formation of a national soccer team that would participate in the VI Campeonato Sul Americano (VI South American Championship) in Brazil. In addition, the event also came to be regarded as a celebration of the fi rst centenary of the Independence, a date that has encouraged the country to refl ect upon its national identity, as well as to reconsider its insertion in modernity. Bahia did well in the tournament, ensuring the second position. As a result, the local press went on to claim the participation of their athletes in the national team and to criticize the disregard of the states of Rio de Janeiro and São Paulo towards the Northern region of the country. The local press would also challenge the policies of the Confederação Brasileira de Desportos (Brazilian Sports Confederation), the CBD, claiming that they favored the Southern states. Moreover, for the local elites the success of Bahia in the tournament represented the strength and greatness of the state, which gave them the right to claim a greater space and role in the destiny of the country. Finally, the performance of Bahia and its consequences have allowed us to question the limits and peculiarities of the formation of a national identity through the sport, at a moment when the country sought to rethink their identity historically marked by disputes and regional tensions. 

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