62.4

Futebol e Mulheres no País da Copa 2014

Silvana Vilodre Goellner 14 de agosto de 2014

Enquanto escrevo esse texto acompanho, pela internet, um jogo da Copa do Mundo de Futebol Feminino Sub-20 que está acontecendo no Canadá com participação da seleção brasileira. Dizer que quase não encontramos notícias sobre essa competição e que as mulheres são sub-respresentadas na modalidade não é novidade, portanto, não vou me ater a essa constatação. Quero, na contramão dos discursos oficiais de órgãos representativos do futebol no Brasil, reafirmar o quanto as mulheres fazem parte da história em que pese a proibição oficial de sua prática entre as décadas de 1940 e 1980, a ausência de um calendário organizado e a quase inexistência de equipes de mulheres em “times de camisa”.

Seleção brasileira sub-20 feminina que disputa a Copa do Mundo no Canadá em 2014. Foto: Rafael Ribeiro – CBF.

Nossa seleção conquistou resultados impressionantes diante do cenário de descaso e quase abandono na qual vive. Vejamos: a) conquistou 4 das 5 edições do Torneio Internacional de Futebol Feminino que reúne 4 seleções; b) a Copa Libertadores da América de Futebol Feminino acontece desde 2009 e todas as edições foram realizadas no Brasil; c) das 6 edições do Campeonato Sul-americano de Futebol Feminino conquistamos 5 delas; d) nos Jogos Militares que aconteceram em 2011 no Rio de Janeiro nossas atletas ganharam a medalha de ouro; e) Nos Jogos Pan-americanos foram 2 medalhas de ouro (Santo Domingo 2003, Rio de Janeiro 2007) e 1 de Prata (Guadalajara 2011); f) fomos medalhistas de prata em duas edições dos Jogos Olímpicos (Atenas 2004, Pequim 2008); g) na Copa do Mundo de Futebol Feminino China, 2007, ficamos em segundo lugar e na Copa do Mundo de Futebol Feminino dos Estados Unidos, realizada em 1999, ficamos com a terceira colocação.

Seleção convocada para a Copa do Mundo da China (1991). Foto: Acervo pessoal da jogadora Michel Jackson.
Seleção que participou dos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996). Foto: Acervo pessoal da jogadora Michel Jackson (camisa 9).

É pouco? Eu digo: é muito diante das condições com as quais as jogadoras se deparam cotidianamente visto que o silêncio que paira sobre suas trajetórias, carreiras e conquistas tem promovido sua marginalização assim como a anulação simbólica de suas realizações.

Visibilizar a presença das mulheres no universo cultural do futebol, creio eu, é tarefa necessária a quem gosta deste esporte que, como bem sabemos, é discursivamente incorporado à identidade nacional. Em tempo: Em 2015 tem a Copa do Mundo de Futebol Feminino no Canadá. Enfim, não precisaremos esperar mais quatro anos para torcer pela taça!!!!

 

Esse texto foi originalmente publicado no blog História (s) do Sport e cedido para publicação nesse espaço.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Ludopédio.
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Silvana Goellner

Professora Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Aposentada).  Ex-coordenadora do Centro de Memória do Esporte (CEME) e  Vice-Coordenadora do Grupo de Estudos sobre Esporte Cultura e História (GRECCO). Pesquisadora e ativista do Futebol de Mulheres. Integrante do Grupo de Estudos Mulheres do Futebol (GEMF).

Como citar

GOELLNER, Silvana Vilodre. Futebol e Mulheres no País da Copa 2014. Ludopédio, São Paulo, v. 62, n. 4, 2014.
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