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A história de Bojan Krkic: como a ansiedade pode acabar com a carreira de um atleta

Você se lembra de Bojan Krkic?

Nascido em Linyola, na Espanha, o futebolista foi uma das maiores promessas da base do Barcelona nos últimos anos. Chegou aos 9 anos à La Masia (centro de treinamento do Barcelona), onde ficou até os 16 e apontou números astronômicos. Foram 889 gols marcados em apenas 7 anos de categorias de base na Catalunha.

Após ser campeão mundial sub-17 com a Espanha, Bojan se integrou ao elenco principal do Barcelona sob os comentários de que ele seria o novo Messi.

Com 10 gols na sua primeira temporada, ele foi chamado para os amistosos da seleção principal, com apenas 17 anos. Na sua estreia, anunciaram que ele não jogaria por causa de uma gastroenterite, quando na verdade teve um ataque de pânico, proporcionado pela ansiedade.

Bojan comemora gol contra Sporting Gijón em agosto de 2009 no estádio Camp Nou. Foto: Wikipedia.

A ansiedade é uma reação que todo indivíduo pode ter cotidianamente em algumas situações, porém, algumas pessoas, como Bojan – e muitos outros atletas –, são afetados por essas reações de forma mais intensa, a ponto da ansiedade se tornar uma patologia.

Quando surgem sintomas que afetam a saúde, a ansiedade se torna um transtorno que, de acordo com a DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais), compartilha características de medo e de perturbações comportamentais, que persistem e são excessivos.

Ao sofrer disso, Bojan teve sua perturbação negligenciada pelos profissionais e pessoas em volta dele. Naquele momento, a carreira do garoto começou a desandar e, dois anos depois, em 2008, tirariam dele a chance de participar da conquista da Eurocopa.

Desde então, as comparações e o problema com o transtorno só empurraram sua carreira para baixo. Foi emprestado várias vezes para outros clubes da Europa. Jogou pelo Milan e pela Roma, na Itália, e pelo Ajax, na Holanda, mas não se firmou em nenhuma das equipes.

Bojan quando estava na Roma, em 2012. Foto: Wikipedia.

Para o atleta, o grande problema disso veio das comparações. Como dizia, se lá ele não marcasse três gols por jogo como Messi, seria mal visto. Se criou uma expectativa desses grandes clubes por um atleta que pudesse fazer o mesmo que o astro argentino.

Depois de ter o passe vendido para o Stoke City, da Inglaterra, chegou a voltar a jogar bem, mas teve problema com lesões e acabou sendo emprestado para o Mainz 05 e para o Alavés. Hoje, Bojan atua pelo Montreal Impact, e soma 4 gols e 3 assistências em 40 jogos, sendo utilizado regularmente, até agora.

Em 2018, Bojan deu entrevista ao The Guardian, onde abriu o jogo sobre a sua carreira, mostrando como o futebol não se importa com esse tipo de problema. A ansiedade de um garoto de 17 anos foi vista como frescura, jogada pelo mundo do futebol por de baixo do tapete.

A falta de uma preocupação psicológica no futebol, em um período até recente, é perceptível. Se pressiona um garoto ainda não maturado a desempenhar o papel de um profissional adulto, sem dar a devida atenção a um problema psicológico que afeta vários futebolistas ao redor do mundo.


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Marcus Arboés

Acadêmico em jornalismo na UFRN, narrador esportivo em formação e apaixonado por um futebol bem jogado e com aproximações, no melhor estilo latino! Atuo no Universidade do Esporte.

Como citar

ARBOéS, Marcus. A história de Bojan Krkic: como a ansiedade pode acabar com a carreira de um atleta. Ludopédio, São Paulo, v. 134, n. 36, 2020.
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