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De onde menos se espera, daí é que não sai nada

Lucas Giachetto de Araujo 2 de março de 2022

O Camisa 012 pediu para eu escrever sobre a última temporada da Ponte Preta e sobre as expectativas para essa temporada. Aqui vai minha breve análise sobre o ano de 2021 pontepretano e o que espero de 2022.

2021: um ano maçante

O ano de 2021 da Ponte Preta começou com o encerramento da Série B de 2020, onde a equipe brigava por uma vaga para a primeira divisão nacional, que apesar de não ter vindo, tinha uma equipe que entregava alguns bons resultados, com boas exibições de Bruno Rodrigues (que foi para o São Paulo na temporada seguinte) e do incansável Apodi. Já a temporada 2021 começou com mais uma campanha fraca no Paulistão, que novamente ficou na parte de baixo da classificação geral, perdendo a final do Torneio do Interior para o Novorizontino. Não contente em fazer uma campanha pífia no estadual, a Ponte conseguiu ser eliminada na segunda fase da Copa do Brasil para o Criciúma, que foi rebaixado no poderoso Campeonato Catarinense. Com um começo de temporada tão ruim, as expectativas para a Série B não eram animadoras.

A Série B de 2021 foi algo lamentável para a torcida, que viu a equipe passar quase metade da competição na zona de rebaixamento, além de 5 rodadas na lanterna, perder um derby, fazer atuações lamentáveis e se salvar na penúltima rodada, ao vencer o Confiança fora de casa, enquanto que via o Guarani brigar pelo acesso.

Ano Novo: promessas de mudanças sem mudar nada

Apesar da péssima campanha no Brasileiro de 2021, o ano de 2022 começou com a expectativa de mudança dentro dos corredores do Moisés Lucarelli, já que ocorreu no final de 2021 a eleição de uma nova diretoria, que se elegeu prometendo mudanças, falando que o futebol profissional deveria ter atletas com vontade, garra e com qualidade técnica; que iria investir na categoria de base etc. O ciclo de mudanças começa com a renovação de Gilson Kleina, que evitou o rebaixamento à Série C na última temporada (mais por incompetência dos adversários do que por mérito da Ponte), novamente começaria uma temporada em Campinas; as primeiras movimentações no mercado são a saída de seus principais jogadores: o goleiro Ivan, revelado pela Macaca e que em 2020 foi convocado para a seleção brasileira, e Moisés, contratado junto ao Concórdia/SC e que foi o melhor jogador da Ponte em 2021; além das contratações, que animaram a torcida inicialmente com alguns nomes de peso, como Dedé, Wesley e Lucca. Enquanto o Campeonato Paulista não começava, a diretoria alvinegra movimentava suas redes sociais, tentando gerar um clima de empolgação com a torcida.

O começo do Paulistão trazia para a Ponte um grupo complicado para se classificar, ao lado de Santos, Red Bull Bragantino e Santo André. Além disso, a estreia na competição era contra o Palmeiras, que se preparava para jogar o Mundial, lá no Allianz Parque, e a derrota de 3 a 0 para o time da capital não foi algo tão inesperado, mas que gerou um alerta sobre as fraquezas da equipe, como a bola aérea. Na segunda rodada, a estreia dentro de casa contra a Inter de Limeira, a Macaca consegue a façanha de tomar a virada e ter que buscar o empate nos minutos finais, que gera um alívio, mas novamente cometendo os mesmos erros, além do zagueiro Dedé ter se lesionado. Na terceira partida da competição, contra o Novorizontino, veio a primeira vitória, que deu uma aliviada na situação da equipe.

Nas quatro partidas que precedem o derby, a Ponte tem um desempenho digno de rebaixamento: 3 derrotas (São Bernardo fora, São Paulo de virada em casa e Botafogo de Ribeirão, também em casa) e 1 vitória. Na vitória contra a Ferroviária, a Ponte foi dominada; assim como nas derrotas para a equipe do ABC e para o time do Morumbi.

Dessa forma a Macaca chegava para o Derby 202: colecionando derrotas, sem conseguir propor jogo, sendo dominada por equipes pequenas, sem vontade, com uma das piores defesas da competição e com um treinador que não dava confiança a ninguém. O clube da Princesa D’Oeste não vinha fazendo também uma grande competição, com o treinador Daniel Paulista também ameaçado. A diferença entre as equipes era que o clube da parte de baixo da Av Ayrton Senna sabia da importância do clássico, e entrou mais atento, pronto para decidir, enquanto que a Macaca parecia estar jogando pelada de final de ano. O Guarani sabia da dificuldade da Ponte Preta sair com a bola, e pressionou a equipe alvinegra, sendo brindados com um gol logo no começo do jogo. O tento forçou a Nega Véia ir para cima, mas sem colocar a baliza adversária em risco. O Guarani matou a partida ainda no primeiro tempo, com um gol de pênalti aos 28 min. No segundo tempo a Ponte pouco conseguiu fazer, e o adversário selou a vitória com mais gol de pênalti.

Fachada do Estádio Moisés Lucarelli.
Fachada do Estádio Moisés Lucarelli. Fonte: Wikipédia

O que esperar de 2022?

A derrota no Derby foi o ponto final para a passagem de Kleina na Ponte Preta. O erro da renovação de seu contrato no final do ano atrapalhou a montagem de um elenco para a temporada, onde o novo treinador terá que resolver os problemas da equipe em meio às competições.

Em meio a esse caos, a Macaca enfrentou a primeira fase da Copa do Brasil, contra o vice-líder do Paranaense, o Cascavel. A Ponte tinha a vantagem do empate no confronto de jogo único, por conta de uma regra esdrúxula da CBF, e teve como estratégia a genial arte da retranca sem ninguém para puxar o contra-ataque. O resultado foi o de sempre: tomou pressão no primeiro tempo inteiro, levou um gol no final do primeiro tempo e não conseguiu reagir. Mais uma eliminação ridícula nas costas. Logo após a partida da Copa do Brasil, a diretoria anunciou como novo treinador Hélio dos Anjos, que terá a missão de salvar a Nega Véia do rebaixamento do Paulistão.

Mais um começo de temporada ruim deixou um clima horrível entre a torcida alvinegra, que não perdoa a diretoria e elenco nas redes sociais. As postagens das páginas oficiais da Ponte virou um lugar de cobranças e ofensas, que devem piorar caso as coisas não melhorem. Esse clima hostil gerou conflitos entre a própria torcida, sobrando ameaças para o pessoal do Macacast, podcast de torcedores que não tinha nenhuma relação direta com o clube, levando o pessoal a desistir do projeto, com medo das ameaças se tornarem reais.

A reta final do Paulistão deve seguir o roteiro dos últimos anos: fugir do rebaixamento. A tabela também é complicada para a Macaca, tendo Mirassol (fora), Água Santa (casa), Corinthians (fora) e Ituano (casa). Apesar de ter chances de se classificar, estando dois pontos atrás do Santos, a manutenção na A1 tem que ser a prioridade, já que cair seria um desastre para o clube.

Os prognósticos para a Série B não são animadores, visto que a competição esse ano conta com equipes de grande força nacional, acostumadas a disputar  a Série A, como Grêmio, Bahia, Sport, Cruzeiro e Vasco. Além disso, Vasco e Cruzeiro foram adquiridas por empresários, que devem investir uma boa quantia de dinheiro para subir essas equipes, além do Tricolor Gaúcho, que foi rebaixado sem apresentar grandes problemas financeiros. 

Esse ano, a torcida da Macaca deve seguir a máxima do Barão de Itararé: “de onde menos se espera, daí é que não sai nada”. A equipe não anima e nem parece que vai melhorar, a ponto de disputar algum título ou acesso; a diretoria também pouco sinaliza para isso; enquanto que a torcida vê o clube contratar jogadores duvidosos tecnicamente e sem vontade. O ano deve ser amargo, e não ser rebaixado, tanto para a A2 como para a Série C, deve ser o melhor dos cenários.

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Lucas Giachetto de Araujo

"Nem gosto tanto de futebol, gosto mesmo é da Ponte Preta!" Bacharel em Educação Física pela Unicamp. Estudante de Mestrado em Educação Físicas e Humanidades na Unicamp.

Como citar

ARAUJO, Lucas Giachetto de. De onde menos se espera, daí é que não sai nada. Ludopédio, São Paulo, v. 153, n. 2, 2022.
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