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A motivação para a reestreia do Juventude na Série A

Jaqueilton Gomes 31 de janeiro de 2021

De volta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro, o Juventude tem no seu passado recente um exemplo para se inspirar e não voltar mais para o sofrimento da Série B

Fundado em 29 de junho de 1913, o Esporte Clube Juventude é um dos mais tradicionais do futebol brasileiro. A equipe de Caxias do Sul é por muitos considerada a terceira força do futebol gaúcho, atrás apenas da tradicional dupla Grenal. Com um futebol aguerrido, típico dos times do sul, o Jaconero já viveu dias de muitas glórias no cenário nacional, no entanto, há longos 13 anos amargou uma estadia indigesta na segunda e na terceira divisão do futebol brasileiro.

No entanto, os dias de luta nos escalões mais baixos chegaram ao fim na última sexta-feira de janeiro de 2021. O Juventude chegou a última rodada da Série B no G4 da competição, com um ponto a mais que o CSA-AL, que lutaria bravamente para tomar a posição do clube gaúcho, mas sem sucesso, visto que o time da Serra Gaúcha venceu fora de casa e garantiu o retorno à elite do futebol brasileiro, fazendo o Rio Grande do Sul ter novamente mais de dois representantes na primeira divisão.

Jogadores do Juventude comemoram o acesso após vitória contra o Guarani no Brinco de Ouro. Foto: Fernando Alves/E.C. Juventude

Tendo algumas boas campanhas e jogos memoráveis no melhor do futebol brasileiro, os jaconeros têm páginas gloriosas para inspirar sua volta. É sobre uma delas que falaremos nas próximas linhas.

Em 2004 o Brasileirão vivia sua segunda temporada em pontos corridos, um novo formato considerado mais justo, porém muito comumente odiado por uma turma mais saudosista e que prefere a emoção dos encontros mata-mata. Foi exatamente nesse ano que o Campeonato Brasileiro viu a força do interior gaúcho pulsar e fazer tremer gigantes.

Com uma campanha que somou 20 vitórias e 10 empates, o Juventude se fez o maior do Rio Grande do Sul naquele campeonato, deixando os badalados Internacional e Grêmio para trás (esse último acabou rebaixado como lanterna da competição). Os 70 pontos somados naquela edição do Brasileirão foram suficientes para levar os comandados de Ivo Wortmann à sétima colocação e uma vaga na Copa Sul-americana do ano seguinte.

A posição na tabela foi rigorosamente igual as de dois anos antes, quando o Juve tinha tudo para fazer a melhor campanha de sua história no brasileirão, mas foi traído pelo sistema mata-mata que o colocou frente ao Grêmio logo nas quartas de final, depois de passar pela primeira fase com a quarta melhor campanha, atrás apenas de São Paulo, São Caetano e Corinthians. Eliminado pelo rival gaúcho na segunda fase da competição, o Jaconero acabou terminando o Campeonato na sétima posição, tendo somado 42 pontos.

Estádio Alfredo Jaconi, a casa do Juventude na Serra Gaúcha. Foto: Wikipédia

Voltando para 2004, um fato importante de ser lembrado é que no duelo com os adversários gaúchos, a equipe de Caxias do Sul só foi derrotada uma vez, para o Internacional, na 41ª rodada, por 3 a 2, quando os colorados venceram de virada um jogo disputado em Erechim. O outro jogo contra o Inter na 18ª rodada acabou com vitória por 2 a 1 da equipe interiorana em pleno Beira-Rio. Já contra o Grêmio, o Juventude não perdeu. Na segunda rodada da competição empate em 1 a 1 na Serra Gaúcha, e no jogo da volta, válido pela 25ª rodada, o Estádio Olímpico viu o tricolor ser batido por 4 a 2 pelo melhor time gaúcho daquele ano.

Cromo de Thiago Silva pelo Juventude no Campeonato Brasileiro de 2004. Foto: Reprodução/Twitter/Old School Panini

Alguns nomes muito conhecidos hoje no futebol nacional e até mundial integravam a equipe de Ivo Wortmann em 2004. Analisando as escalações da época e até alguns álbuns de figurinhas podemos ver que aquele time tinha uma zaga de fazer inveja a muito time hoje. Índio, que nos anos seguintes se tornaria ídolo do Internacional, vestia a camisa do Juventude e era responsável por manter a defesa sólida ao lado de Naldo, zagueiro que defendeu muitos anos o Werder Bremen-ALE, onde foi campeão da Copa da Liga, Copa da Alemanha e Supercopa da Alemanha, tendo jogado ainda em outros históricos clubes como o Wolfsburg e Schalke 04, além de ter uma passagem pelo futebol francês, onde defendeu o Monaco. Outros dois nomes da defesa jaconera de 2004 devem estar ainda mais vivos na memória do amante de futebol. Os zagueiros Dante e Thiago Silva, que juntos defenderam a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, atuaram naquela histórica campanha do Juventude.

O campeonato do alviverde gaúcho foi mágico em 2004. Entre os times do sul, só ficou atrás do Athletico Paranaense, que brigou pelo título até a última rodada com o Santos e acabou com o vice-campeonato. Depois de 13 anos, o clube volta para a série A, patamar em que já havia passado exatos e coincidentes 13 anos consecutivos. É numa campanha como essa que o Jaconero deve se espelhar e ter como parâmetro para nunca mais voltar à penúria das divisões inferiores do futebol nacional, onde sua rica história jamais merece estar.


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Jaqueilton Gomes

Jornalista em formação, amante do futebol e comentarista no Universidade do Esporte

Como citar

GOMES, Jaqueilton. A motivação para a reestreia do Juventude na Série A. Ludopédio, São Paulo, v. 139, n. 59, 2021.
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