169.21

Mar calmo não faz bom marinheiro 2.0

Leonardo Megeto Montelatto 21 de julho de 2023

Depois de um longo e maravilhoso inverno, de tantos títulos, vitórias, recordes, feitos históricos e jogos épicos que ficarão marcados para sempre na memória do palmeirense, voltamos a esta coluna para escrever sobre o atual momento do Verdão, não tão bom assim… Bem ruim, na realidade.

Após um início de ano com título da Supercopa, num jogaço contra o Flamengo, e do Paulistão, o Verdão mantinha-se embalado com um ótima campanha na Libertadores, um início bom no Brasileirão e classificado para as Quartas de Final da Copa do Brasil. Mas aí veio a “parada” da Data Fifa e após ela uma sequência de oito jogos com uma vitória, três empates e quatro derrotas. Pior: eliminação na Copa do Brasil para o rival São Paulo com duas derrotas merecidas e tropeços no Brasileirão que nos distanciaram do super líder Botafogo.

Pensando em escrever este texto, puxei pela memória para relembrar o último momento de instabilidade atravessado pelo Palmeiras. Trata-se do ano de 2021, ainda no primeiro ano de comando de Abel Ferreira, onde após conquistar a Libertadores e a Copa do Brasil de 2020 o Verdão tropeçou em diversas competições:

  • eliminação nas semifinais do Mundial para o Tigres
  • derrota nos pênaltis para o Flamengo na Supercopa
  • derrota nos pênaltis para o Defensa y Justicia na Recopa
  • derrota na final do Paulistão para o São Paulo
  • eliminação nos pênaltis na Copa do Brasil para o CRB

Restava para o Verdão naquela temporada o Brasileirão e a Libertadores (mesma situação atual). Com uma queda de rendimento no certame nacional, todas as fichas foram jogadas na conquista do tri da América, onde em uma épica final o Palmeiras derrotou o Flamengo.

Palmeiras Abel Ferreira
Foto: Cesar Greco/Palmeiras/Fotos Públicas

Retornando para o atual momento, não acho que seja o momento de jogar a toalha no Brasileirão. O Palmeiras é ao lado do líder Botafogo a equipe que menos perdeu no campeonato: duas derrotas. A grande diferença se dá no número de empates: sete do Verdão e nenhum do Fogão. Ainda é possível, com uma grande arrancada, diminuir a distância na pontuação para brigar pelo título na reta final. Entretanto, a armadilha em que o Palmeiras se encontra é gigantesca, dado o tamanho do confronto que terá pela frente na Libertadores nas oitavas de final. O terceiro capítulo da trilogia contra o Atlético Mineiro.

Após grandes duelos e classificações épicas nos anos de 2021 e 2022, o Verdão voltará a encarar um “mordido” Galo, agora comandado por um velho conhecido, Felipão, que nos eliminou nas semifinais do ano passado com a equipe do Athletico Paranaense.

Se conseguir eliminar novamente o Atlético, o Verdão retoma sua confiança e terá um bom caminho para poder chegar a mais uma decisão de Libertadores. Agora, caso seja eliminado, situação normalíssima dada a qualidade do time adversário, o caos poderá tomar conta das alamedas de Palestra Itália como a muito tempo não vemos.

Situações como a apatia no mercado de negociações na busca por reposições no elenco, atritos da torcida com a presidente Leila Pereira e o diretor Anderson Barros e principalmente o desgaste na relação entre Abel Ferreira e sua comissão e o Futebol Brasileiro, muitas vezes estancadas pela sequência de ótimos resultados, com certeza irão ferver em caso de eliminação na Libertadores.

Cabe a nós torcer muito e estar preparados para muitas emoções na Libertadores. Este time e comissão já demonstraram várias vezes capacidade de se levantar e reagir quando menos se espera. O clima de contra tudo e contra todos cai bem para estes personagens e eles parecem se sentir mais a vontade em situações como esta. Aí está mais uma ótima chance de escrever um novo e épico momento da Era Abel Ferreira.

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Leonardo Megeto Montelatto

Formado em Educação Física pela UNICAMP. Professor de futebol na Arena Belletti e na Associação Rocinhense.

Como citar

MONTELATTO, Leonardo Megeto. Mar calmo não faz bom marinheiro 2.0. Ludopédio, São Paulo, v. 169, n. 21, 2023.
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