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Memórias de um Derby: um olhar alvinegro

Allef Souza 14 de julho de 2020

De todas as coisas que pandemia vem me impossibilitando, a que mais sinto falta é o futebol. Desculpem-me as mesas de bar, as calçadas de bar, os donos dos bares, os amigos de bares e até os cachorros dos bares.

Fico com o futebol.

Aah, que falta me faz entrar num estabelecimento desses que tem como nome “Bar do…” e aí completa com o nome do respectivo idealizador da causa. Aqui em minha cidade temos o Bar do Zecão e o Bar do Binhaça. Temos mais estabelecimentos que seguem essa regra, claro, como toda cidade tem, mas estes são meus preferidos em dia de jogo. Chegar lá, ir até o balcão, solicitar uma garrafa bem gelada, me dirigir até a mesa de plástico e forçar a vista a fim de acompanhar o jogo na TV ao longe.

Uns dirão, “o futebol é desculpa, você vai para beber”.

Bom, pode parecer que sim, visto que até agora falei basicamente desses estabelecimentos que tanto nos agregam valor, mas veja: Existe algo mais prazeroso para um torcedor, do que ir ao bar e assistir a um clássico?

Cássio defende pênalti cobrado por Lucas Lima na final do Campeonato Paulista de 2018, decidida entre Corinthians e Palmeiras. Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians.

Um Derby Paulista! Aaah, o Derby Paulista.

Era isso que eu queria poder fazer agora, sentar-me e assistir a um Corinthians e Palmeiras. Sentir aquela sensação de euforia, de ansiedade, de perguntar ao torcedor ao lado, que também força a vista, mirando o televisor “e aí, será que ganha hoje?”

E ao apito, roer as unhas, quando não, um pedaço de torresmo, daqueles bem fritinhos. De levar as mãos à cabeça, quando o atacante perde o gol. Levantar da cadeira pra gritar gol, e abraçar o desconhecido que está ao lado. E ouvir um “VAAAAAAI CORINTHIANS”, lá da rua, do rapaz que passa de bicicleta.

É difícil explicar a sensação de um Corinthians e Palmeiras, Lima Duarte já havia alertado Marisa Orth no filme “Boleiros – Era uma vez o Futebol”. E pro Lima deve ser ainda mais difícil de entender, visto que ele é tricolor. Mas ainda bem que ele sabe que o maior clássico da capital paulista (quiçá, do Brasil), é entre o Alvinegro de Parque São Jorge e o Alviverde de Palestra Itália.

Quantas memórias me vêm à cabeça quando penso no Derby, as embaixadinhas de Edilson Capetinha, as semifinais do Paulista de 2003, onde acabamos nos sagrando campeão, o título Brasileiro de 2011, com punhos cerrados em homenagem ao doutor Sócrates, a rabiscada de Vital pra empatar o jogo de volta, na casa palestrina, e a estrela do gigante Cássio brilhando mais uma vez, para garantir mais um título paulista.

Não acharei estranho, se você, leitor, após ler essas belas recordações, me perguntar? MAS SÓ TEM MEMÓRIA DO CORINTIA, PÔ?

De fato, meu bom amigo, já me tiraram o bar, me tiraram o futebol, e por tabela, o derby. Querem me tirar as boas memórias também? Aí não…

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Ludopédio.
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Allef Eduardo de Souza

Graduado em Letras - Inglês pela UENP, cronista , amante do futebol, da literatura, fã declarado da gigante Inter de Milão e que não dispensa uma mesa de bar.Corinthiano, maloqueiro e sofredor!

Como citar

SOUZA, Allef. Memórias de um Derby: um olhar alvinegro. Ludopédio, São Paulo, v. 133, n. 33, 2020.
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