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Em segundo, às vezes. Na segunda… talvez?

Pedro Santos, Lucas Rocha Oliveira 14 de janeiro de 2022

“Em segundo as vezes… na segunda jamais”. Em 2021 Santos viveu uma crise sem precedentes, contratou jogadores que não solucionaram os jogos, vendeu jogadores que fizeram uma falta enorme no elenco do clube e nenhum dos 3 técnicos (Ariel Holan, Fernando Diniz e atualmente Fábio Carille) superaram as expectativas da torcida santista. O ex-jogador do Santos Pita, que fez parte do elenco de 1978 mais conhecido como “meninos da vila”, participou do podcast “Mano a Mano”, apresentado por Mano Brown, e disse que nos momentos de crise o Santos sempre se supera por causa dos meninos da base ou um raio chega para solucionar o problema. Porém, para o Santos de 2021 o raio não caiu, mas a tempestade veio.

O Santos no Brasileirão de 2021 lutou para se manter na Primeira Divisão, fato inesperado pois em 2020 chegou na final da Libertadores, passando pelo tricampeão Grêmio nas quartas de finais, concluindo a fase com 4×1 no agregado. Nessa fase da competição o grande destaque foi Kaio Jorge, vendido por somente 3 milhões de euros, valor consideravelmente baixo pelo seu potencial, resultado da precária gestão do clube.

Na fase posterior da Libertadores venceu o segundo maior vencedor da competição, o Boca Juniors, com um excelente jogo do Santos dentro de casa, vencendo por 3×0. Na final, perdeu para o Palmeiras com gol nos acréscimos de Breno Lopes de cabeça, deixando de ser o maior campeão da Libertadores no Brasil e de conquistar sua vaga no Mundial de Clubes.

Após essa temporada do Santos tudo começou a desandar. Logo no começo houve a venda do zagueiro Lucas Verissimo para a equipe portuguesa do Benfica. Já no Paulistão 2021, o Santos quase foi rebaixado para a A2, e o que salvou a equipe foi a vitória no último jogo contra o São Bento, vencido por 2×0: já um péssimo começo para a equipe alvinegra. Além disso, foi eliminado da Libertadores, mas conseguiu uma vaga para a Copa Sul-Americana, sendo eliminado nas quartas de finais pelo Club LIbertad. Panorama geral: venda de Luan Peres e Kaio Jorge, lesão de Marinho, troca de três técnicos neste período de tempo, crise financeira, eliminações e Santos lutando pela saída do Z4.        

Santos
Foto: Pedro ErnestoGuerra Azevedo/SantosFC/Fotos Públicas

No dia 15 de setembro de 2021, Mano Brown recebeu os ex-jogadores do Santos, Pita, Gilberto Sorriso e Juary (elenco campeão paulista de 1978) no mesmo episódio mencionado anteriormente. Estavam conversando e lembrando dos momentos do clube, os ex-jogadores falavam como era no vestiário e o futebol naquela época. Mano Brown, então, fez a seguinte pergunta para os ex-jogadores: “Como que o Santos conseguiu ser chamado clube grande vivendo crise após crise? Desde que o Santos é o Santos […] isso é coisa de se perguntar né”. Pita respondeu: “É que a vantagem do Santos é essa, na crise, ele sai fora, ele cresce, ele consegue se erguer no momento que ninguém acha que dá mais, entendeu, essa é uma característica do Santos”.

Em momento difícil do clube, nasce um raio novo no Santos. Basta olhar Neymar, Ganso, Diego, Robinho, Pita, Elano e com certeza o rei Pelé. Porém, enxergamos que o Santos é um clube que depende basicamente de jovens talentos. Diferentemente de outros clubes, o Santos quase não gera receita de estádio e sócio torcedor. De acordo com o site futebolístico GOAL, o Santos ocupa a décima posição no ranking de sócio-torcedores no Brasil, possuindo 24.331 sócios.

Ou seja, o clube depende da formação de jogadores e do dinheiro da televisão, e também por esta razão, não pode cair para segunda divisão, já que ganharia apenas 6 milhões de reais por ano da televisão, sendo que atualmente recebe quase 80, de acordo com a plataforma Torcedores.com.

O Santos Futebol Clube é uma das marcas mais tradicionais com ótima reputação internacional. Para tornar o clube sustentável os cinco pontos abaixo deverão ser executados:

  1. Fazer uma parceria com uma construtora para modernizar seu estádio transformando o mesmo em uma fonte de receita;
  2. Gerir melhor suas despesas, mantendo as sempre equilibradas;
  3. Criar um centro de inovação para buscar novas fontes de receitas (exploração de bitcoins, parcerias com clubes do exterior etc…);
  4. Avaliar transformar o Santos em um clube empresa, sempre levando em consideração o bem do clube à médio e longo prazos, e com a consciência de que a transformação em clube empresa por si só não garante o desenvolvimento do clube, e que compradores não fazem “caridade”;
  5. Seguir investindo na base.

O Santos é um dos maiores clubes do mundo. Os torcedores já viram e viveram glórias: Rei Pelé jogar, grandes talentos nascendo no CT Rei Pelé, superação de crises, o fim de jejum de 18 anos em 2002, tri da libertadores, dois mundiais; Porém uma coisa que nunca viram foi o clube ir pra segunda divisão.

Portanto, está na hora de inovar o clube, pois o futebol mudou e é função do clube adaptar-se. O futebol, atualmente, requer muito dinheiro e uma administração eficaz, para que os clubes conquistem títulos e estejam em alta. O Santos futebol Clube possui recursos, mas com dívida e a má administração vão continuar em jejum de títulos e mais crises estão por vir. Como por exemplo o clube do Portuguesa, que caíra em 2013 e nunca mais voltou à série A. Com soluções e inovação podemos fazer o clube voltar a sua glória e dar sequência a sua grandeza.  

Referências

https://www.transfermarkt.com.br/kaio-jorge/marktwertverlauf/spieler/620477

https://www.torcedores.com/noticias/2017/11/saiba-quanto-o-santos-recebe-de-cota-de-televisao-pelo-brasileirao

https://www.atribuna.com.br/esportes/santosfc/santos-e-wtorre-estudam-retirar-itens-do-projeto-para-baratear-o-custo-da-nova-vila-belmiro

https://www.santosfc.com.br/santos-innovation-hub-santos-fc-cria-centro-de-inovacao-em-esporte/

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Lucas Rocha Oliveira

Formado em Educação Física pela UNESP Bauru em 2019. Mestrando no programa "Educação Física e Sociedade" da UNICAMP. Estudante e amante do futebol.

Como citar

SANTOS, Pedro; OLIVEIRA, Lucas Rocha. Em segundo, às vezes. Na segunda… talvez?. Ludopédio, São Paulo, v. 151, n. 13, 2022.
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