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Quando a Seleção Brasileira de Futebol Feminino desbravou a cidade de Monte Alegre do Sul, no interior de São Paulo

Felicce Fatarelli Fazzolari 15 de fevereiro de 2024

Em 1996, o futebol masculino brasileiro colecionava títulos, único tetracampeão mundial de futebol, três vezes campeão da Copa do Mundo Sub-20 e vice-campeão do mundial Sub-17. Havíamos vencido o torneio Mundial Interclubes por seis vezes, duas com o Santos de Pelé (1962-1963), uma com o Flamengo de Zico (1980) e com o Grêmio de Renato Gaúcho (1983), e duas com São Paulo do mestre Telê Santana (1992-1993). Assim, o Campeonato Brasileiro daquele ano ficou marcado por não rebaixar nenhum clube. A vitória do Grêmio, então campeão da Libertadores da América e Vice-campeão mundial sobre Portuguesa de Desportos, por 2 a 0, no segundo jogo da final, e a artilharia de Paulo Nunes, com 16 gols, mostrava as credenciais do clube gaúcho, que protagonizou, nos anos 1990, significativos jogos contra o Palmeiras, clube que fez 102 gols no ano de 1996.

Quando o contexto do futebol se volta ao time feminino, damos especial atenção às nossas cidades do interior, pois trazem histórias surpreendentes. Ao explorarmos alguns municípios brasileiros, descobrimos Monte Alegre do Sul. Mas, qual a sua convergência com o futebol, especificamente com o feminino? Vamos relembrar alguns de seus momentos para depois pisarmos no belo gramado do estádio municipal Liduíno Truzzi.

Concomitantemente, o futebol feminino brasileiro caminhava e buscava o seu espaço. Mesmo após participar de duas Copas do Mundo de Futebol criadas pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), em 1991 e em 1995, o esporte praticado por elas ainda não era bem visto por parte do público em geral. Os primeiros registros da prática do futebol feminino no Brasil aparecem nas propagandas dos espetáculos circenses do Circo Irmãos Queirolo e Garcia, nas décadas de 1930 e 1940. Essa era uma das formas de lazer mais populares no período. Segundo Bonfim (2023, p. 121), a partir do século XIX, o circo foi uma das formas de entretenimento no Brasil que disputou mercado, espaço e público com o teatro, com as touradas e com as festas religiosas.

Segundo Forguel (2023), o futebol feminino foi proibido no Brasil por meio de lei. O decreto-lei 3199 de 14 de abril de 1941[1] (Brasil, 1941), assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, seguiu até 1983 (Forguel, 2023). Para Marasciulo (2021), havia também o contexto social conservador da época, com a ideia predominante de que homens e mulheres deveriam desempenhar papéis específicos, como trabalharem e cuidarem dos filhos, respectivamente.

Mesmo após a revogação do decreto-lei 3199, em 1979, o futebol feminino não recebeu nenhum incentivo, e somente no ano de 1983 aconteceu a regulamentação da modalidade. Eurico Lyra Filho[2], advogado e ex-administrador da região de Copacabana/Leme, responsável pela equipe do Belford Roxo/Gang, organizou um campeonato com equipes formadas por mulheres. Em 1981, quarenta e nove anos após a fundação do Clube Radar, Eurico Lyra Filho criou, nas areias de Copacabana, o primeiro time feminino de futebol, o Esporte Clube Radar (ECR) (Forguel, 2023; Almeida, 2014). O primeiro Campeonato Paulista feminino de futebol aconteceu em 1987 e foi vencido pelo Clube Atlético Juventus, tradicional clube do bairro da Mooca, localizado no município de São Paulo.

Em 1988, realizou-se o Torneio Experimental da China, organizado pela FIFA e, após avaliar o torneio, a instituição encabeçou um movimento para a criação da própria Copa do Mundo (Forguel, 2023), conforme vemos a seguir:

O Torneio Experimental da China teve início no dia 1º de junho de 1988 e contou com a participação de doze países: Austrália, Noruega, Tailândia, China, Holanda, Canadá, Costa do Marfim, Japão, EUA, Suécia, Tchecoslováquia e Brasil. Durou até o dia 12 e, nesse período, foram realizados 26 jogos, somando 81 gols marcados, aproximadamente 3,1 por partida.

As convocadas foram: Lica (Vaneli Laurentino Lira da Costa), Flordelis (Flordelis Santos Oliveira), Elane (Elane dos Santos Rego), Lúcia (Lúcia Alves Feitosa), Suzy (Suzy Bittencourt de Oliveira), Sissi (Sisleide Lima do Amor), Sandra (Sandra Cristina Paiva Duarte), Marisa (Marisa Pires Nogueira), Simone (Simone Sueli Carneiro), Cebola (Lucilene de Souza Marinho), Fia Paulista (Lucineide Bezerra Lima), Suzana (Suzana Cavalheiro), Marcinha (Marcia Honório da Silva), Russa (Marcia Matos Calaça), Michael Jackson (Mariléia dos Santos), Pelezinha (Marilza Martins da Silva), Roseli (Roseli de Belo) e Fanta (Rosilane Camargo Motta). (Cabral; Goellner, 2022).

Logo em sua estreia, a seleção brasileira sofreu derrota para a Austrália: o placar ficou em 1 a 0. Na segunda rodada, vitória do Brasil sobre a Noruega, com o placar de 2 a 1. No terceiro jogo, contra a Tailândia, a nossa seleção venceu pelo placar de 9 a 0. Nas quartas de final, vitória sobre a Holanda, por 2 a 1 e, nas semifinais, de novo, a seleção brasileira enfrentou a Noruega, desta vez com derrota por 2 a 1. Após disputa por pênaltis contra a seleção da China, a brasileira conquistou a medalha de bronze, ficando, de forma honrosa, com o terceiro lugar da competição. Nasceram ali as “Pioneiras” do futebol brasileiro.

Com o sucesso do Torneio Experimental da China, no ano de 1991, aconteceu a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino FIFA, sediada pela República Popular da China. Coube à zagueira Elane marcar, contra a seleção japonesa, o primeiro e único gol brasileiro. As Pioneiras “caíram” na primeira fase do torneio, vencida pela seleção dos EUA.

Em 1993, durante encontro do Comitê Executivo da Federação FIFA no Principado de Mônaco, decidiu-se pela inclusão da competição feminina de futebol a partir da edição seguinte dos Jogos Olímpicos, realizada posteriormente em Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996.

Agora sim: chegamos à bela e calma Monte Alegre do Sul. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, [202?]), 8.627 pessoas residem no município, com área territorial com pouco mais de 110 km². De acordo com o site oficial da Prefeitura desse município, a ocupação da região teve início por volta de 1873, às margens do rio Camanducaia, com a chegada de várias famílias provenientes de Amparo e Bragança Paulista, atraídas pela qualidade das águas do rio e pela fertilidade do solo. Nesta época, por iniciativa de Teodoro de Assis, foi construída a capela do Senhor Bom Jesus em um terreno doado por Lourenço de Godoy. As primeiras casas começaram a ser construídas ao redor da capela pelo capitão José Inácio Teixeira. Com o passar dos anos, o povoado passou a ser conhecido como Bairro da Capelinha e, posteriormente, como Bairro dos Farias.

Ainda de acordo com o site oficial da cidade, em 5 de março de 1887, por meio da Lei provincial nº 15, o povoado foi elevado à condição de distrito do município de Amparo, com o nome de Bom Jesus de Monte Alegre, em homenagem ao padroeiro e à topografia da região. Em 24 de dezembro de 1948, por meio da Lei Estadual nº 233, o distrito foi elevado à categoria de município com o nome de Monte Alegre do Sul, portanto, desmembrado de Amparo. Sua instalação ocorreu em 31 de janeiro de 1949. Em 1964, Monte Alegre do Sul torna-se Estância Hidromineral, devido à qualidade de suas águas. Esta condição foi alterada, recentemente, para Estância Turística.

Em 1994, após a conquista do tetracampeonato mundial de futebol, a cidade promoveu uma fantástica recepção para o seu filho mais ilustre, Mauro Silva, meio-campista da nossa seleção. Natural de São Bernardo do Campo-SP, município popularmente conhecido como ABC, mudou-se para Monte Alegre do Sul ainda criança. Seu primeiro contato com o futebol aconteceu nessa cidade, onde defendeu o Grêmio Esportivo Mantiqueira e o Esporte Clube Monte Alegre do Sul (ECMAS), time que também contava com José Enéas Conti, goleiro de alta estatura, promissor, com um futuro brilhante, mas não como goleiro.

Assim como Mauro Silva, José Enéas Conti jogou no Guarani de Campinas. Segundo Conti, “fechou o gol”, em um amistoso entre as equipes do ECMAS e o Guarani, por volta de 1984, chamando a atenção dos olheiros do clube campineiro. Jogou por pouco tempo no Guarani, porém, preferiu os estudos ao clube da cidade de Campinas. Sábia escolha? Acreditamos que sim. Mesmo fora das quatro linhas, o Sr. José Enéas Conti nunca deixou de amar o futebol, aliás, o esporte.

Em 1993, foi eleito prefeito de Monte Alegre do Sul. Em seu primeiro mandato, entre os anos de 1993 e 1996, investiu em diferentes modalidades esportivas. Criou a “Copa Mauro Silva de Futebol de Campo”, o “1º Torneio de Pipas”, o “Passeio Ciclístico da Primavera”, o “Festival Feminino de Judô”, e investiu no futebol feminino de base, criando a primeira escolinha de futebol feminino da cidade. De acordo com o Sr. José Eneas Conti descobrimos que:

Futebol é futebol, e todos podem praticar esse esporte maravilhoso. O futebol pode ser a salvação para muitas crianças. Não importa se são meninos ou meninas, são crianças cheias de sonhos! A bola pode ser uma condutora para esses sonhos (Conti, 2024).

Além de oferecer, gratuitamente, o futebol para os munícipes de Monte Alegre do Sul, Conti alimentava interiormente outra vontade: levar a seleção brasileira de futebol feminino para a cidade. E conseguiu!

Quem visitar a cidade de Monte Alegre do Sul tem como “obrigação” ir ao Estádio Liduíno Truzzi. E que foi o meu caso. Como todo pai que ama o futebol, levei o meu filho, e o meu pai, para conhecerem o campo e “dar uns chutes a gol” no gramado, local aberto ao público. O gramado é bem cuidado, mas as instalações deixam a desejar como ponto turístico. Mesmo assim, vi uma bela placa, que está transcrita a seguir:

 

Placa no Estádio Liduíno Truzzi

Placa em homenagem à seleção brasileira de futebol feminino.

 

Amistoso de Futebol Feminino

Seleção Olímpica do Brasil

Seleção Paulista

Estádio Municipal “Liduíno Truzzi”

11 de maio de 1996

Marco da Passagem das Seleções Olímpica

Brasileira e Paulista na

Estância Hidromineral de

Monte Alegre do Sul

 

Apoio: Prefeitura Municipal da Estância Hidromineral de

Monte Alegre do Sul – SP

Realização: DECETUR – Depto de Cultura, Esportes e Turismo

Tempos Modernos

ADM. 93/96

 

Fonte:

Prefeitura Municipal da Estância Hidromineral de

Monte Alegre do Sul – SP, 2024.

 

“Que placa fantástica! Preciso saber o que realmente aconteceu nesse campo, no dia 11 de maio de 1996.” E ali começou a minha procura pelos fatos e pelos envolvidos.

No dia seguinte, entrei em contato, via “whatsapp”, com o setor de esportes da cidade, que me atendeu prontamente. Após uma breve conversa, o responsável pelo setor disse que não havia documentos no local, no entanto, um antigo Professor da cidade poderia me ajudar com a documentação e boas histórias acerca da partida. “Contato adicionado”.

O Professor Nico Varoni foi treinador da escolinha de futebol da cidade, e assim como o setor de esportes, atendeu ao meu chamado para uma entrevista. Segundo Nico, além do jogo amistoso contra a Seleção Paulista de Futebol Feminino, houve um segundo jogo, contra o Sub-15 masculino da cidade. Por questões de calendário, não poderia conversar com calma naquele momento, e ficou à disposição para uma data futura. Mesmo assim, compartilhou o contato do amigo do ex-prefeito de Monte Alegre do Sul, o Sr. José Enéas Conti.

Logo em seguida, enviei uma mensagem para Enéas. Após algumas mensagens, agendamos uma data para conversarmos pessoalmente. Assim, no dia 6 de janeiro de 2024, fui ao encontro do Sr. José Enéas Conti, que me recebeu carinhosamente em sua residência. Sentamos à mesa e começamos a nossa conversa. De pronto, vi um jornal com os seguintes dizeres:

Monte Alegre do Sul recebe a Seleção Brasileira de Futebol Feminino

A Seleção Brasileira de Futebol feminino estará em Monte Alegre do Sul de 08 a 16 de maio, onde irá treinar e se preparar para as Olímpiadas de Atlanta, nos Estados Unidos.

Depois de muita negociação, o Diretor de Cultura, Esportes e Turismo, Marcelo Lima, trouxe a Monte Alegre do Sul o responsável pelo grupo, e mostrou que a Estância pode dar todas as condições para receber a Seleção.

As jogadoras e a comissão técnica ficarão hospedadas na Pousada da Fazenda e farão diversos treinos no Estádio Municipal “Liduíno Truzzi”. No dia 11 de maio será realizado um jogo amistoso da Seleção Brasileira com a Seleção Paulista, às 15:30 horas.

Esta é uma grande vitória, do Prefeito Municipal José Enéas Conti, do Diretor do DECETUR, Marcelo Lima e principalmente dos sulmontealegrenses, que acreditaram e acreditam nesta administração, e um reconhecimento das enormes qualidades que o município possui.

Monte Alegre do Sul nunca recebeu, nem mesmo para a visita, uma Seleção Brasileira, seja já do que for, mas este é um passo muito importante, que abre a porta, e facilita a vinda de muitas outras à procura de um lugar ideal, ou bem próximo disto, para fazer suas concentrações.

A recepção foi facilitada pela Encave, que patrocinará a estadia de toda equipe, e pelo apoio dado pela Pousada da Fazenda, de propriedade da família Truzzi, que se preparou para dar um atendimento à altura da importância dos hóspedes (Monte Alegre do Sul, 1996).

Também sobre a mesa, estava uma revista produzida pela prefeitura de Monte Alegre do Sul, durante a gestão de Conti e uma enorme quantidade de fotos que registravam o amistoso entre as jogadoras das Seleções Brasileira e Paulista. As fotos são belos registros de uma seleção histórica como a sua chegada à cidade, a estadia na Pousada da Fazenda, a partida contra a Seleção Paulista, indo até a cerimônia de descerramento da placa no estádio Liduíno Truzzi.

As jogadoras da Seleção Brasileira de Futebol Feminino em uma pousada da cidade de Monte Alegre do Sul. Fonte: CONTI, José Eneas. Arquivo pessoal.

 

E como foi a partida?

As seleções perfiladas ao som do Hino Nacional Brasileiro.. Fonte: CONTI, José Eneas. Arquivo pessoal.

 

O estádio estava lotado. Munícipes, moradores de cidades vizinhas e autoridades locais aguardavam pela partida. Em campo, a Seleção Brasileira, guiada pela capitã Sissi, contava com Pretinha, Fanta, Meg, entre outras jogadoras, e vestia a clássica camisa azul, campeã mundial em 1958. A Seleção Paulista também contava com jogadoras renomadas que, conforme Enéas, “a camisa 9[3] jogou muita bola, merecendo a vaga para os Jogos Olímpicos de 1996” (Conti, 2024).

A Seleção Brasileira de Futebol Feminino no estádio Liduíno Truzzi, em Monte Alegre do Sul, SP. Fonte: CONTI, José Eneas. Arquivo pessoal.
A Seleção Paulista de Futebol Feminino. Fonte: CONTI, José Eneas. Arquivo pessoal.

 

Se de um lado estava a Seleção Brasileira de Futebol Feminino, e do outro, a Seleção Paulista de Futebol Feminino, quem estava ao centro, no comando do jogo, com a nobre missão de carregar consigo o apito e os cartões? Apenas árbitros FIFA podem apitar jogos entre seleções, mas, naquele dia, o comando do jogo ficou a cargo do Sr. José Enéas Conti: “Você acha que eu iria perder a chance de apitar um jogo histórico?” (Conti, 2024), disse o Sr. José durante a nossa conversa. O jogo foi duro, pegado, com belos lances de gol. Aliás, não faltaram gols. De acordo com o Enéas Conti, o jogo terminou 12 a 0 para a Seleção Brasileira de Futebol Feminino.

A atacante Pretinha, em um belo lance pela Seleção Brasileira de Futebol.

 

Após o apito final, mais comemorações. Um troféu foi entregue à Sissi, capitã da Seleção vitoriosa, e aconteceu a cerimônia de descerramento da placa, eternizando aquela partida. A solenidade envolveu as jogadoras das duas equipes, autoridades locais e, claro, o Sr. José Enéas Conti, não mais como árbitro, e sim, como o prefeito da época.

Cerimônia após o termino da partida. Fonte: CONTI, José Eneas. Arquivo pessoal.
Cerimônia após o termino da partida. Fonte: CONTI, José Eneas. Arquivo pessoal.
Cerimônia após o termino da partida. Fonte: CONTI, José Eneas. Arquivo pessoal.

 

Um segundo jogo-treino aconteceu contra a equipe de futebol Sub-15, da cidade de Monte Alegre do Sul, comandada pelo Professor Nico Varoni. Após o jogo, a festa continuou na Pousada da Fazenda. Uma célebre confraternização entre as jogadoras de ambas as equipes encerrou a passagem das Seleções Brasileira e Paulista pela cidade de Monte Alegre do Sul e, meses depois, a nossa Seleção nacional conquistou o 4º lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), mostrando todo o seu potencial para o mundo.

O Sr. José Eneas Conti e eu. A camisa utilizada durante o jogo é mais um troféu.

 

Por fim, devemos considerar alguns pontos: temos de dar parabéns aos envolvidos. Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Prefeitura de Monte Alegre do Sul. Quantas meninas deram os seus primeiros chutes após aquela partida lendária? Quantos sonhos nasceram a partir daquele momento? Precisamos valorizar o futebol e o esporte brasileiro em todas as etapas de formação e aproximá-lo de mais pessoas. Há muito talento em toda a extensão brasileira, tendo em vista que o esporte também transforma vidas. No entanto, até o então momento, apenas a FPF respondeu ao meu e-mail, dizendo não haver súmula da partida. Já a CBF, não respondeu ao e-mail. Gostaria de escrever as escalações completas das duas equipes, mas infelizmente não consegui as informações corretas. Fiquem à vontade para enviar informações. Com a elitização do futebol brasileiro, e o afastamento das seleções do próprio país, torna-se cada vez mais raro o contato com renomadas jogadoras e jogadores do futebol nacional. Assim, que a valorização seja mantida, que a bola role por muito tempo, e que as placas não se tornem simples objetos inanimados, frios, jogados em um canto, e que os campos sejam mais do que um local, e sim, um lugar sagrado, de memória, de identidade, de amizade, carinho e respeito. 

 

Referências

ALMEIDA, Caroline Soares de. O Clube da Rua Mascarenhas de Morais: Memórias do Futebol de Mulheres em CopacabanaPonto Urbe, Revista do núcleo de antropologia urbana da USP, São Paulo, n. 14, 31 jul. 2014.

BONFIM, Aira Fernandes. Futebol Feminino no Brasil: entre festas, circos e subúrbios, uma história social (1915-1941). 1. ed. São Paulo, 2023. 352 p. ISBN: 9786500724806.

BRASIL. Câmara dos Deputados. Decreto-lei nº 3.199, de 14 de Abril de 1941. Legislação Informatizada. Estabelece as bases de organização dos desportos em todo o país. Diário Oficial da União, Seção 1, Rio de Janeiro, p. 7453 14 abr. 1941, (Publicação original). Acesso em: 10 jan. 2024.

CABRAL, Juliana; GOELLNER, Silvana Vilodre. As pioneiras pedem passagem: Memórias do Torneio Experimental da China (1988). As Mulheres do Futebol. Ludopédio, São Paulo, v. 154, n. 17, 2022. Acesso em: 12 jan. 2024.

CONTI, José Enéas. O futebol em Monte Alegre do Sul. [Entrevista cedida a] Felicce Fatarelli Fazzolari. São Paulo, jan. 2024. Informação fornecida verbalmente em sua residência no dia 6 jan. 2024 às 14:00h para a pesquisa sobre As Pioneiras que Desbravaram Monte Alegre do Sul.

É ANO de Copa! A História do Futebol Feminino. Seleção Brasileira. GE. 2019.  Acesso em: 10 jan. 2024.

FORGUEL, Israel. A História de Todas as Copas Mundiais Femininas. 2. ed. São Paulo: Clube de Autores, 2023. 138 p. ISBN: 978-85-93232-46-6.

FRANCESCHI NETO, Virgílio. Os 25 anos da primeira seleção brasileira feminina de futebol em Jogos Olímpicos. Notícias. Olympics. 19 jul. 2021. Acesso em: 16 jan. 2024.

IBGE. Monte Alegre do Sul. Cidades e Estados. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. [202?].  Acesso em: 16 jan. 2024.

MONTE ALEGRE DO SUL. São Paulo: ano 1, n. 8, Jornal o Município de Monte Alegre do Sul, 11 maio 1996. Diretor responsável: José Carlos Urbano.

MARASCIULO, Marília. O decreto-lei que proibiu mulheres de jogar futebol no Brasil por 40 anos. História. Revista Galileu, 19 jul. 2021. Acesso em: 10 jan. 2024.

MONTE ALEGRE DO SUL. A Cidade. Decetur. Monte Alegre Do Sul, SP, c2017. Acesso em: 16 jan. 2024.

PROPAGANDA do Circo Irmãos Queirolo com atrações de futebol feminino. Museu do Futebol. Centro de Referência do Futebol Brasileiro – CRFB. São Paulo, [202?]. Acesso em: 10 jan. 2024.


[1] Art. 54. Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país (Brasil, 1941).

[2]  Eurico Lyra sempre foi adepto do futebol. Era jogador na praia, chegando durante a década de 1960 a assumir a Federação Carioca de Futebol de Areia. Caroline Soares de Almeida, «O Clube da Rua Mascarenhas de Morais: Memórias do Futebol de Mulheres em Copacabana», Ponto Urbe [Online], 14 | 2014, posto online no dia 31 julho 2014, consultado o 11 janeiro 2024.

[3] Um e-mail foi enviado para a Federação Paulista de Futebol e para a Confederação Brasileira de Futebol, solicitando a súmula da partida. Em resposta, a FPF disse não ter a súmula do jogo.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Ludopédio.
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Felicce Fatarelli Fazzolari

Graduado em História pela Universidade Guarulhos (2003), Graduado em Filosofia pela Universidade Camilo Castelo Branco (2007), Graduado em Pedagogia pela FALC (Faculdade Aldeia de Carapicuíba), Especialista em Sociologia pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Professores do Estado de São Paulo Paulo Renato Costa Souza (2012), e Mestre pela Univesidade Presbiteriana Mackenzie no Centro de Educação, Filosofia e Teologia, no Programa de Educação, Arte e História da Cultura, com o tema: O FUTEBOL PAULISTANO COMO PRÁTICA CULTURAL: Um estudo sobre a violência no futebol paulistano e a sua convergência para a rede social Instagram. Sou Professor de História, Filosofia, Sociologia, disciplinas Eletivas, Tecnológicas e Projeto de Vida, para os ensinos Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede pública e particular de São Paulo. Tive experiência como Professor-Coordenador do Ensino Fundamental e Médio da Rede Estadual de São Paulo. Pai do Giuseppe, esposo da Patricia e amante de futebol e Rock'n roll.

Como citar

FAZZOLARI, Felicce Fatarelli. Quando a Seleção Brasileira de Futebol Feminino desbravou a cidade de Monte Alegre do Sul, no interior de São Paulo. Ludopédio, São Paulo, v. 176, n. 15, 2024.
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